SISFRON: Superior consciência situacional

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Militares demonstrando o fuzil Imbel IA2 e capacete com suporte para monóculo de visão noturna. (Imagem: Roberto Caiafa)
O comandante do CMO, general-de divisão Juarez Aparecido de Paula Cunha. (Imagem: Roberto Caiafa)
O comandante do CMO, general-de divisão Juarez Aparecido de Paula Cunha. (Imagem: Roberto Caiafa)

Na última quinta feira, 13 de novembro de 2014, o Exército Brasileiro inaugurou oficialmente as instalações do Sistema de Monitoramento e Vigilância de Fronteiras, em seu projeto piloto de implantação, na cidade de Dourados (MS), sede da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, unidade pertencente ao Comando Militar do Oeste (a Brigada Guaicurus possui a maioria de suas organizações desdobradas na faixa de fronteira com o Paraguai, ou mais de 600 Km). Na ocasião, a reportagem de Tecnologia & Defesa, presente ao evento, acompanhou demonstrações em tempo real das capacidades operacionais do sistema e uma mostra geral de equipamentos entregues.

O comandante do Exército Brasileiro, o general-de-exército Enzo Peri, em seu discurso a tropa formada, destacou os avanços obtidos pelo projeto, especialmente o grande conteúdo nacional em equipamentos e tecnologias da indústria de defesa brasileira, já entregues e funcionais. Durante a cerimônia militar, tanto o comandante do CMO, general-de divisão Juarez Aparecido de Paula Cunha, quanto o comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, general-de-brigada Rui Yutaka Matsuda, observaram que a introdução do SISFRON naquela região de fronteira está trazendo uma nova e revolucionária capacidade operacional às unidades responsáveis pela sua defesa, proteção e policiamento.

Presentes na inauguração o comandante da Aeronáutica, brigadeiro-do-ar Juniti Saito, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general-de-exército José Carlos De Nardi, o contra-almirante Edervaldo Teixeira de Abreu Filho, comandante do 6º Distrito Naval, o general-de-exército Marco Antonio de Farias, chefe do Comando Logístico (COLOG), o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general-de-exército Sinclair James Mayer, o general-de-divisão Aderico Visconde Pardi Mattioli, diretor do departamento de Ciência e Tecnologia Industrial (DECTI), autoridades federais, estaduais e do município de Dourados, oficias das forças armadas, forças auxiliares do estado do Mato Grosso do Sul, empresários e representantes de empresas que atuam no SISFRON, e convidados.

Militares assistem palestra ministrada pelo comandante do CMO. (Imagem: Roberto Caiafa)
Militares assistem palestra ministrada pelo comandante do CMO. (Imagem: Roberto Caiafa)

Uma sessão de palestras aberta pelo comandante do CMO apresentou detalhes operacionais do SISFRON, cabendo ao presidente da Savis Tecnologia e Sistemas S.A, Marcus Tollendal, uma detalhada apresentação dos aspectos técnicos e institucionais do projeto “Considerando o investimento necessário e tempo previsto de implementação, que é de 10 anos, o SISFRON, nomeado como um grande sistema de sistemas, será capaz de trazer grande retorno a sociedade brasileira, na medida em que uma efetividade de menos de 4% frente o custo em vidas e dinheiro causado pelo tráfico de drogas e crimes transfronteiriços já significaria um tremendo avanço na diminuição dos índices de violência nas grandes cidades brasileiras, fazendo do SISFRON um elemento estratégico para toda a estrutura de segurança pública por toda a nação.

As capacidades em terra, na água, no ar e nas chamadas infovias estão trazendo novas e importantes habilidades para o Exército, aumentando a integração interagências governamentais e fomentando um grande conteúdo nacional (mais de 75%), gerando empregos de grande especialização e movimentando um segmento estratégico do Estado Brasileiro, a Defesa Nacional”. E refletindo o momento vivido pelo mercado de defesa doméstico, o executivo acrescentou  “Na atualidade, estamos verificando vários movimentos entre empresas e consórcios formados para atuarem, dentre outros programas, no SISFRON.

O Consórcio TEPRO, do qual a Savis faz parte, está plenamente confiante na sua capacidade de oferecer as melhores condições na integração de uma miríade de necessidades em serviços, suporte logístico, manutenção, gerenciamento de sistemas e introdução de novas e avançadas tecnologias, nacionais ou estrangeiras obtidas através de processos de transferência veiculados a ações de off-set muito bem elaboradas. Sob a égide da Embraer, as empresas do Consórcio vem cumprindo suas metas de contrato permitindo assim ao Exército e demais forças envolvidas atuarem de forma mais eficiente”

SISFRON (Imagem: Roberto Caiafa)
SISFRON (Imagem: Roberto Caiafa)

O ponto culminante das palestras foi a demonstração em tempo real realizada com todos os recursos disponíveis e já entregues ao CMO e à 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. Na simulação exibida numa grande tela da sala de situação, uma viatura “batedora” escoltando um pequeno caminhão suspeito, foi acompanhada a distância por um helicóptero Esquilo da Aviação do Exército equipado com o sistema Eagle Eye (Olho de Águia), transmitindo imagens on-line dos seus sensores FLIR e câmeras de TV CCD para o centro de operações móvel, que também recebe imagens das diversas viaturas e até dos soldados empenhados na missão (combate-câmera), tudo com geo-referenciamento no terreno com atualização constante na carta digital.

Toda essa informação foi repassada pelas infovias para o centro de comando e controle da 4ª Brigada, e de lá para a sede do CMO em Campo Grande, que por sua vez, seguindo a cadeia de comando, poderia repassar on-line toda a ação até Brasília, permitindo inclusive o acompanhamento presidencial. O veículo batedor é abordado, não sem antes alertar o caminhão, que tenta escapar por uma via vicinal, comuns naquela região fronteiriça. Patrulhas equipadas com jipes Marruá capazes de realizar e receber o mesmo tipo de transmissão, e orientadas pela fusão dos dados geridos pelos centros de comando e controle, realizam a interceptação do suspeito. Essa ação ocorre em grande velocidade e pode ter essa dinâmica fluida tanto de dia quanto a noite, em quaisquer condições climáticas, seja com helicópteros, seja com aeronaves remotamente pilotadas e dotadas de sensores adequados a missão.

A tropa em terra, além de toda a tecnologia da informação e conectividade, está recebendo itens como óculos de visão noturna, novos acessórios e complementos ao uniforme, novos e modernos rádios digitais de grande capacidade, visores termais, terminais de comunicação satelital e retransmissão de sinais, e os novos fuzis IMBEL IA2 calibre 5,56 mm estão, aos poucos, assumindo o lugar dos veteranos FAL 7,62 mm mais antigos. A demonstração foi uma prova convincente das novas possibilidades que o SISFRON confere as forças envolvidas na defesa das fronteiras do País.

(Imagem: Roberto Caiafa)
(Imagem: Roberto Caiafa)

Mostra de Material

A mostra de material montada na área externa do aquartelamento da 4ª Brigada estava formada, majoritariamente, por produtos de fabricação nacional. Na frota exposta, veículos Marruá na versão patrulha, transporte, ambulância e adaptados para acomodar shelters com equipamentos integrados de comunicações, inteligência de sinais e outros; caminhões Volkswagen, Ford, Iveco e Mercedes Benz configurados como veículo oficina, estação de lubrificantes, veículo cisterna, veículo muque (guindaste), veículo logístico, transporte de tropas ou como centros de comando e controle móveis; ônibus especialmente configurado para transporte de pelotão de choque PE e seu equipamento; blindados Urutu (em fase de substituição pelo VBTP-MR 6×6 Guarani) e Cascavel, viaturas Toyota especialmente adaptadas e militarizadas, etc.

Viaturas Marruá, blindados Cascavel e Urutu. (Imagem: Roberto Caiafa)
Viaturas Marruá, blindados Cascavel e Urutu. (Imagem: Roberto Caiafa)

Entre os sensores e equipamentos de comunicações, optrônicos e demais recursos tecnológicos, foram exibidos o radar SENTIR da BRADAR, atualmente sendo testado com câmeras de vigilância acopladas; equipamentos de comunicações satelitais do SISCOMIS e antenas rádio de transmissão de dados e vozes da Harris usadas em conjuntos com rádios Falcon II e III, rádios Motorolla de diversos modelos e capacidades de emprego, todos com criptografia, terminais táticos da Harris, toughbooks robustecidos da Panasonic, câmeras individuais para os soldados, e uma série de outros equipamentos avançados. As autoridades conheceram cada um desses implementos, ficando positivamente impressionadas com a grandeza e complexidade dos sistemas que integram o SISFRON.

Antenas de Comunicações rádio e por satélite. (Imagem: Roberto Caiafa)
Antenas de Comunicações rádio e por satélite. (Imagem: Roberto Caiafa)

Outra novidade anunciada durante a mostra de material é a iminente adoção de aeronaves remotamente tripuladas (ARP) pela 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (tipos 0 e 1, de nível tático pelotão e companhia), para fins de estabelecimento da doutrina de emprego, determinação das cargas pagas transportadas e do pacote de sensores a ser empregado. ARPs também deverão integrar o 9º Grupo de Artilharia de Campanha (9º GAC), baseada em Nioaque (MS). O emprego de ARPs não só maximiza a vigilância com maior flexibilidade no uso, como libera os helicópteros Esquilo equipados com o “Olho de Águia” para participação em situações de maior complexidade operacional e que demandem a presença de aeronaves tripuladas na ação.

Militares demonstrando o fuzil Imbel IA2 e capacete com suporte para monóculo de visão noturna. (Imagem: Roberto Caiafa)
Militares demonstrando o fuzil Imbel IA2 e capacete com suporte para monóculo de visão noturna. (Imagem: Roberto Caiafa)

Roberto Caiafa