Putin, Federação Russa e Armas Nucleares “Invencíveis”: Eleições dia 18 de março.

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O mundo terá de nos ouvir agora: Vladimir Putin.

O presidente Vladimir Putin anunciou que a Rússia desenvolveu e testou um novo arsenal estratégico capaz de levar ogivas nucleares e que não seria capaz de ser interceptado.

O anúncio sugere uma nova corrida armamentista entre Moscou e o Ocidente. Falando em rede nacional e direcionado à elite política russa, o presidente exibiu vídeo e animação de mísseis russos.

Putin disse que a Rússia testou uma série de novas armas nucleares no final de 2017, incluindo um novo míssil que poderia atingir quase todos os pontos do mundo e que não poderia ser interceptado por sistemas antimísseis. “Quero dizer a todos aqueles que alimentaram a corrida armamentícia nos últimos 15 anos, procuraram tirar vantagens unilaterais sobre a Rússia e introduziram sanções ilegais destinadas a conter o desenvolvimento do nosso país: tudo o que você queria impedir com suas políticas já aconteceu”, disse. “Você não conseguiu conter a Rússia”.

Putin disse que o novo arsenal desenvolvido inclui um míssil nuclear, um drone subaquático movido a energia nuclear e um novo míssil hipersônico. O presidente disse que a criação das novas armas tornou o sistema de defesa da Otan e EUA “inúteis”.

Nas palavras de Putin, o míssil testado tem alcance ilimitado e alta velocidade, permitindo que supere qualquer míssil de defesa. Em relação ao drone subaquático, ele também seria de alta velocidade, de alcance intercontinental e que poderia levar uma ogiva nuclear em um eventual ataque a porta-aviões ou instalações costeiras.

Putin ainda acrescentou que a profundidade com que ele opera e a alta velocidade o torna impossível de ser interceptado pelo inimigo. “Ninguém no mundo tem algo assim”, disse ele. “Pode aparecer algum dia, mas, nesse momento, desenvolveremos algo novo”.

A declaração, feita para altos funcionários do governo e parlamentares, provocou aplausos. Putin sugeriu ainda que o nome das armas fosse escolhido a partir de um concurso nacional promovido pelo ministério da Defesa.

O líder russo disse que outra nova arma chamada Avangard é um míssil hipersônico intercontinental que seria 20 vezes mais rápido que a velocidade do som e atingiria o alvo “como um meteorito, como uma bola de fogo”. Além disso, Putin disse que a Rússia também testou um novo e pesado míssil balístico intercontinental, chamado Sarmat, com uma gama e número de ogivas superiores ao antecessor da era soviética, conhecido no Ocidente como Satanás.

Uma mensagem direta: na imagem, a Flórida é alvo de MIRVs de reentrada de um ICBM Sarmat.

O líder russo afirmou que o desenvolvimento de novas armas não tem equivalente no Ocidente e responde à retirada dos EUA de um tratado da época da Guerra Fria que proíbe as defesas de mísseis e os esforços dos EUA para desenvolver um sistema de defesa antimíssil. Putin disse que os EUA ignoraram as queixas russas. “Ninguém nos ouviu”, disse ele. “Vocês vão nos escutar agora”.

O dirigente russo também disse que as novas armas ajudarão a garantir a estabilidade global e estabelecer uma linha sob tentativas de enfraquecer a Rússia. Ele disse ainda que Moscou consideraria um ataque nuclear contra seus aliados como um ataque nuclear contra a própria Rússia, e responderia imediatamente. “Nós consideraríamos qualquer uso de armas nucleares contra a Rússia ou aliados como um ataque nuclear contra o nosso país. A resposta seria imediata”, disse Putin, em discurso a parlamentares russos.

O discurso transmitido pela TV russa acontece a poucos dias das eleições de 18 de março, quando Putin deve conquistar seu quarto mandato. O índice de aprovação do lider russo supera 80%, apesar da desaceleração da economia causada pelas tensões com o Ocidente e pela queda dos preços globais do petróleo.

Uma vitória de Pútin abriria caminho para ele ser o líder russo a mais tempo no poder desde Josef Stalin. O limite legal de dois mandatos presidenciais consecutivos significa que Putin não poderá concorrer novamente em 2024, mas muitos observadores esperam que continue a desempenhar o papel mais importante na política russa mesmo depois disso.

(Com as agências internacionais)