Operação Posse 2019: Força Aérea fecha os céus sobre Brasília.

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A caminho de completar 44 anos de serviço na Força Aérea Brasileira, o Northrop F-5EM Tiger II terá mais uma missão, proteger os céus de Brasília durante a Operação Posse 2019 (Foto: Roberto Caiafa).

A Força Aérea Brasileira (FAB) é um dos órgãos com atuação na Operação Posse 2019.

Para garantir a segurança do evento que acontece em Brasília (DF), na tarde da próxima terça-feira (01/01), em que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, toma posse, uma série de ações estão sendo tomadas pela instituição.

Os caças F-5EM estarão armados com mísseis israelenses WVR Python IV, com capacidade off-boresight e designação de alvos via HMD do piloto. (Foto: Roberto Caiafa)

Foram planejadas ações de reforço na defesa aérea e no controle de tráfego aéreo – atividades já realizadas pela Força todos os dias do ano, 24 horas por dia.

O planejamento prevê a criação de áreas de exclusão, com três níveis de restrição, em que só aeronaves autorizadas irão sobrevoar.

O míssil israelense Python IV na ponta da asa de um F-5EM (Foto: Roberto Caiafa).

As áreas vermelha, amarela e branca serão acionadas ao meio-dia do dia 1º.

A Alta Autoridade de Defesa Aeroespacial, que analisa os pedidos de sobrevoo e autoriza possíveis empregos da força, será o Comandante de Operações Aeroespaciais (COMAE), Major-Brigadeiro do Ar Ricardo Cesar Mangrich.

Estão a cargo do oficial-general a aplicação das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo e abertura de fogo da artilharia antiaérea. “A motivação da operação é a proteção de todos que estão assistindo, assim como foi feito durante os grandes eventos. Com isso, pretendemos criar uma área de extrema segurança, impedindo a entrada de meios aéreos não autorizados. Para cumprir esse objetivo, a FAB conta com aeronaves preparadas para a pronta-resposta e mísseis antiaéreos”, afirmou.

RQ 900 proverá imagens para estruturas de inteligência e de segurança

Na área vermelha, que compreende um raio de 4 Milhas Náuticas (7,4 km) a partir da Praça dos Três Poderes, o sobrevoo é proibido.

As únicas exceções são um helicóptero da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que fará coleta de imagens e transmissão ao vivo do evento, e uma Aeronave Remotamente Pilotada (ARP), modelo RQ 900, da FAB, que vai prover imagens para estruturas de inteligência e de segurança.

“O ARP RQ-900, operado via satélite, atuará fornecendo dados para as forças de segurança e defesa. Haverá também um sistema de interferência em drones que possam sobrevoar o local. Caso alguma aeronave consiga entrar na área vermelha sem autorização, ela será automaticamente identificada como hostil e estará sujeita às medidas que forem necessárias, inclusive a destruição”, acrescentou o Major-Brigadeiro Mangrich.

Já a área amarela, que cobre um raio de 25 Milhas Náuticas (46,3 km), abrangendo, inclusive, o Aeroporto Internacional de Brasília, é considerada restrita.

Para sobrevoar, é preciso coordenar autorizações junto à FAB – independentemente de as aeronaves estarem envolvidas em atividades operacionais relacionadas à posse (como o helicóptero do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal em acionamento para resgate, por exemplo) ou sejam pertencentes à aviação geral.

As autorizações, que variam segundo o envolvimento ou não com a Operação Posse 2019, precisam ser submetidas até as 12h (horário de Brasília) do dia 31 de dezembro.

Para a aviação geral, também há necessidade de solicitação de slots junto ao Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA).

Informações sobre autorizações na área amarela podem ser obtidas pelo (61) 99994-6140.

Doze pontos terão artilheiros com mísseis teleguiados

Finalmente, a área branca, considerada reservada, abrange um raio de 70 Milhas Náuticas (129, 6 km), a partir da Praça dos Três Poderes.

Para sobrevoá-la não é necessário requerer autorização, mas a apresentação do plano de voo é obrigatória.

“É muito importante que os pilotos que pretendem sobrevoar as áreas de exclusão no dia da posse conheçam as instruções específicas da FAB para cada tipo de demanda, assim como os NOTAM vigentes para aquela área, a fim de não cometer alguma irregularidade”, alerta o Coronel Aviador Luiz Claudio Macedo Santos, do COMAE.

Caças A-29 também estarão à disposição do COMAE no dia do evento.

O Major-Brigadeiro Mangrich é quem autoriza a abertura de fogo da defesa antiaérea, em caso de alguma aeronave adentrar a área vermelha, e a aplicação das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo em caso de irregularidades verificadas na área de exclusão.

Ele afirma que haverá 12 pontos com artilheiros munidos de mísseis teleguiados, além de caças F-5M e A-29, prontos para serem acionados se alguma aeronave descumprir as ordens da FAB, colocando em risco a segurança da posse. “Em 38 anos desde a criação do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro, a Praça dos Três Poderes, no dia 1º de janeiro de 2019, será o ponto mais bem protegido”, disse o Comandante do COMAE.

Controle

Tráfego aéreo da aviação comercial não será afetado.

Para a aviação comercial, a Operação Posse 2019 não trará impactos; já para a aviação geral (aeronaves de táxi aéreo, instrução, aviação agrícola, entre outras), apenas para aquelas que operarem nas áreas vermelha, amarela e branca já citadas.

O Chefe da Divisão de Operações do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), Tenente-Coronel Anderson Jean Oliveira Silva, explica a situação do Aeroporto Internacional de Brasília. “Será um aeroporto coordenado por conta da demanda específica do evento: o CGNA capitaneará a gerência do fluxo, tendo em vista, além das exigências da área de segurança, a capacidade do pátio do aeródromo. O objetivo é que a aviação comercial não sofra impactos e a aviação geral usufrua do essencial para suas atividades”, explicou.

Fotos: Sargento Paulo Rezende, Sargento Johnson Barros, Sargento Bruno Batista e Cabo V. Santos/CECOMSAER.