Os fuzis de assalto apreendidos na guerra do Rio de Janeiro

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Fuzis de assalto apreendidos pelas Forças de Segurança cariocas durante combates na Zona Norte da cidade. (Imagem: SESEG/RJ)

A guerra do narcotráfico no Rio de Janeiro atingiu um novo marco de violência com a apreensão, pelas Forças de Segurança Estaduais, de 32 fuzis de assalto, quatro pistolas e doze granadas de mão (de um total de 48 armas de fogo), e a prisão de 45 marginais em apenas um único dia.

Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi o palco de combates acirrados entre as facções criminosas. Nas redes sociais, áudios dos tiroteios, compartilhados por moradores, permitem reconhecer o som de rajadas de metralhadoras e fuzis, e a quantidade de disparos é impressionante.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) fez as operações através do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), do 16°BPM (Olaria) e do 22°BPM (Maré), que estiveram na região da Cidade Alta. Em Parada de Lucas, policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) participaram da ação e dois dos fuzis apreendidos foram encontrados na comunidade.

Fuzis de assalto em calibre 5,56 mm e 7,62 mm, “customizados” pelos seus usuários. (Imagem: SESEG/RJ)

Além do expressivo número de armas de guerra apreendidas (e farta munição), a novidade descoberta pela Polícia, antes de invadir e tomar Cordovil (final de 2016), o tráfico realizou levantamento de inteligência e reconhecimento de área com o emprego de drones conectados a celulares, garantindo uma vantagem tática decisiva com o uso de câmeras voadoras.

Segundo o Secretário de Segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá “Essas armas apreendidas, conhecidas como “caixinhas“, são alugadas entre os criminosos para ocasiões especiais onde é necessário reunir maior poder de fogo. A marca CX encontrada na coronha dos fuzis tomados ao tráfico identificaria uma facção que atua na região de Caxias, Baixada Fluminense (região que faz parte do perímetro urbano da cidade do Rio de Janeiro)”.

O Secretário de Segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá. (Imagem: Roberto Caiafa)

Por conta da guerra na Cidade Alta, crianças e adolescentes não tiveram aula em escolas da região. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 3.109 alunos ficaram sem atendimento escolar nas regiões da Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral.

Segundo a 4ª Coordenadoria Regional de Educação, cinco escolas, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) ficaram sem atendimento pela manhã do dia quatro na região da Cidade Alta, afetando 2.203 alunos. Em Parada de Lucas, duas escolas e uma creche não abriram e deixou 738 alunos sem aula. Já em Vigário Geral, duas creches que atendem pela manhã 168 crianças estão fechadas.

Tudo isso acontece treze dias após Roberto Sá e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, inaugurarem a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), que tem como missão qualificar a investigação e o combate ao tráfico de armas de fogo no estado. Segundo declarou Sá a época da sua inauguração “A Desarme surge com a imensa responsabilidade de responder a esse desafio com racionalização de dados, investigação específica e a prisão daqueles que trazem esses armamentos, munições e explosivos”.

A Desarme consiste numa ação estratégica da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Seseg) e da Chefia de Polícia. A metodologia de trabalho a ser implementada na especializada tem como pilar central ações de inteligência e integração. É importante observar que o tema fuzis de assalto faz parte do dia a dia do cidadão carioca, conforme dados divulgados rotineiramente pela Secretaria de Segurança Pública (SESEG) e suas autarquias.

Fuzis e metralhadoras apreendidos no Rio de Janeiro. Uma realidade que atormenta a população carioca há décadas.(Imagem: SESEG/RJ)

Dados apurados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro com relação às apreensões de fuzis e pistolas ocorridas durante os meses de janeiro a maio de 2015, e comparados com o mesmo período do ano anterior (2014), mostram que houve, já naquele período, um aumento nas apreensões de 51% ou 59 armas.

Dos 174 fuzis apreendidos, 126 unidades ou 72% tiveram origem na capital do estado. Já as pistolas totalizaram 1.533 apreensões no ano de 2015, representando um aumento de 25% ou 309 armas. A capital do estado foi responsável por 43% das pistolas apreendidas, o que correspondeu a 653 unidades.

 

Roberto Caiafa