Thales Alenia Space: Satélites óticos, o próximo passo

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Joel Chenet, vice-presidente da empresa para o Brasil. (Imagem: Roberto Caiafa)

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) é um marco do Programa Espacial Brasileiro, por representar uma guinada em termos de transferência de tecnologias (ToT) e estabelecimento de parcerias entre empresas brasileiras e congêneres estrangeiras. Pensado para prover comunicações estratégicas, o SGDC está sendo fabricado pela franco-italiana Thales Alenia Space (TAS), contratada pela Visiona Tecnologia Aeroespacial no final de 2014.

Durante a LAAD 2015, Joel Chenet, vice-presidente da empresa para o Brasil, atualizou a imprensa sobre os avanços do programa: “Os trabalhos do SGDC estão dentro do cronograma, e acreditamos ser capazes de completar a integração do satélite até outubro próximo, lançando-o como previsto em meados de 2016. Também assinamos os acordos definitivos de transferência de tecnologias do SGDC entre a TAS, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Governo Federal. A Agência Financiadora de Projetos (FINEP) tem desempenhado um importante papel, sendo responsável por selecionar os parceiros e empresas que irão receber o ToT, o processo se dando através de Request For Proposal (RFP) no mercado brasileiro”.

Disse ainda o executivo: “Para cada tópico específico do payload (carga e sensores do satélite), um contrato é fechado em áreas como controle térmico, instrumentos óticos embarcados de precisão, plataforma de integração (bus) do satélite. Na 1º fase, o treinamento de recursos humanos brasileiros está acontecendo na França, envolvendo cerca de 40 pessoas, sendo seguida pela 2ª fase, a continuidade dessa instrução no Brasil, capacitando esse pessoal para exercer com plena segurança a 3ª fase, que envolve a operação e manutenção autônoma total em todos os sistemas envolvidos com controle e gerenciamento de dados do SGDC. 

Segundo Chenet, tais etapas devem ser concluídas ao longo de dois anos, com esforços também na formação de recursos humanos. “Essa metas deverão ser atingidas em dois anos, e a continuidade do processo será garantida pela criação da chamada Universidade do Ar dentro do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Trata-se de um Curso de Engenharia Aeroespacial especialmente formatado para gerar profissionais aptos a suportar operações de satélites no Brasil. Como exemplo, professores franceses virão ao Brasil compartilhar conhecimento com alunos brasileiros, auxiliando no processo de qualificação de pessoal para operações espaciais”.

O próximo passo

A TAS, dentro da parceria estabelecida com o Governo Brasileiro, e ciente da determinação deste em obter satélites de observação da Terra, está oferecendo soluções em duas fases, começando pelo satélite ótico de grande resolução, menos complexo de ser obtido inicialmente que os satélites radares, e capaz de atuar em missões como vigilância de fronteiras, controle ambiental, monitoramento de áreas críticas, entre outras.

De fato, a TAS tem afirmado que o Brasil pode se tornar um novo eixo de cooperação espacial, e o grupo francês não esconde seu interesse em obter melhores resultados que os auferidos pela parceria entre o Brasil e a China no programa CBERS. Todo o processo está sendo coordenado numa grande ação de governo a governo envolvendo pessoal altamente qualificado das duas partes, tanto na França como no Brasil, em tópicos como transferência de tecnologias sobre rádio definido por software utilizado no controle do satélite, ou o emprego da Constelação Copérnico de observação terrestre, já em órbita e operacional, para a cessão de dados de alta qualidade para o governo.

Roberto Caiafa