Os programas espaciais da Thales no Brasil

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O vice-presidente da Thales para a América Latina, Ruben Lazo, fala a T&D sobre a nova agenda do grupo, Conectividade & Meio Ambiente, e os programas no Brasil, reforçando o plano estratégico de dobrar o tamanho da empresa na América Latina nos próximos 5 anos e cobrir novos mercados na região

T&D: No Brasil, o grupo Thales obteve importantes contratos como o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), a produção e manutenção de radares, desenvolvimento de sensores navais, integração de sistemas de comunicações complexos, dentre outros. Como o senhor avalia a evolução do SGDC?

Ruben Lazo: O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações é um contrato prioritário da Thales no Brasil, e se encaixa na nova estratégia da empresa, que versa sobre Conectividade & Meio Ambiente. Satélites são vitais para a conectividade global e importantes ferramentas de observação terrestre, ajudando a entender e prever as mudanças ambientais e climáticas. Durante a recente visita do ministro da Defesa, Jaques Wagner, a fábrica de satélites da Thales Alenia Space (TAS) em Cannes (França), onde estivemos juntamente com a Visiona, a comitiva ficou muito impressionada com as instalações e com o fato da construção do SGDC estar até adiantada com relação ao cronograma. Wagner teve a oportunidade de travar contato com os jovens engenheiros brasileiros que lá estão aprimorando sua formação, tudo dentro do contrato de transferência de tecnologia firmado. Não se trata apenas de vender um satélite, fabricá-lo e entregá-lo ao cliente no espaço, a relação da Thales com o Brasil é algo muito maior. Entendemos que os diferentes níveis de conhecimento e profundidade na transferência de tecnologia, de acordo com os complexos requisitos de conteúdo local colocado pelos brasileiros, exigem do contratado um profundo conhecimento, competência e uma visão de longo prazo do negócio, baseada em parceria. A recente inauguração do Centro de Tecnologia Espacial em São José dos Campos é apenas uma entre muitas ações envolvidas no programa SGDC que comprovam esse alinhamento e a inclusão progressiva do Brasil na supply chain (cadeia de suprimentos) da indústria satelital. Um fornecedor que formamos localmente pode atender encomendas de qualquer outro cliente, a ideia é criar um Centro de Competência Espacial baseado no País, com intenso investimento em recursos humanos, tanto da Thales como da Visiona e da Telebras, para posteriormente expandir essa operação para outros países da América Latina. Estamos fazendo hoje, no Brasil, o mesmo que pretendemos fazer na Polônia, onde a Thales obteve um contrato semelhante ao modelo brasileiro, mas atendendo os requisitos colocados pelo governo polonês. O Brasil domina algumas competências na área espacial que outros países do continente não possuem. De fato, muitos sequer possuem uma Agência Espacial instituída, estão engatinhando no processo, e entendemos que o Brasil pode ser a base para atender um mercado que apresenta forte demanda por essas tecnologias.

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T&D: Após a finalização da montagem, integração e testes, para quando podemos aguardar o lançamento do SGDC?

RL: A Thales vem trabalhando intensamente para que o lançamento ocorra em setembro de 2016, a partir do centro de lançamento de Kouru, na Guiana Francesa. Esse será um marco importante do programa, do qual acreditamos firmemente que o Governo Brasileiro deverá colocar novas encomendas de mais satélites da linhagem SGDC (comunicações de Estado), e posteriormente, de sistemas de observação terrestre, inicialmente com sensores ópticos, satélites de previsão climática e outras demandas previstas pelo Programa Espacial Brasileiro. Estamos dispostos a colaborar com as nossas competências, atuando em processos de transferência de tecnologias realmente efetivos, em áreas onde o Brasil precise agregar novos conhecimentos e capacidades. O plano global de expansão da Thales chamado Ambition 10 enfoca um grupo de 10 a 15 países considerados estratégicos, que receberão um enfoque especial e investimentos diferenciados num horizonte de 10 anos. A América Latina está representado neste seleto grupo com Brasil e México. Para sustentar esta ambição global, vamos dobrar o tamanho da empresa na América Latina em cinco anos por meio de um crescimento orgânico, por joint-ventures ou aquisições, conquistando novos projetos, expandindo nossa atuação para novos países como Bolívia, Equador e América Central e, por fim, aumentando nossa oferta de produtos.

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T&D: A Thales ofereceu ao Brasil no Paris Air Show uma nova versão do sistema AMASCOS (Airborne Maritime Situation & Control System) trabalhando integrado com o radar Searchmaster. O que essa combinação pode acrescentar aos sistemas ISR que as Forças Armadas brasileiras já possuem?

RL: O AMASCOS agora é capaz de operar sobre o mar e também sobre terra, e certamente, considerando o cenário futuro da necessidade de incremento da vigilância e monitoramento de seu território e recursos naturais, o Brasil precisará investir em uma nova aeronave capaz de grande flexibilidade operacional em missões de esclarecimento e patrulha marítima, guerra de superfície e antisubmarino, vigilância de zonas econômicas exclusivas, inteligência de sinais, operações conjuntas interforças, busca e resgate e monitoramento do meio ambiente. O novo AMASCOS oferece uma realçada conectividade de sistemas e uma avançada interface de usuário, com comandos intuitivos ao alcance das mãos, menus pop-ups e múltiplas janelas de informações, gerenciáveis ao comando de um clique, sendo capaz de detectar, identificar e acompanhar, em suas estações de trabalho ergonômicas, distintos cenários sobre o mar ou sobre terra, mantendo uma superior consciência situacional do quadro tático em tempo real usando modernas tecnologias de conectividade para distribuir as informações captadas por seus sensores e processadas pelo sistema antes de serem distribuídas aos interessados.  O AMASCOS também gerencia o armamento a bordo.

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A Marinha Turca selecionou o AMASCOS para emprego em seis aeronaves ATR 72-600 TMPA (Turkish Maritime Patrol Aircraft), onde integra e controla sensores eletro-ópticos, funções ESM (medidas eletrônicas de apoio), sensor de detecção de anomalia magnética (MAD), autodefesas inteligentes (chaff, flares, alertas de radar, mísseis e laser), retrolançadores de sonobóias e lançadores de torpedos. O AMASCOS também recebeu a integração do moderno radar AESA multifunção Thales Searchmaster, planejado para realizar a detecção e acompanhamento de alvos aéreos, marítimos e terrestres, incluindo modo GMTI quando atuando sobre terra (indicador de alvos no solo em movimento), modos de  detecção ar-ar em baixa e grande altitude e para alvos rápidos ou lentos, geração de mapas do terreno sobrevoado, classificação e acompanhamento simultâneo de até 1.000 alvos, tudo com visibilidade direcional de 360º e peso instalado reduzido.

Roberto Caiafa