Unidade da FAB realiza avaliações para conhecimento operacional

0
883

Novos conhecimentos, novas possibilidades, novas doutrinas. Essas são as propostas do Instituto de Aplicações Operacionais (IAOP) da Força Aérea Brasileira (FAB).

A unidade concentra profissionais capacitados para realizar avaliações operacionais e gerar conhecimento operacional nas áreas de Guerra Eletrônica, Análise Operacional, Comando e Controle e Sistema de Armas. Por cerca de três anos, a unidade funcionou como Núcleo do Instituto de Aplicações Operacionais (NuIAOp) e, em novembro de 2016, tornou-se Instituto.

O IAOP fica em São José dos Campos (SP), dentro da área do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A localização, considerada estratégica, aproxima as necessidades operacionais da FAB à parte científica. “O objetivo principal é gerar conhecimento operacional, que é o resultado final de toda uma cadeia produtiva do Instituto, usualmente iniciada nas Avaliações Operacionais”, explicou o diretor do IAOP, coronel José Virgílio Guedes de Avellar.

Criação do IAOP

Após a extinção do Centro de Estudos da Arte da Guerra do Comando-Geral de Operações Aéreas-COMGAR (CEAGAR), que concentrava a análise e avaliação operacional voltadas para a Guerra Eletrônica, a coordenação para consecução dos trabalhos de definição dos requisitos operacionais para a FAB tornou-se mais difícil.

Além disso, a formação dos oficiais nos Cursos de Pós-Graduação em Aplicações Operacionais (PPGAO) e no Curso de Especialização em Análise de Ambiente Eletromagnético (CEAAE) necessitava de acompanhamento e direcionamento para as exigências da Força.

Diante deste cenário, em 2013, foi iniciada a criação do IAOP.

Projetos

“O IAOP está inserido no projeto de offset (compensações de natureza industrial, tecnológica ou comercial) do FX-2 e nas Avaliações Operacionais (AVAOP) de interesse do COMGAR. A unidade realiza a orientação e acompanhamento dos trabalhos de todos os alunos do CEAAE, propondo temas que visem associar a pesquisa dos alunos às necessidades da FAB, além do acompanhamento das propostas de avaliações operacionais e contratuais que envolvam questões de recebimento de equipamentos e checagem de requisitos”, disse o vice-diretor do IAOP e chefe da Divisão de Gestão do Conhecimento, tenente-coronel Ricardo Augusto Tavares Santos.

(Imagem: Agência Força Aérea)

Desafios

“Com certeza, o maior desafio é manter os avaliadores motivados, atualizados e com foco na missão de gerar conhecimento operacional para o COMGAR, contribuindo para o preparo e o emprego da Força. Este trabalho demanda muita disciplina, dedicação e conhecimento acadêmico associado ao conhecimento operacional que cada integrante possui, exigindo-se constante atualização teórica e prática”, comentou o coronel Avellar.

Resultados obtidos

Um dos destaques é a verificação do alcance de detecção do radar do F-5EM em suas diversas configurações.

“O trabalho auxiliou no levantamento de novos parâmetros táticos para o planejamento de missões, possibilitando uma maior consciência situacional das tripulações e uma melhor eficácia nos diversos tipos de cenário”, considerou o chefe da Divisão de Avaliação Operacional, tenente-coronel aviador Jorge Luís Lessa Júnior.

Além disso, a Avaliação Operacional do Padrão de Busca Noturna com NVG (Óculos de Visão Noturna) complementou a capacidade de realizar missões de busca e salvamento. Após essa AVAOP, duas missões de busca noturna reais já foram realizadas.

(Imagem: Agência Força Aérea)

Com relação à aeronave de patrulha P-3 Orion, a primeira avaliação teve foco no sensor de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica (MAGE). O experimento permitiu conhecer mais sobre o sistema, suas limitações e levantar possíveis melhorias. “O estudo continua em andamento e o conhecimento gerado contribuirá para a consolidação da doutrina necessária à melhor utilização da plataforma”, conclui o tenente-coronel Lessa.

Outro exemplo foi o estudo realizado com o radar SABER M-60. “Esse trabalho gerou uma mudança de doutrina e a confecção de um manual de procedimentos. Essa avaliação operacional proporcionou a utilização plena do equipamento”, esclareceu o major Daniel Ferreira Manso, chefe da Divisão de Emprego de Sistemas e instrutor dessa AVAOP.

Além desses exemplos, estão em andamento estudos para a ampliação da capacidade de utilização do LINK BR1. “O importante é que o IAOP continue contribuindo para a geração de conhecimento operacional que possibilite a atualização doutrinária, essencial para o adequado preparo e o correto emprego da Força Aérea”, finalizou o diretor da unidade.

 

Ivan Plavetz