Os 300 do Exército Brasileiro: Programa Estratégico Guarani alcança nova marca.

0
6089
A Iveco Veículos de Defesa realizou, na sua fábrica de Sete lagoas, a cerimônia de entrega simbólica do exemplar de nº 300.
  • A Iveco Veículos de Defesa realizou, na sua fábrica de Sete lagoas, a cerimônia de entrega simbólica do exemplar de nº 300 do VBTP-MR 6×6 Guarani, com a presença da direção da empresa, militares do primeiro escalão do Exército Brasileiro e autoridades governamentais, no último dia 16 de março.
  • Além da cerimônia, ocorreu uma demonstração dos desafios impostos pela pista de testes da fábrica aos Guarani, com rampa de 60% de inclinação, subindo e descendo com parada total e posterior retomada do movimento, testes de frenagem, de velocidade e desempenho, estabilidade lateral em rampa especial, e o teste de estanqueidade e flutuabilidade em uma “piscina de mergulho”.
Fábrica da Iveco em Sete Lagoas: berço do Guarani VBTP-MR 6×6. (TODAS AS IMAGENS E VÍDEO DO ARTIGO: ROBERTO VALADARES CAIAFA)

O Exército Brasileiro recebeu na sexta-feira, 16, a unidade nº 300 do Veículo Blindado de Transporte de Pessoal  Médio Sobre Rodas Guarani, fabricado pela Iveco Veículos de Defesa, em Sete Lagoas (MG).

A cerimônia aconteceu no complexo industrial da montadora na cidade e contou com a presença do ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Henrique de Oliveira, do Chefe do Estado Maior do Exército, general Fernando Azevedo e Silva, do Comandante Logístico do Exército, general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira; do Chefe do Escritório de Projetos do Exército, general Guido Amin Neves, e do presidente da CNH Industrial para a América Latina, Vilmar Fistarol, entre outras autoridades civis, militares e convidados.

Fistarol  entrega ao general Theófilo placa referente ao 300º Guarani.

O Guarani é uma parceria da montadora com o Exército Brasileiro (proprietário intelectual do desenho e concepção do veículo) e representa um dos principais projetos estratégicos das forças terrestres brasileiras para se modernizarem.

O contrato, que estabelece um total de 2.000 veículos a serem fabricados, em diferentes versões, vem passando por adequações impostas pelos cortes  e contingenciamentos no orçamento destinado as Forças Armadas, causando inúmeros óbices e dificuldades para a Iveco, que mesmo assim vem cumprindo rigorosamente o que foi contratado, dentro das limitações impostas.

O Guarani 300 na fábrica da Iveco Veículos de Defesa.
Paulo Bastos no posto do artilheiro da torre REMAX (ARES Aeroespacial): novas capacidades causaram uma revolução na forma de combater do Exército Brasileiro.

Cada Guarani demanda 1.300 horas de trabalho para ficar pronto, e traz consigo uma miríade de fornecedores brasileiros de partes, peças e componentes, existe toda uma cadeia logística que é bastante penalizada a cada contingenciamento ou corte no orçamento militar. Isso foi reafirmado por Vilmar Fistarol de forma enfática, e se dirigindo diretamente ao ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Henrique de Oliveira.

Vilmar Fistarol: A Iveco veículo sde Defesa cumpre sua parte do contrato com extremo profissionalismo, apesar das dificuldades.

No seu discurso, o comandante logístico, general Theophilo, falou sobre o sucesso na implementação do veículo, que já está sendo entregue a cinco brigadas, sobre a qualificação de pessoal no Centro de Instrução de Blindados e sobre o emprego do Guarani nas fronteiras e operações GLO no Rio de Janeiro.

Final Assembly Line do Guarani em Sete Lagoas, MG.

Um dado importante citado pelo militar, a suplementação orçamentária que o Governo federal autorizou no final de 2017, foi fundamental para permitir um arranjo de produção para 60 Guarani por ano (lrp ou low rate production de cinco exemplares por mês).

Theophilo também afirmou no seu discurso que o Reconhecimento do TO (teatro de operações) na República Centro Africana começará em abril próximo, preparando o caminho para as primeiras ações brasileiras que deverão ocorrer ainda no 2º semestre do ano corrente.

Exatamente por isso, Exército e Iveco aguardam sinal verde orçamentário para o inicio da produção do Iveco LMV, blindado sobre rodas selecionado para emprego justamente em missões de alto risco como a que se apresenta na República Centro Africana (MINUSCA).

OBS do AUTOR: A necessidade premente de cobrir a lacuna de veículos blindados adequados para uma Missão de Imposição de Paz da ONU, por parte do Exército Brasileiro, só reforça informações sobre a provável compra de exemplares usados do LMV (ou Lince, como é conhecido no Exército Italiano) para emprego com o primeiro contingente brasileiro (first team deployment) a ser enviado para a República Centro Africana.

O Iveco LMV na configuração definida pelo Exército Brasileiro, sendo guiado na pista de testes da Iveco pelo especialista em blindados de T&D, Paulo Bastos.

Novidades do Programa Guarani

A reportagem de T&D observou um interessante desenvolvimento, o “Meio Auxiliar de Instrução” ou MAI, a grosso modo uma reprodução em escala real do posto do motorista do Guarani (cabine), acoplado a uma unidade auxiliar de energia (APU) que fica ao lado.

Estamos aguardando maiores detalhes desse sistema para informarmos aos leitores qual a sua utilização e metodologia de emprego.

“Meio Auxiliar de Instrução” ou MAI. (acima e abaixo-embaixo)

Sobre o veículo numero 300, esse é um número simbólico, pois existem mais de 50 veículos prontos (observados e contados na fábrica), aguardando para serem entregues, incluindo o 300. Em fase de produção, foi observado o VBTP-MR 6×6 nº 332, e existem muitas peças cortadas e componentes armazenados e disponíveis para a fabricação dos subsequentes.

O Guarani na rampa a 60%, saindo da imobilidade acionando marcha a ré.
Scaffo na cabine de pintura recebendo a mascara de camuflagem e respectivas cores.
Teste de estanqueidade e flutuabilidade na pista de testes da Iveco. (Acima e Abaixo)

Paulo Bastos & Roberto Caiafa

“Esse artigo é dedicado a memória de Reginaldo Bacchi”