Primeiro Carro de Combate do EB (e da América do Sul) realiza giro de motor após sete anos.

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Projetado e fabricado ao final da Primeira Guerra Mundial (1914/1918), este pequeno blindado pesava seis toneladas e meia e era operado por dois tripulantes, um motorista e o atirador/comandante do carro.
  • Um senhor francês de 97 anos em boa forma: Renault FT.17.
A trajetória dos carros de combate no Exército Brasileiro, em pintura fotografada no C I Blnd, Santa Maria, RS. O primeiro carro da linhagem é o FT.17.

O carro de combate histórico Renault F.T. Mod. 1917 do Exército Brasileiro (EB), preservado no Centro de Instrução de Blindados (CIBlb) foi recolocado em funcionamento (giro de motor) após uma inatividade mecânica de sete anos.

Esse pioneiro em toda a América do Sul (adquirido pelo Exército Brasileiro na década de 1920 do século passado) foi durante muitos anos parte do acervo da Escola de Material Bélico até ser transferido mais recentemente para o Rio Grande do Sul.

O Brasil foi o primeiro País na América do Sul a operar carros de combate.

Em 2011, o CIBld e o Parque Regional de Manutenção/3 (Santa Maria) restauraram esse exemplar para condição de uso, marcando as comemorações dos 90 anos desse tipo no EB.

O FT.17 preservado fez parte de um lote de 12 unidades adquirido em 1921 para compor a dotação da 1ª Companhia de Carros de Assalto, comandada pelo lendário capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

Seis exemplares possuíam a torre fundida (Berliet), e cinco a torre octogonal rebitada (Renault). Um único exemplar de comunicações era desprovido de torre e equipado com um rádio rudimentar.

Pela sua experiência na 1ª Guerra Mundial envolvendo carros de combate, José Pessoa participou da organização da primeira unidade do tipo no Exército Brasileiro, permanecendo no comando 1ª Companhia de Carros de Assalto até 1923, quando foi promovido a major (chegaria ao posto máximo de marechal ao final da carreira).

Durante o seu comando, a 1ª Companhia de Carros de Assalto foi a responsável por deter a marcha dos oficiais rebeldes em direção ao Palácio do Catete, sede do governo federal na cidade do Rio de Janeiro, durante o Levante do Forte de Copacabana (1922).

Projetado e fabricado ao final da Primeira Guerra Mundial (1914/1918), este pequeno blindado pesava seis toneladas e meia e era operado por dois tripulantes, um motorista e o atirador/comandante do carro.

O design da torre desse modelo, com giro de 360º, tornar-se-ia padrão em quase todos os carros de combate que vieram depois.

Essa torre podia receber dois tipos de configurações de armamentos, comuns durante a 1ª Guerra Mundial, os modelos “canon”, cuja torre giratória Berliet dotada com um pequeno canhão Puteaux de 37 mm era utilizada para anular posições de metralhadoras e casamatas; e os modelos “mitrailleuse” equipados com torre octogonal rebitada Renault armadas com um par de metralhadoras Hotchkiss de 7.92 milímetros utilizadas no apoio de fogo ao avanço da infantaria.

Duas lendas lado a lado: o 1º de todos, e aquele que poderia ter sido o melhor de todos.

Texto: Paulo Bastos/Roberto Caiafa/capitão Eligio Eliseu Prass, do CIBld

Fotos: Roberto Caiafa e Eligio Eliseu Prass

Vídeo: Eligio Eliseu Prass