A frota de caças F-15K Slam Eagle da Força Aérea da Coreia do Sul (ROKAF) passará por um amplo processo de modernização conduzido pela Boeing. A fabricante norte-americana recebeu um contrato de US$ 2,805 bilhões da Força Aérea dos Estados Unidos, que abrange todas as etapas do programa de atualização dos jatos sul-coreanos.
O Departamento de Defesa dos EUA publicou o contrato de Vendas Militares Estrangeiras (FMS) na última sexta-feira (30), em um modelo híbrido que combina custos reembolsáveis, taxa fixa e incentivos de preço fixo. O acordo cobre o projeto e o desenvolvimento de um conjunto integrado de sistemas de aeronaves destinado a apoiar a modificação das aeronaves F-15K.
Os trabalhos, contratados por meio do Centro de Gerenciamento do Ciclo de Vida da Força Aérea dos EUA, devem se estender até o fim de 2037 e serão conduzidos principalmente a partir da sede da Boeing em St. Louis, no Missouri, unidade responsável por grande parte dos contratos de defesa da empresa. A modernização será realizada em cooperação com a Defense Acquisition Program Administration (DAPA), agência sul-coreana encarregada do planejamento, orçamento, desenvolvimento e aquisição de equipamentos militares para as Forças Armadas do país.
A publicação do Departamento de Defesa não detalha os sistemas que serão incorporados aos aviões, mas ocorre mais de um ano após a Agência de Cooperação em Segurança e Defesa (DSCA) ter aprovado a venda de um pacote de atualização para os F-15 da Coreia do Sul, então avaliado em US$ 6,2 bilhões.

De acordo com a notificação enviada ao Congresso dos EUA em novembro de 2024, os F-15K deverão receber:
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radares de varredura eletrônica ativa (AESA) AN/APG-82(v)1, da Raytheon;
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computadores de missão Advanced Display Core Processor II (ADCP II), desenvolvidos pela Boeing e pela Honeywell;
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conjunto de guerra eletrônica AN/ALQ-250 EPAWSS, da BAE Systems;
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capacetes com sistema de mira e display integrado JHMCS; e
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sensor de alerta de aproximação de mísseis AN/AAR-57 CMWS.
A oferta de 2024 também incluía publicações e documentação técnica, treinamento de pessoal, peças de reposição, serviços de suporte especializado e outros itens associados, tendo Boeing, Raytheon e BAE Systems como principais contratadas.
Com o upgrade, os F-15 sul-coreanos recebem instrumentos similares aos encontrados nas variantes mais avançadas do Eagle, incluindo F-15EX, SA e QA.
Considerado uma versão avançada do F-15E Strike Eagle, o F-15K Slam Eagle figura entre os principais vetores de combate da Força Aérea Sul-Coreana, ao lado dos F-35 Lightning II e dos F-16 Fighting Falcon. As 59 aeronaves atualmente em serviço representam cerca de 14% da frota de caças a jato do país, que ainda conta com os KAI FA-50 e os veteranos F-5E/F Tiger II. Os aviões foram adquiridos no âmbito do programa F-X da ROKAF, que selecionou o F-15 em 2002. O primeiro lote, com 40 aeronaves, foi contratado naquele mesmo ano, com as primeiras entregas a partir de 2005. Em 2008, Seul adquiriu um segundo lote, com mais 21 caças.
O programa F-15K envolveu, além da compra das aeronaves, um amplo pacote de compensações industriais e transferência de tecnologia. Diversos componentes do caça, incluindo asas, seções da fuselagem, sistemas de combate e de guerra eletrônica, foram produzidos na Coreia do Sul por empresas locais e posteriormente enviados aos Estados Unidos para a montagem final. Os Slam Eagle também receberam integração com armamentos não empregados pelos F-15E norte-americanos, como o míssil de cruzeiro europeu KEPD 350 Taurus e o AGM-84H/K SLAM-ER.