Às vésperas de completar quatro anos de guerra contra a Rússia, a Ucrânia estaria ampliando o emprego de seus caças F-16 Fighting Falcon com o apoio de pilotos estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos e da Holanda. A informação foi divulgada por um portal francês especializado em inteligência, que afirma que a Força Aérea Ucraniana (UAF) teria formado um esquadrão composto por aviadores experientes na operação do caça norte-americano.
Segundo o Intelligence Online, Kiev teria estruturado uma unidade internacional formada por ex-pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos e da Real Força Aérea Holandesa, profissionais com décadas de experiência com o caça, incluindo em missões de combate. O grupo já desempenharia papel relevante na defesa aérea da região de Kiev, frequentemente alvo de ataques com mísseis e drones, integrando o processo gradual de reforço da frota fornecida por países ocidentais.
De acordo com a publicação, esses pilotos não foram incorporados formalmente às forças armadas ucranianas, operando sob contratos temporários de seis meses, ajustados conforme as necessidades operacionais. A atuação do esquadrão se concentraria principalmente na proteção da capital e de grandes centros urbanos, com foco na interceptação de drones suicidas e mísseis de cruzeiro russos.
A principal contribuição dos aviadores estrangeiros estaria no uso avançado dos sistemas de combate do F-16, sobretudo do pod Lockheed Martin Sniper, sistema eletro-óptico voltado à identificação e designação de alvos a longa distância, permitindo o emprego de armamentos guiados a laser, como bombas da família Paveway e foguetes APKWS. A reportagem coincidiu com a circulação, nas redes sociais, de vídeos que mostrariam F-16 ucranianos abatendo drones Shahed 136/Geran-5.
O portal também sustenta que os pilotos norte-americanos teriam experiência real de combate em operações de apoio aéreo no Oriente Médio, enquanto os holandeses seriam formados em prestigiados centros europeus de treinamento em guerra aérea e interceptação avançada.
A reação oficial de Kiev veio pouco depois. O chefe do Departamento de Comunicações do Comando da Força Aérea Ucraniana, Yuriy Ignat, rejeitou as alegações com ironia: “Ahá! E quem liderou o esquadrão? Tom Cruise!”, disse, em referência ao personagem do ator norte-americano nos filmes Top Gun. Apesar da negativa, o oficial destacou o desempenho dos pilotos ucranianos em aeronaves ocidentais, afirmando que eles seguem demonstrando elevada eficiência na interceptação de mísseis de cruzeiro e drones inimigos.
Paralelamente, a OTAN mantém em operação o Centro Europeu de Treinamento do F-16 (EFTC), sediado na Base Aérea de Fetești, na Romênia, criado principalmente para capacitar pilotos ucranianos. O portal italiano The Aviationist recorda que, em 2024, o senador norte-americano Lindsey Graham chegou a sugerir a contratação de pilotos aposentados da Força Aérea dos Estados Unidos para apoiar Kiev.
A Ucrânia recebeu seus primeiros F-16 em agosto de 2024, com aeronaves doadas principalmente pela Holanda e pela Noruega. A Dinamarca já forneceu seis unidades, enquanto a Bélgica deverá transferir 30 caças à medida que incorpora seus novos F-35 Lightning II. Além disso, o país também opera os caças franceses Mirage 2000-5F e aguarda novas entregas do modelo.