Sistema de artilharia autopropulsada ATMOS.

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T&D esteve no deserto do Negev para acompanhar uma demonstração com o moderno sistema de artilharia autopropulsada.

Kaiser David Konrad, de Shivta, Israel

Reportagem originalmente publicada em Tecnologia & Defesa no ano de 2014.

Entre as propostas existentes no mercado internacional para sistemas de artilharia de 155mm autopropulsados sobre rodas, o ATMOS (Autonomous Truck Mounted Howitzer System), da Elbit Systems, já está em serviço em vários Exércitos, participando de operações de combate, quando demonstra suas elevadas mobilidade, flexibilidade, rapidez de engajamento e extraordinárias precisão e alcance. Para conhecer um pouco o sistema Tecnologia & Defesa, convidada, acompanhou com exclusividade uma demonstração de tiro real no polígono de testes das Forças de Defesa de Israel (FDI), em Shivta, no deserto do Negev, região da península do Sinai, onde o o ATMOS exibiu-se em condições próximas ao combate, com preparação das tripulações, localização, identificação e aquisição dos alvos – com o apoio da nova versão do Skylark, ARP padrão para reconhecimento e espotagem de tiro na Artilharia israelense -, tiro real em cadência, remuniciamento e desmontagem automática do obuseiro, troca de posição e nova sequência de tiro. O objetivo, aliás alcançado, foi mostrar porque as características do ATMOS poderão ser revolucionárias para o processo de modernização e o emprego da Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro, pois os observadores  manifestaram-se bem impressionados, especialmente para equipar a futura Brigada de Infantaria Mecanizada.

CONHECENDO O SISTEMA E FABRICANTE

Conforme observado, a flexibilidade que o sistema ATMOS oferece está também na possibilidade de ser montado em viaturas militares em serviço no Brasil, 6X6, como é o caso do MAN Constellation 31320, de 10 toneladas, recentemente adotado pelo Exército. Essa montagem, no caso do ATMOS, poderia ser feita pela Ares Aeroespacial e Defesa S/A, de Duque de Caxias (RJ), uma subsidiárias da Elbit e tradicional parceira da Força Terrestre, e também a Marinha, brasileiras, e particularmente voltada para a fabricação, montagem, manutenção e assistência técnica de estações de armas para sistemas terrestres e navais, como a Remax, de 7,62mm e 12,7mm, a montagem e o processo de nacionalização da UT-30BR e o desenvolvimento de uma estação, com capacidade antiaérea, de 30mm chamada TORC 30, dentre outros. A empresa pode efetuar a manutenção dos equipamentos em suas próprias instalações ou, ainda, nas unidades militares, preparando, inclusive, o pessoal, como já faz em outras forças.

Em caso de uma eventual adoção pelo Brasil, o ATMOS poderia vir a ser montado e, progressivamente, nacionalizado pela Ares, a qual também poderia vir a estabelecer uma cadeia de fornecedores domésticos para peças, componentes e serviços.

Em relação aos mapas existentes e o sistema de Comando e Controle (C² de Combate) do Exército Brasileiro, o ATMOS já traz um conjunto eletrônico embarcado que permite uma precisa navegação e operação autônoma, reduzindo a guarnição, otimizando o poder de fogo. O uso de um chassi de viatura que já esteja em dotação para a montagem do obuseiro, com a adequação e blindagem da cabine, reduz o custos e aumenta a disponibilidade do material em seu ciclo de vida. A cabine do ATMOS é projetada para uma guarnição de 5/6 homens, sendo um motorista, um comandante de peça e 3 a 4 serventes com todo o equipamento e armamento individuais, e conta com ar condicionado para resfriamento, oferecendo maior conforto. Conforme a necessidade, a cabine pode ser customizada e receber proteção NQBR.

Com peso total de 23 toneladas, o ATMOS possui carregamento automático, mas pode ser operado manualmente. O tubo (em 33, 39, 45 ou 52 calibres) garante um alcance superior a 41 km, muito apropriado para o apoio de fogo no moderno campo de batalha. Pode utilizar, sem restrições, todos os tipos de munição de 155mm qualificados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), incluindo as munições inteligentes. O tubo é produzido pela Soltam, de Israel, e parte da Elbit Systems, atuante desde 1950, sendo uma referência mundial, com mais de 700 sistemas fabricados.

A rapidez em entrar e sair de posição é o que garante as maiores possibilidades de segurança e sobrevivência no campo de batalha, ao se evitar o fogo de contrabateria. A partir do momento em que o ATMOS efetua sua parada, pode realizar o seu disparo, com alto nível de precisão, em menos de dois minutos, com o concurso de um computador balístico e sistema de navegação inercial (INS), sendo possível operar em rede com outros veículos e unidades de Artilharia além de poder receber informações sobre alvos enviadas por sensores externos como aeronaves remotamente pilotadas ou radares.

O ATMOS já equipa Exércitos como os do Azerbaijão, da Polônia, de Uganda e da Tailândia, em zonas conflituosas e com diferentes condições operacionais e ambientais. É tido como o favorito na concorrência indiana para o fornecimento de 300 sistemas de Artilharia autopropulsada sobre rodas. E, é oportuno se registrar que o ATMOS, junto às suas robustez e tecnologia no “estado- da- arte”, traz em seu DNA os conhecimentos advindos do emprego e experimentação de dezenas de diferentes tipos de obuseiros em mais de 60 anos de conflitos. Todo esse conhecimento operacional do Corpo de Artilharia das FDI, um dos mais experientes e bem equipados do mundo ( ver T&D nº 132), é aproveitado pelo sistema.