A estreia do Centauro II BR na Operação Punhos de Aço 2025: um salto significativo de qualidade para as Forças Blindadas brasileiras

A evolução dos meios blindados no Exército Brasileiro tem sido marcada por uma busca constante no incremento na ação de choque, mobilidade e proteção. Nesse contexto, a Operação Punhos de Aço 20251 representou um marco para a 6ª Brigada de Infantaria Blindada (6ª Bda Inf Bld), a “Brigada Niederauer”, ao ser empregar, pela primeira vez em operação tática na Força Terrestre, a viatura blindada de combate de cavalaria multipropósito sobre rodas (VBC Cav-MSR) 8X8 Centauro II BR.

A Operação Punhos de Aço é um tradicional exercício de adestramento avançado, conduzido pela 6ª Bda Inf Bld, que coroa o esforço do preparo ao longo do ano de instrução. Na edição 2025, todas as organizações militares da Brigada participaram da atividade. Foi concebida uma situação tática hipotética, na qual a grande unidade blindada realizou operações ofensivas no terreno. Primeiramente, foi ocupada a zona de reunião, para, em seguida, ser iniciada a marcha para o combate descoberta, cuja vanguarda foi uma força-tarefa valor unidade. Estabelecido o contato com posições inimigas sumariamente organizadas, outras três forças-tarefas unidade ultrapassaram a vanguarda e realizam um ataque de oportunidade. Como resultado da ação, foram criadas condições favoráveis para o início do aproveitamento do êxito, que ocorreu somente na carta, em planejamento prévio à ida para o campo de instrução, desenvolvido pelo estado-maior da Brigada, suas unidades e subunidades.

Durante todo o período da manobra (marcha para o combate e ataque de oportunidade), foi atribuída ao 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (6º Esqd C Mec) a importante missão de segurança de um flanco exposto da Brigada, por meio do qual era possível a interferência do inimigo, com o potencial para comprometer a progressão da tropa e o cumprimento de suas tarefas. Para tal, foram empregadas as duas viaturas Centauro II BR recentemente recebidas, em combinação com viaturas blindadas de transporte de pessoal média sobre rodas (VBTP) 6X6 Guarani, orgânicas dessa subunidade.

Com o objetivo de simular um cenário de guerra convencional de alta intensidade, a manobra envolveu a execução de operações com ênfase na integração de novas capacidades tecnológicas no campo de batalha. A participação dos Centauros II BR e a sua análise em atividade operacional possibilitaram traçar um comparativo com a já consagrada, porém obsoleta, viatura blindada de reconhecimento (VBR) 6X6 EE-9 Cascavel. Como consequência, foram constatados diversos ganhos operativos em favor do Centauro II BR: seu maior poder de fogo (canhão 120mm); a existência de sensores com capacidade de visão térmica e noturna de longo alcance; a disponibilidade de um sistema de Comando e Controle (C2) integrado em rede; melhor mobilidade tática; e blindagem superior, incluindo proteção contraminas e dispositivos explosivos improvisados.

Dentre essas várias vantagens, o maior ganho observado foi quanto aos meios de observação, aquisição de alvos e consciência situacional, os quais operam em qualquer condição de luminosidade ou clima. O Sistema Panorâmico ATTILA D (“Long Range Commander Panoramic Sight”), instalado para o comandante da viatura, permite a observação com amplitude de 360º, de forma independente da torre, com imagem estabilizada, câmeras diurnas e térmicas de alta resolução e telemetria a laser. Assim, a capacidade de escaneamento do campo de batalha e aquisição de alvos aumenta exponencialmente, com reflexos positivos para a rapidez nos engajamentos, que passam a ocorrer de forma otimizada, priorizada e coordenada, aumentando tanto a efetividade do emprego da plataforma de tiro, quanto a sobrevivência da guarnição em combate. O Sistema de Controle de Tiro LOTHAR SD (“Land Optronic Thermal Aiming Resource – Second Generation”), sob a responsabilidade do atirador, proporciona visão térmica de segunda geração, telêmetro laser, rastreamento automático de alvos e cálculo balístico digital, garantindo altíssima precisão no primeiro disparo, mesmo em movimento, contra alvos estáticos ou dinâmicos, de dia ou à noite.

Durante a ocupação de diferentes posições de bloqueio, no transcurso da missão de segurança de flanco, o Centauro II BR colocou à prova a plenitude das possibilidades dos sensores ATTILA D e LOTHAR SD: os sistemas detectaram efetivamente os blindados e tropas “inimigas”, antes mesmo da entrada na zona de engajamento. Com essa detecção antecipada, foi possível realizar disparos simulados certeiros à distância de segurança. Em razão disso, foi percebido um aumento significativo na capacidade de observar o campo de batalha, monitorando ameaças de forma mais acurada, reduzindo significativamente o risco para a guarnição, algo impossível com a antiga VBR Cascavel.

Dessa maneira, nas missões de reconhecimento, em geral, o sistema de observação do Centauro II BR foi decisivo. As guarnições conseguiram identificar alvos camuflados, tropas desembarcadas e viaturas em movimento por terrenos complexos, contribuindo, igualmente, para o esforço de busca da seção de inteligência da Brigada e do escalão superior, aumentando a velocidade do processo decisório em todos os níveis. O Cascavel, ao contrário, por não possuir capacidade ótica e eletrônica nesse nível, depende de artifícios externos de iluminação, que fatalmente comprometem a eficiência da missão. Com o Centauro II, as ações de reconhecimento, vigilância e segurança possuem mais alcance com elevada discrição e proficiência na identificação de alvos táticos de alto valor para a operação.

Ressalta-se que a capacidade de observação contínua e independente entre o comandante e o atirador do Centauro II BR permitiu a identificação de possíveis rotas de aproximação inimiga advindas de diferentes direções. Nessa dinâmica, graças ao sistema ATTILA D, enquanto o atirador engajava um alvo, o comandante já iniciava a designação de outra ameaça. Além disso, a visão noturna e os sensores térmicos possibilitaram vigilância constante, mesmo em deslocamentos, em terreno arborizado e sem linha de visada clara, situação na qual o Cascavel apresenta severas limitações. Como resultado, o 6º Esqd C Mec se tornou uma barreira ativa e letal na flanco guarda, dissuadindo e impedindo as tentativas de infiltração inimiga no dispositivo da Brigada.

Foi possível atestar, desta feita e de maneira contundente, a superioridade tecnológica e operativa do Centauro II BR sobre o Cascavel, especialmente no que concerne aos seus avançados sistemas optrônicos e alto poder de fogo. Sua capacidade de ver e atirar primeiro representa uma mudança de paradigma. Assim, a experiência colhida na Operação Punhos de Aço pode ser um primeiro passo para novas discussões doutrinárias e elaboração de técnicas, táticas e procedimentos mais ajustadas às possibilidades da viatura recém-adquirida.

A história do Centauro II BR no Exército Brasileiro está apenas começando. O seu uso pioneiro na Operação Punhos de Aço 2025 foi promissor, gerando motivação, orgulho e forte sentimento de pertencimento. A proximidade geográfica da 6ª Bda Inf Bld com o Centro de Instrução de Blindados e o Centro de Adestramento Sul reforça o acerto da decisão de distribuir, prioritariamente, os dois primeiros Centauros II BR ao 6º Esqd C Mec. Isso tem proporcionado, em muito boas condições, a atuação sinérgica da tríade ensino-simulação-adestramento, que permite o desenvolvimento e a ampla difusão de uma mentalidade totalmente voltada para o emprego de meios modernos nas forças blindadas do Brasil. O mesmo se espera da incorporação de duas VBR EE-9 Cascavel NG (“New Generation”) ao inventário da “Brigada Niederauer”, a ocorrer no ano de 2026.


Autores: gen bda André Dias e 1º sgt Ruy Sales de Oliveira
Fonte: EBlog

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Uma resposta

  1. Com a entrada do Cascavel NG e seus optronicos ,creio que, mesmo não sendo talvez da mesma capacidade dos instalados no Centauro II, a discrepância entre os dois veículos, como descrito na matéria, deve diminuir consideravelmente.

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