O voo sem risco das aeronaves remotamente controladas

0
1588
Imagem 1 MIDCAS-Indra
(Imagem: European Defence Agency)

O programa europeu MIDCAS (Mid-Air Collision Avoidance System-Sistema de Evitamento de Colisão Aérea), que teve a empresa espanhola Indra como sócia dentro do consórcio coordenado pela sueca SAAB, e sob supervisão da Agência Europeia de Defesa (EDA), acaba de apresentar os resultados finais que permitirão a integração das Aeronaves Remotamente Pilotados (RPA) no espaço aéreo civil.

O foco do projeto foi o desenvolvimento de um sistema que possibilita a um RPA detectar outras aeronaves em seu entorno e realizar manobras de evasão em caso de risco de colisão de forma autônoma, isso sem a intervenção de um piloto. O projeto de pesquisa & desenvolvimento foi lançado em 2009 com orçamento previsto de 50 milhões de euros. Ele foi apoiado pela Suécia, Alemanha, França, Itália e Espanha. Foi recentemente concluído após ter sido aprovado em várias campanhas de simulação e ter completado testes de voo real. Esses testes foram realizados entre março e abril do corrente ano em Grazzanise (Itália), utilizando como plataforma de testes o Veiculo Aéreo Não Tripulado (VANT) Sky-Y da Alenia Aermacchi.

Dentro do projeto, o papel da Indra foi liderar o grupo responsável pela definição do sistema genérico de detecção, a parte que fornece ao sistema MIDCAS consciência espacial. Além desta função, a companhia participou do desenvolvimento do modelo simulado de radar, sensor que, junto com a câmera óptica e infravermelha, oferece capacidade de detecção de aeronaves que não são identificadas de forma ativa, ou seja, por aquelas que não contam com sistemas necessários para revelar sua presença.

A parte de sensoriamento do MIDCAS é completada com sistemas de identificação cooperativa IFF interrogador e o ADS-B, elementos que coletam sinais que outras aeronaves emitem com informação sobre posição, altura, velocidade, etc.

Toda esta informação é processada, por sua vez, pela parte do MIDCAS responsável pela evasão, que estima rotas que as aeronaves seguem e decide se há algum risco de colisão.

Como suporte ao piloto em terra, a Indra desenvolveu a função de separação (Self-separation ou Traffic Avoidance), que, após analisar as informações dos sensores, determina qual o risco de conflito com outra aeronave e as maneiras de evitar isto. Caso o piloto do RPA não realize esta manobra, a aeronave é que realizará automaticamente na fase de Collision Avoidance (Evitamento de Colisão).

Segurança a prova

Imagem 2 MIDCAS-Indra
Plataforma de testes Sky-Y da Alenia Aermacchi. Notar na parte inferior dianteira da aeronave o conjunto de sensores embarcados do MIDCAS (Imagem: European Defence Agency)

Por outro lado, a Indra se responsabilizou pelo desenvolvimento do ambiente de simulação que testou o sistema MIDCAS. O simulador permitiu reproduzir situações de riscos de colisão com uma ampla gama de tipos de aeronaves (aviões comerciais, helicópteros, planadores, outros drones, etc.). Neste ambiente sintético foram realizados vários testes, parte deles em tempo real e outros de forma acelerada, que se denominam simulações Montecarlo. Estes últimos testes analisaram centenas de cenários diferentes para comprovar que o sistema oferece níveis de segurança equivalentes aos das aeronaves civis tripuladas. Em um terceiro tipo de análise, o simulador conectou-se com um simulador de Controle de Tráfego Aéreo (ATC) para testar e comprovar que o sistema MIDCAS pode operar em um espaço aéreo real gerido por controladores aéreos.

Nos testes de voo real o MIDCAS demonstrou sua capacidade para completar manobras de evasão frente a aeronaves cooperativas e não cooperativas. A evasão frente a aeronaves não cooperativas representa um importante avanço e estabelece para a indústria europeia um importante passo a frente no desenvolvimento desta tecnologia.

Como parte do programa, o consórcio MIDCAS apresentou os avanços conseguidos no projeto perante os principais atores do setor aeronáutico e órgãos responsáveis pela segurança e pela gestão do mesmo em todo o mundo.

Ivan Plavetz