VIKING Exercise 2018 – BRAZIL SITE (Análise)

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O Exercício Viking é um Exercício de Posto de Comando (multidimensional, multinacional e multifuncional)  assistido por computadores em rede, conectados para treinamento de militares, policiais e civis.
  • Iniciado em 1999 por iniciativa da Suécia/EUA (no 50º aniversário da cúpula da OTAN);
  • Conduzido nos anos: 1999, 2001, 2003, 2005, 2008, 2011, 2014 e 2018;
  • O Brasil participou em 2014 com seis (06) observadores;
  • Em 2015 o Brasil foi convidado para coordenar um ponto remoto (site);
  • 2017: Preparação técnica e treinamento dos participantes.

1983. No auge da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, o jovem David Lightman quebra a segurança/decifra os códigos dos então mais avançados computadores do mundo, o sistema do Departamento de Defesa dos EUA.

Sem querer,  o ator Matthew Broderick e seus amigos poderiam ter iniciado o conflito que levaria a 3ª Guerra Mundial. WAR GAMES, ou Jogos de Guerra, foi um grande sucesso do cinema norte-americano e lançou o ator ao estrelato.

O roteiro do filme usava o North American Aerospace Defense Command (NORAD), baseado na Montanha Cheyenne (Colorado Springs), como cenário de uma possível hecatombe nuclear simulada em rede por um computador com sérios problemas funcionais.

Nos dias atuais, as redes de computadores assumiram o controle de praticamente todas as atividades humanas, proporcionando o aprimoramento do conhecimento. Na arena militar, o uso de conectividade e digitalização de processos é uma realidade condizente com as últimas tecnologias empregadas pelos mais modernos exércitos e forças armadas, especialmente no treinamento, formação e capacitação de pessoal.

VIKING EXERCISE

O Exercício Viking é um Exercício de Posto de Comando (multidimensional, multinacional e multifuncional)  assistido por computadores em rede, conectados para treinamento de militares, policiais e civis.

Sua plataforma de treinamento foi desenhada para preparar conjuntamente civis, militares e policiais desdobrados em áreas de crise ou missões de paz lideradas pela ONU, pela OTAN ou pela UE.

Essa “Missão de Paz” simulada multinacional é desenhada utilizando uma aproximação compreensiva, e todos os aspectos do exercício (conceito, desenvolvimento, implementação e avaliação) são co-presididos e constituem-se posteriormente em co-propriedade de todos os participantes.

A Audiência de Treinamento é composta por militares, civis e policiais oriundos de parceiros-chaves (QG da Missão, Comandos Regionais, Escritórios Regionais e Escritórios de Campo).O cenário proporciona um exercício diverso e multidimensional apoiado por uma sólida plataforma técnica. Seu objetivo, treinar e educar os participantes – civis, militares e policiais – em uma Missão de Paz da ONU Multidimensional com um mandato sob o Capítulo VII.

Entre os múltiplos desafios apresentados aos participantes, estes precisam aplicar uma aproximação compreensiva em uma missão de paz internacional, incluindo o papel com relação ao país anfitrião, promovendo o entendimento mútuo, confiança, cooperação, interoperabilidade e interconectividade.

Eles também precisam entender e aplicar a gestão de comando/missão, tarefas e funções de elementos de Estado-Maior (EM), procedimentos e estruturas, e todo o processo de planejamento coordenado, além de entender e aplicar conceitos operacionais atuais refletindo os desafios do presente e do futuro em operações de paz internacionais.

Seis países sediram “sites” do exercício: a SUÉCIA, BULGÁRIA, FINLÂNDIA, IRLANDA, SÉRVIA e o BRASIL.

A infraestrutura disponibilizada em Brasília envolveu a utilização de estruturas do COTER e do CMP para o recebimento de 122 pessoas (audiência de treinamento) divididas entre o Exército Brasileiro, com 37 pessoas distribuídas entre o gabinete do comandante do Exército (GAB CMT), Estado Maior do Exército (EME), Comando de Operações Terrestres (COTER), Departamento de Engenharia e Construção (DEC), Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), Comando Militar do Planalto (CMP), Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME), Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), Centro de Adestramento – Leste (CA-Leste) e Centro de Adestramento – Sul (CA-Sul); a Força Aérea Brasileira com 07 pessoas, a Marinha do Brasil com 02 pessoas; os convidados e participantes/organizadores, totalizando 38 pessoas da Suécia, Argentina, EUA, Canadá, México, França, Alemanha, Guatemala, Colômbia, Peru, China, Emirados Árabes, Uruguai, Paraguai, El Salvador; mais os civis (11) oriundos do Brasil, Suécia, Portugal, EUA, Costa Rica, Ucrânia, Croácia; e completando o grupo, os policiais militares, um total de 09 profissionais divididos entre o Distrito Federal e o Estado de São Paulo.

Caracterizado como uma Operação de Paz com Mandato sob o Capítulo VII da Carta da ONU e conduzido em um ambiente assimétrico, o Viking 2018 alinhavou 16 temas: Defesa cibernética; Ambiente seguro e estável; Controle do espaço aéreo; Forças irregulares; Crime organizado; Companhias militares privadas; Cooperação e coordenação; Assistência humanitária; Proteção de civis; IDP´s & refugiados; Migração de massas; Direitos humanos; Construção de Estado; Gênero; Estado de Direito; Prevenção de violência sexual em conflito.

Bogaland, o País fictício criado para o Exercício, apresentou um cenário refletindo desafios de missões de paz atuais como as crises na África e Oriente Médio; potencializou a interação civil-militar; suscintando a discussão de mandatos, temas e incidentes que iniciam uma coordenação multifuncional e ofereceu uma dinâmica do conflito complexa, permitindo assim jogos simultâneos em diferentes níveis.