BAE Systems fecha acordo de transferência de tecnologia para empresa brasileira

A BAE Systems Hägglunds, fabricante sueca dos veículos militares BvS10 e CV90, iniciou uma parceria com a Knightec Group Brasil (antiga Semcon Brasil) para transferência de tecnologia e geração de empregos em Resende, no estado do Rio de Janeiro. A Knightec Group Brasil fornecerá expertise avançada em engenharia para a cadeia de suprimentos da BAE Systems, com base em sua ampla experiência no setor automotivo. A ação pode representar uma ampliação na cooperação industrial e estratégica da empresa com o Brasil caso o CV90 seja escolhido para equipar o Exército Brasileiro.

Por meio deste programa inicial, que está em fase piloto, a Knightec Group vai desenvolver novos conceitos de projeto para carcaças das caixas de engrenagens destinadas ao veículo anfíbio BvS10, com foco na otimização de custos de produção e na melhoria do desempenho do projeto. No Brasil, a empresa possui sede em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, com mais de 800 funcionários. A sua operação se estende por filiais em Porto Real (RJ) e Resende (RJ) e por atuação no complexo da Volkswagen em Taubaté (SP).

A iniciativa pode ajudar a BAE Systems a ampliar ainda mais sua produção diante de recentes contratos conquistados em diversos países, criando uma base sólida para o crescimento da capacidade produtiva e para o desenvolvimento contínuo de projetos mais complexos ao longo do tempo. O programa piloto também abre a possibilidade de novos negócios para a Knightec Group e de maior velocidade de produção para a BAE Systems e seus clientes no futuro.

“Estamos entusiasmados em trabalhar com a Knightec Group no Brasil”, afirmou Lars Pettersson, diretor de engenharia da BAE Systems Hägglunds. “Ao estabelecer, desde o início, formas de trabalho compartilhadas e processos alinhados, buscamos criar uma base sólida que não apenas sustente o crescimento futuro, mas também permita o desenvolvimento contínuo de projetos cada vez mais complexos à medida que nossos programas evoluem.”

A BAE Systems Hägglunds mantém uma relação longa e bem-sucedida com a Knightec, que se fundiu com a Semcon em 2024 para formar o Knightec Group. A intenção é ampliar e desenvolver também no Brasil a mesma parceria consolidada e bem-sucedida que as empresas já possuem na Europa.

“Temos orgulho de iniciar este programa com a BAE Systems no Brasil”, afirmou Fabricio Campos, gerente nacional da Knightec Group Brasil. “Essa colaboração representa mais do que uma oportunidade pontual — trata-se de fortalecer a capacidade industrial local, ampliar as competências de engenharia e apoiar o desenvolvimento de um ecossistema de defesa sustentável no país. Juntos, estamos criando as bases para crescimento de longo prazo e futuros programas no Brasil.”

As empresas que compõem a BAE Systems já construíam navios para a Marinha do Brasil desde os anos de 1908 e, de lá até hoje, a companhia vem fortalecendo sua relação com o país por meio do fornecimento de e equipamentos e veículos, como o M113 e a artilharia M109 para o Exército, o Hawker Siddeley C-91 e sistemas aeronáuticos para a Força Aérea, além de veículos anfíbios de assalto para os Fuzileiros Navais e o navio-aeródromo multipropósito (NAM) Atlântico e os navios da classe Amazonas para a Marinha.

“A BAE Systems trabalha com o Brasil há mais de 100 anos, promovendo proteção, parceria e prosperidade”, afirmou Marco Caffé, diretor-geral da BAE Systems no Brasil. “Ao longo desse período, fornecemos capacidades militares para todos os ramos das Forças Armadas brasileiras, além de treinamento para equipes de apoio militares e civis. Temos a ambição de ampliar ainda mais nossa atuação no Brasil no futuro, em conjunto com nossos parceiros industriais locais.”

Sobre o BvS10

O programa do veículo blindado articulado sobre lagartas BvS10 teve início em 2001 para atender a uma demanda do Exército Britânico por uma plataforma anfíbia, capaz de operar em todos os tipos de terreno e transportar até 12 soldados. Embora derivado da família Bv206, que foi operada no Brasil pelo Corpo de Fuzileiros Navais, o projeto evoluiu significativamente, incorporando maior capacidade de carga, proteção balística aprimorada e mobilidade superior, mantendo o conceito de dois módulos articulados que assegura desempenho excepcional em ambientes extremos.

A versatilidade é um dos principais atributos do BvS10. A plataforma pode ser configurada para diferentes missões, incluindo transporte de tropas, comando e controle, evacuação médica, apoio logístico e operações de socorro, adaptando-se rapidamente às necessidades operacionais.

Em combate, o veículo demonstrou sua eficácia sobretudo no Afeganistão, onde foi empregado pelos Royal Marines em cenários de alta complexidade, como na província de Helmand. Sua elevada mobilidade em terrenos difíceis e a baixa pressão sobre o solo contribuíram para reduzir a vulnerabilidade a minas antitanque, embora a crescente ameaça de artefatos explosivos improvisados (IEDs) tenha impulsionado melhorias nos níveis de proteção nas versões mais recentes.

Além do Reino Unido, o BvS10 é operado por diversos países, incluindo Alemanha, Austrália, França, Suécia e Estados Unidos. A Holanda, que adquiriu 74 unidades, empregou o veículo em missões de paz no Chade, no âmbito da EUFOR, e posteriormente doou 28 exemplares à Ucrânia, juntamente com o Reino Unido que forneceu outros 20. A Índia também figura entre os clientes, com uma encomenda de 250 unidades. Ao todo, o programa já acumula mais de 1.850 veículos encomendados e em serviço.

Com cerca de 8 metros de comprimento, 2,25 metros de largura e até 2,45 metros de altura, o BvS10 atinge velocidades de até 70 km/h em terra e 5 km/h na água. O armamento pode incluir metralhadoras de 5,56 mm, 7,62 mm ou 12,7 mm, além de lançadores automáticos de granadas de 40 mm.

A proteção balística atende ao padrão STANAG 4569 nível 2, com possibilidade de incremento para níveis superiores, incluindo proteção contra munições de até 14,5 mm, além de resistência a minas antipessoal. O veículo é equipado com motor diesel Cummins de seis cilindros em linha, com 6,7 litros, entregando 210 kW de potência, associado a uma transmissão automática Allison de seis marchas. O alcance operacional é de até 500 km.

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