Space Data Highway: Primeira transmissão laser do satélite Sentinel-1A

0
1753
A previsão é para que o EDRS tenha três satélites até 2020 (Imagem: ESA)

EDRS-A, o primeiro satélite de retransmissão do programa EDRS-Space Data Highway, enviou a primeira imagem com emprego de tecnologia de transmissão laser. A imagem transmitida pelo satélite Sentinel-A, correspondente à ilha de La Reunión e suas áreas costeiras, foi recebida pelo centro da Airbus Defence & Space em apenas um minuto após ter sido captada.

O programa de testes em órbita desenvolvido por engenheiros da Airbus D &S progride de acordo com as previsões e confirma que a transição para a fase operacional regular acontecerá em julho.

O sistema Space Data Highway proporcionará comunicações laser de alta velocidade no espaço podendo alcançar até 1,8 GB por segundo. Esse programa de grande envergadura, cujo custo encontra-se ao redor de € 500 milhões, é resultado de colaboração público-privada entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e Airbus Defence & Space.

Com emprego da tecnologia laser desenvolvida  pela Tesat Spacecom, filial da Airbus D&S, o Space Data Highway poderá transferir grandes volumes de informações não só procedentes de satélites de observação da Terra, mas também de veículos aéreos não tripulados, aeronaves de vigilância e sistemas instalados a bordo de estações espaciais como a Estação Espacial Internacional (ISS).

Graças à elevada velocidade de transmissão (de até 1,8 GB/segundo) e à posição orbital geoestacionária dos satélites de retransmissão, é possível enviar para a Terra de forma segura até 50 Terabytes por dia, quase em tempo real, e não com varias horas de demora, como ocorre atualmente.

A Comissão Europeia será o primeiro cliente do sistema Space Data Highway. Os satélites Sentinel-1 e Sentinel-2  do Copernicus, programa europeu de observação da Terra, estão equipados com terminais de comunicação laser, o que permitirá acelerar significativamente o envio de dados requeridos com urgência e de grandes volumes de informação para centros de controle terrestre. Em casos de crises ou desastres naturais, a informação atualizada é crucial para que as autoridades possam preparar a intervenção emergencial mais adequada.

Evert Dudok, diretor de negócios da linha de comunicações, inteligência e segurança da Airbus D&S, declarou que o Space Data Highway não é ficção cientifica, e sim, uma revolução nas comunicações via satélite e contribuirá para que a indústria espacial europeia se mantenha na vanguarda dos serviços tecnológicos inovadores.

O avanço conquistado através do primeiro  satélite Space Data Highway confirma a entrada em serviço do sistema em julho. (Imagem: Airbus Defence & Space)
O avanço conquistado através do primeiro satélite Space Data Highway confirma a entrada em serviço do sistema em julho. (Imagem: Airbus Defence & Space)

Magali Vaissière, diretora de telecomunicações e aplicações integradas da Agência Espacial Europeia (ESA), disse que com o primeiro enlace realizado na última quarta-feira (01), o EDRS esta cada vez mais próximo de entrar em operação e requisitar serviços dos satélites Sentinel do Copernicus.

Como contratada principal da cooperação público-privada Space Data Highway, a Airbus D&S não só cofinância, projeta, produz e opera o sistema, como também é responsável por sua comercialização. O Centro Aeroespacial da Alemanha (DLR conforme o idioma alemão) também participa do financiamento do sistema e no desenvolvimento e operação do segmento terrestre. Onze países europeus tomam parte do consórcio.

Situado na posição orbital 9° Leste, o primeiro modulo de comunicação do sistema Space Data Highway poderá estabelecer enlaces com outros satélites de observação da Terra  e com veículos aéreos não tripulados em voo na Europa, África, América Latina, Oriente Médio e a costa oriental da América do Norte.

Um segundo satélite, que estenderá a cobertura, capacidade e redundância do sistema,  será lançado em 2017. A Airbus D&S e a ESA estão buscando estabelecer cooperação para ampliar até 2020 o programa Space Data Highway, etapa que prevê situar um terceiro módulo sobre a região Ásia-Pacifico. Conforme a Airbus D&S, a região costeira do Pacifico está registrando um importante aumento das necessidades de comunicações para missões aerotransportadas.

Ivan Plavetz