Pilotos de F-16 da Argentina serão treinados por empresa privada do Canadá

Os pilotos instrutores de F-16 da Força Aérea Argentina (FAA) serão treinados pela Top Aces, empresa canadense especializada em treinamento de combate aéreo e conhecida por operar como uma espécie de “força aérea privada”. O programa será financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que firmou com a companhia um contrato avaliado em US$ 33,19 milhões.

O acordo foi anunciado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na terça-feira (24) e prevê a formação de instrutores de voo do F-16, permitindo que pilotos de países parceiros desenvolvam capacidade operacional independente fora do território norte-americano. O treinamento será realizado na Argentina, com conclusão prevista para 30 de junho de 2029. Do total contratado, US$ 22,7 milhões já foram alocados por meio do programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS).

Tradicionalmente, pilotos estrangeiros eram treinados diretamente em unidades de instrução da própria USAF. No caso argentino, porém, o modelo adotado prioriza a formação local dos instrutores, permitindo que os aviadores desenvolvam competências operacionais em seu próprio ambiente regional, sem a necessidade de deslocamento para centros de treinamento nos EUA.

Segundo o portal Defence Blog, o pacote de instrução inclui procedimentos avançados de voo, emprego tático, planejamento de missões e gerenciamento de sistemas embarcados, abrangendo as principais capacidades associadas a operações com caças de quarta geração.

Top Aces é a primeira empresa privada no mundo a voar com caças F-16. Foto: Carson Scinto/Top Aces/Divulgação.
Top Aces é a primeira empresa privada no mundo a voar com caças F-16. Foto: Carson Scinto/Top Aces/Divulgação.

A Top Aces integra o grupo de empresas conhecidas como Red Air, especializadas na simulação de ameaças aéreas em exercícios de combate. Historicamente, essa função era desempenhada exclusivamente por unidades militares — os chamados esquadrões Aggressor ou Adversary — dedicados a replicar táticas e perfis de forças aéreas adversárias para aprimorar o treinamento em combate aéreo.

A companhia já operava aeronaves como os jatos de ataque A-4 Skyhawk, os treinadores Alpha Jet e o Learjet 35A. Em 2021, tornou-se a primeira empresa privada do setor a operar caças de quarta geração ao adquirir F-16A “Netz” provenientes dos estoques da Força Aérea Israelense.

A Argentina formalizou a aquisição de seus F-16 em 2024, adquirindo 24 aeronaves usadas da Real Força Aérea Dinamarquesa. As seis primeiras unidades foram entregues no final de 2025, marcando o início da transição da FAA para o novo vetor de combate.

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