Mesmo em fase final de carreira na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), o A-10 Thunderbolt II segue recebendo atualizações para ampliar sua relevância operacional. A mais recente delas é a capacidade de reabastecimento em voo pelo método de sonda e cesto (probe and drogue), tradicionalmente não utilizado pela USAF em seus caças e aeronaves de ataque.
Imagens divulgadas no início de abril já indicavam testes com um A-10C Thunderbolt II equipado com o novo sistema. A confirmação oficial veio no dia 7, quando a força detalhou a solução, desenvolvida como resposta às limitações na disponibilidade de aeronaves-tanque — agravadas pela retirada dos KC-10 Extender, alta demanda pelos já veteranos KC-135 Stratotanker e pelos atrasos na plena certificação do KC-46 Pegasus para reabastecimento operacional com o Warthog.
O projeto foi conduzido pelo Air National Guard Air Force Reserve Command Test Center, que desenvolveu em curto prazo o chamado Adaptador de Reabastecimento por Sonda. O equipamento é instalado no nariz da aeronave, acima do receptáculo do sistema de lança rígida (boom). A proposta é oferecer flexibilidade: o adaptador pode ser instalado ou removido em poucas horas, diretamente na linha de voo, conforme a necessidade da missão.

Com a nova capacidade, o A-10 passa a poder operar com aviões-tanque equipados com cestos, como o HC-130 Hercules. Esse tipo de aeronave apresenta envelopes de velocidade e altitude mais compatíveis com o perfil de voo do A-10, além de atuar em missões próximas ao apoio aéreo aproximado e operações CSAR — cenários típicos de emprego do “Warthog”.
A demanda por maior flexibilidade logística ficou evidente recentemente, durante uma operação de resgate envolvendo um F-15E Strike Eagle abatido durante a Operação Epic Fury no Irã. A missão mobilizou mais de 150 aeronaves e evidenciou a importância de meios adaptáveis para sustentar operações prolongadas em ambientes contestados.
Segundo o tenente-coronel Luke Haywas, diretor de testes do AATC, o desenvolvimento seguiu um modelo acelerado envolvendo múltiplas organizações. “Assim que a exigência foi emitida, todos os processos começaram imediatamente. Não houve comprometimento técnico ou de segurança — apenas aceleramos cada etapa possível”, afirmou. O esforço envolveu ainda o Escritório do Programa do A-10, a ARCWERX, parceiros industriais e unidades operacionais, além do 418th Flight Test Squadron, que conduziu os primeiros ensaios com um HC-130.
De acordo com o portal The War Zone, a adaptação pode ter implicações mais amplas para a USAF, especialmente no contexto da doutrina Agile Combat Employment (ACE), que prioriza dispersão e flexibilidade em cenários de alta intensidade, como um eventual conflito no Indo-Pacífico.
“Os [grandes] aviões-tanque a jato exigem pistas longas e não reabastecem aeronaves em altitudes muito baixas. A capacidade dos caças da Força Aérea dos EUA de utilizar MC-130 e HC-130, ou mesmo KC-130 da Marinha, bem como C-130J padrão modificados para reabastecimento aéreo, mudaria drasticamente essa situação, operando a partir de pistas mais curtas ao lado de caças com muito mais flexibilidade”, observa o portal norte-americano.
Nesse contexto, soluções alternativas para reabastecimento tem ganhado relevância. A própria USAF avalia o KC-390 Millennium, oferecido pela Embraer em parceria com a Northrop Grumman para a função de “agile tanker”. Ainda assim, a introdução de sondas fixas em aeronaves táticas que não utilizam esse sistema pode representar uma alternativa mais simples e rápida para ampliar a interoperabilidade e a resiliência logística da força.
