Santiago Rivas (*)
Durante entrevista concedida ontem, dia 20 de março, ao programa “Hablemos Claro” da Exitosa Noticias, o presidente peruano José María Balcázar confirmou que o governo de José Jerí já havia selecionado o F-16 Block 70 como substituto dos caças Mirage 2000 e MiG-29, por meio de um acordo firmado com o governo dos Estados Unidos, que Balcázar pretende manter.
A esse respeito, ao abordar a relação com a China, ele enfatizou que os Estados Unidos também são o principal e histórico parceiro do Peru, e que o governo de José Jerí “firmou um acordo com os Estados Unidos para a aquisição de aeronaves de última geração, e daremos continuidade à compra para a Força Aérea”.
Da mesma forma, quando questionado pelo apresentador do programa se a compra era uma prioridade, ele indicou que a aquisição da aeronave para a Força Aérea Peruana (FAP) “não era uma prioridade” porque existem muitas questões mais importantes a serem resolvidas no país, mas, dada a existência de um acordo com os Estados Unidos, o processo continuará “porque é uma situação já decidida”.
A oferta do F-16, no valor de até US$ 3,42 bilhões, já foi aprovada pelo governo dos Estados Unidos e inclui um lote inicial de dez F-16C monopostos e dois F-16D bipostos (embora posteriormente tenha sido ampliada com mais doze aeronaves dentro do total autorizado), além de 14 motores F110-GE-129, um lote de mísseis ar-ar de curto e longo alcance, AIM-9X Block II e AIM-120C-8, bem como radares AESA AN/APG-83, pods de designação de alvos AN/AAQ-28 Litening, sistemas de guerra eletrônica, equipamentos de navegação e exibição para pilotos, além de peças de reposição, suporte logístico e treinamento técnico.
Este primeiro lote teria como objetivo substituir o MiG-29 “Fulcrum”, enquanto a intenção é adquirir posteriormente um segundo lote para substituir o Dassault Mirage 2000. Os outros dois modelos considerados foram o Dassault Rafale, cujos custos operacionais eram consideravelmente mais elevados, e o Gripen NG, com custos semelhantes aos do F-16, mas desempenho inferior, além de ser uma aeronave ainda em desenvolvimento e sem experiência em combate. Ademais, segundo fontes da FAP, suspeitas de corrupção no contrato assinado pela Colômbia tiveram um efeito negativo.
Essa aquisição colocaria a FAP na vanguarda da aviação de combate na América Latina, com as aeronaves mais avançadas da região. Além disso, ampliaria o grupo de operadores do F-16 na América Latina, que recentemente incluiu a Argentina, juntamente com o Chile e a Venezuela.

(*) Santiago Rivas é jornalista e fotógrafo argentino, especializado em defesa, editor da revista Pucará Defensa e colaborador de Tecnologia & Defesa na Argentina