Celebrado em 23 de março, o Dia da Aviação do Exército marca o nascimento do capitão Ricardo Kirk, patrono da Aviação do Exército Brasileiro e um dos grandes pioneiros do emprego militar do poder aéreo nacional. Mais do que uma data comemorativa, a efeméride resgata uma trajetória que une inovação, ruptura institucional e reconstrução. Elementos que ajudam a explicar o papel estratégico desempenhado pela aviação da tropa verde oliva.
Ainda durante a Guerra do Paraguai, em 1867, o Exército empregou, de forma inédita na América Latina, balões cativos para observação do campo de batalha, marcando um primeiro passo no uso militar do espaço aéreo. Décadas depois, já no início do século XX, o então tenente Ricardo Kirk se tornaria o primeiro aviador militar brasileiro, participando de missões de reconhecimento e combate durante a Guerra do Contestado. Os voos de Kirk consolidaram a aviação como vetor essencial, mesmo em um período de limitações tecnológicas e estruturais.
A institucionalização veio em 1919, com a criação da Aviação Militar e da Escola de Aviação no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Em 1927, a aviação se tornou a “quinta arma” do Exército, ao lado da infantaria, cavalaria, artilharia e engenharia.
Ao longo das décadas seguintes, a aviação militar participou de conflitos internos, ampliou sua presença territorial e lançou iniciativas como o Correio Aéreo Militar. Esse ciclo foi interrompido em 1941, com a criação da Força Aérea Brasileira, quando os meios aéreos do Exército e da Marinha do Brasil (Aviação Naval) foram incorporados à nova força.

A retomada só ocorreria 45 anos depois. Em 1986, a Aviação do Exército (AvEx) foi recriada em um novo contexto tecnológico e operacional, agora baseada exclusivamente em aeronaves de asas rotativas, iniciando a retomada da “quinta arma” com os HM-1 Pantera e HA-1 Fennec. Mais tarde, o EB adotou o HM-2 Black Hawk, HM-3 Cougar e HM-4 Jaguar.
A introdução dos helicópteros transformou o conceito de emprego, permitindo mobilidade rápida, apoio direto às tropas e atuação em ambientes complexos, especialmente na Amazônia. A entrega das primeiras aeronaves no fim da década de 1980 marcou o início de uma fase de modernização contínua, que consolidou a AvEx como um dos principais vetores de pronta resposta do Exército Brasileiro.
Hoje, a Aviação do Exército atua em uma ampla gama de missões: transporte aeromóvel, reconhecimento, evacuação médica, apoio logístico e operações de garantia da lei e da ordem. Seu emprego integrado às forças terrestres reforça a capacidade de projeção de poder e de presença em regiões estratégicas do país.
Ao mesmo tempo, a formação de pessoal altamente especializado, concentrada no Centro de Instrução de Aviação do Exército, sustenta a evolução doutrinária e operacional da Aviação da Força Terrestre.

Alimentada pelo seu espírito pioneiro, a AvEx observa o futuro cada vez mais conectado, digital e autônomo. A incorporação de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas, como o Nauru 1000C, amplia significativamente as capacidades de vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos, inserindo o Exército em um novo patamar tecnológico.
Paralelamente, programas de modernização da frota e a aquisição de novos meios, com destaque para o UH-60M Black Hawk, mostram que a AvEx mantém vivo seu caráter vanguardeiro, buscando cada vez mais maior alcance, interoperabilidade e eficiência operacional.
Entre o balão cativo de 1867 e os drones de última geração, a Aviação do Exército mantém uma linha contínua: o pioneirismo. Ao celebrar o aniversário do seu patrono, a Força não apenas revisita o passado, mas reafirma sua vocação de adaptação e inovação. Elementos essenciais para os desafios do campo de batalha contemporâneo.