Ex-Piloto de caça dos EUA é preso por treinar militares da China

Piloto de caça F-16 Fighting Falcon da Força Aérea dos EUA. (Foto: Soldado Alexis P. Docherty/USAF)

Um ex-piloto de caça da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) foi preso na quarta-feira (25), acusado de repassar treinamento tático a aviadores da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF). Gerald Eddie Brown Jr., 65 anos, conhecido pelo indicativo “Runner”, deixou a ativa em 1994 após carreira operacional voando F-4, F-15 e F-16, além de atuar posteriormente como instrutor em simuladores para pilotos do F-35 Lightning II.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), o major reformado foi detido em Jeffersonville, Indiana, após denúncia por “fornecer e conspirar para fornecer serviços de defesa a pilotos militares chineses sem autorização”. Para o diretor assistente Roman Rozhavsky, da Divisão de Contraespionagem do Federal Bureau of Investigation (FBI), Brown “traiu seu país ao treinar pilotos chineses para lutar contra aqueles que jurou proteger”.

Rozhavsky afirmou que Pequim continua a explorar a experiência de militares norte-americanos, da ativa e da reserva, para acelerar a modernização de suas forças. Segundo ele, o caso serve de alerta de que as autoridades irão responsabilizar quem colaborar com adversários estratégicos dos EUA.

Piloto de caça J-10B Firebird da PLAAF. Foto via China Defence Blog.
Piloto de caça J-10B Firebird da PLAAF. Foto via China Defence Blog.

Brown acumulou 24 anos na USAF antes de se aposentar na primeira metade da década de 1990. Depois, voltou a trabalhar em contratos ligados à Defesa, inclusive como instrutor em simuladores do A-10 Thunderbolt II e do F-35. Segundo o DOJ, ele iniciou negociações com representantes chineses em agosto de 2023 e viajou a Pequim em dezembro daquele ano. No primeiro dia, teria respondido por três horas a questionamentos sobre a USAF e apresentado um relatório pessoal à PLAAF. Ele permaneceu na China ministrando instrução até retornar aos Estados Unidos no início de fevereiro de 2026, sendo preso em seguida.

Para Lee Russ, diretor executivo do Escritório de Projetos Especiais do “Air Force Office of Special Investigations” (AFOSI), o fornecimento de treinamento militar a adversários representa “ameaça significativa à segurança nacional”. O AFOSI participou da investigação, conduzida pelo escritório do FBI em Nova York, com apoio das unidades em Louisville, Indianápolis e Los Angeles.

Analistas ouvidos pela imprensa norte-americana destacam que mesmo conhecimentos considerados básicos podem ter valor relevante para a PLAAF, sobretudo no campo doutrinário e tático. Conforme o DOJ, Brown comandou unidades sensíveis com responsabilidade sobre sistemas de lançamento de armas nucleares e liderou missões de combate, experiência que pode interessar particularmente aos planejadores militares chineses.

O evento reacende o debate em Washington sobre o controle de exportação de conhecimento militar e a atuação de ex-integrantes das Forças Armadas em mercados estrangeiros considerados sensíveis do ponto de vista estratégico.

O caso contra Brown está sendo investigado pelo Escritório de Campo do FBI em Nova York, com assistência dos Escritórios em Louisville, Indianápolis e Los Angeles. O Escritório de Investigações Especiais da Força Aérea também prestou assistência substancial, conclui o Departamento de Justiça.

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