Satélite Geoestacionário de Defesa em contagem regressiva

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(Imagem: Agência Força Aérea)

É na planta industrial da fabricante Thales Alenia Space localizada em Cannes, cidade ao sul da França, que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) está passando por testes para simular condições encontradas no espaço. Pesando 5,8 toneladas e medindo cinco metros de altura, o satélite será levado para um suporte que o faz vibrar imitando as condições de lançamento.

Para os meses de junho e julho também está prevista a campanha de testes de comunicações. Dentro de uma câmara anecóica, que não reflete as ondas de rádio, serão avaliadas as qualidades do sistema e das antenas responsáveis por transmitir e receber os sinais. O primeiro teste do satélite, realizado em março, foi o térmico com o equipamento colocado em uma câmara de vácuo e submetido a temperaturas entre -100 °C a 125 °C.

As avaliações fazem parte da fase final de preparação para o lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. O SGDC ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra cobrindo o território brasileiro e o oceano Atlântico.

Uma vez em órbita, o satélite vai se comunicar com uma antena de 18 metros de altura, 13 metros de diâmetro e 42 toneladas, localizada em Brasília (DF). Uma segunda antena instalada em um centro de controle secundário ficará no Rio de Janeiro (RJ).

O SGDC está em fase final de testes. (Imagem: Agência Força Aérea)

No espaço, por meio da banda Ka, o SGDC terá capacidade para tramitar 54 gigabites de dados por segundo, sendo considerado pelo Governo Federal como prioritário para expandir o acesso à banda larga em regiões remotas do país. Ao mesmo tempo, por meio da banda X, o satélite será utilizado para transmissões militares.

O projeto, resultado de uma parceria entre os ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovação, é um investimento da ordem de R$ 1,7 bilhão. A expectativa é para que ele entre em serviço no início de 2017, após um período de ajustes, e permaneça ativo durante quinze anos.

 Participação brasileira

Alguns militares brasileiros estão atentos ao lançamento do satélite. É o caso do tenente-coronel Christian Taranti, engenheiro eletrônico da Força Aérea Brasileira e doutor pela Naval Postgraduate School (EUA). Ele atua na definição dos procedimentos de controle da órbita do satélite, nos procedimentos de voo e na engenharia de sistemas do equipamento. “Minha atuação é particular, tanto no segmento de solo quanto no satélite. Isto me permite uma visão global, identificando interdependências entre o satélite, a estação de solo e os clientes, no caso militares e civis”, revelou.

A participação dos brasileiros em todas as etapas, como construção, montagem e testes, permite a cada um conhecer melhor os procedimentos e também as dificuldades práticas encontradas em cada área de atuação (térmica, mecânica e comunicações). Outros parâmetros devem ser levados em consideração e contornados para que os resultados previstos durante o projeto do satélite, possam ser validados e confirmados durante os ensaios.

São cerca de 30 profissionais brasileiros, oriundos da Agência Espacial Brasileira (AEB), Telebras, Visiona (pertencente ao Grupo Embraer), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Ministério da Defesa, que acompanham o processo, cada um dedicado a uma área específica. A presença de profissionais brasileiros, militares e civis, faz parte do processo de absorção de tecnologia.

Antena especialmente construída para troca de dados com o SGDC (Imagem: Agência Força Aérea)

O conhecimento detalhado adquirido  vai permitir que eles identifiquem e resolvam possíveis falhas de funcionamento que possam vir a surgir durante os 15 anos de vida útil do satélite. A expertise também será útil para as organizações em projetos futuros de novos satélites.

A visão geral sobre o funcionamento, desenvolvimento e fabricação do SGDC é considerada pelas organizações brasileiras como um passo importante para que o Centro de Operações Espaciais (COPE) possa, futuramente, especificar e contratar novos satélites, tanto em relação à infraestrutura de solo como a parte espacial.

“Cada um está sendo exposto não só a novas tecnologias, mas principalmente novos conceitos, novas formas de trabalhar. Diversos pontos do projeto e da operação de satélites vão sendo, aos poucos, compreendidos e desmistificados”, disse o tenente-coronel Taranti.

Ivan Plavetz