“O Super Cobra quer fumar” sobre a terra e sobre o mar!

0
10318
O Exército Brasileiro tem interesse em adquirir, via FMS, o Bell Helicopter Textron AH-1W Super Cobra. A novidade agora é que a Marinha do Brasil também está no páreo.
  • Oferta de helicópteros AH-1W Plus+ Super Cobra para o Brasil é ampliada.

A desativação dos helicópteros de ataque AH-1W Super Cobra do United States Marine Corps, classificados como EDA (Excess Defense Articles) e sua posterior oferta no mercado internacional registrou uma importante atualização com relação ao interesse brasileiro nesse material.

O major-general Mark Stammer, Comandante do Exército Sul dos EUA, posa com uma delegação do Exército Brasileiro liderada pelo general-de-divisão William Georges Felippe Abrahão (terceiro à esquerda) em frente à sede do Exército Sul (Fort Sam Houston), durante Palestras bilaterais entre o Exército Brasileiro e os EUA, em 22 de maio. (Foto do escritório Public Affairs do Exército Sul dos EUA).

Durante encontro bilateral entre os Exércitos do Brasil e dos Estados Unidos (bi-lateral Staff Talks between the Brazilian and U.S. Army), realizado no quartel general do U.S. Army South* em Santo Antônio (Texas) em 22 de maio, o major-general Mark Stammer (seu comandante) recebeu uma delegação de oficiais do Exército Brasileiro liderada pelo 5º Subchefe do Estado-Maior, general-de-divisão William Georges Felippe Abrahão.

Na ocasião, entre diversos assuntos tratados, fruto de ações anteriores alinhadas entre os dois Exércitos nos últimos dois anos, foi discutida também uma oferta ampliada de venda de helicópteros AH-1W Plus+ Super Cobra para as Forças Armadas brasileiras.

O NTSU (no destaque) é um sensor EO/IR que atende com sobras as necessidades de detecção e marcação de alvos para os Super Cobra.
O enorme HUD do AH-1W Super Cobra: cockpit analógico mais um poder de fogo brutal.

A quantidade disponível de exemplares, segundo essa nova oferta, sobe para 26 unidades da versão Plus+ (a mais recente do AH-1W), e a venda teria uma destinação dupla: metade dos aparelhos seria para a Aviação do Exército, e a outra metade para a Aviação Naval da Marinha do Brasil.

Esses Super Cobra podem ser recebidos em modo hot transfer (diretamente dos estoques, após serem recolocados em condições de voo), em caso de uma crise, mas a princípio, a compra está condicionada a um calendário de entregas que prevê a modernização da aviônica em território norte-americano, os trabalhos sendo realizados na cidade de Santo Antônio** (Texas).

Estoques do AMARG: mais de duas dezenas de helicópteros AH-1W Super Cobra disponíveis.
Foguetes guiados a laser, uma necessidade operacional.

Segundo fontes próximas a reunião, grande parte da alta oficialidade do Exército Brasileiro apoia essa compra, tanto pela oportunidade única de adquirir essa capacidade dentro de condições EDA extremamente vantajosas financeiramente quanto pelo fato indiscutível de que as Forças de Reação Rápida (Aeromóvel) e a Aviação do Exército passariam a contar com uma inédita e genuína capacidade de escolta/ataque em um assalto helitransportado, conferindo assim significativo poder de fogo, mobilidade e poder dissuasório ao EB, além de maximizar o emprego da Arma de Cavalaria e seus blindados, entre outras possibilidades.

Segundo fontes da Marinha do Brasil ouvidas pelo autor, a receptividade a ideia entre a oficialidade da Aviação Naval é positiva, tanto com relação a Armada quanto aos Fuzileiros Navais.

A posse de 12 AH-1W Super Cobras embarcados no porta-helicópteros P140 Atlântico conferiria a Marinha do Brasil e ao Corpo de Fuzileiros Navais uma formidável capacidade expedicionária, permitindo uma eficaz proteção na cabeça de praia de um assalto anfíbio, repetindo a fórmula empregada pelos britânicos, que operavam seus Apache AH-64 a bordo.

Outros detalhes da oferta ampliada incluem acesso a armamentos mais capazes como foguetes de 70 mm guiados a laser do tipo Guided Advanced Tactical Rocket – Laser (GATR-L), considerados importantes para uso em cenários como a selva amazônica ou em um assalto anfíbio, pela sua precisão e letalidade.

Um porta-helicóptero dedicado e um navio de assalto anfíbio, o ex-HMS Ocean (P140 Atlântico) foi concebido para projetar poder do mar para terra. Na foto, helicópteros de ataque AH-64 Apache do British Army operando a bordo do navio.

O pacote logístico ofertado também foi ampliado e atende as duas forças, incluindo aí treinamento conjunto e ajustes na doutrina operacional das duas aviações, já que ambas desconhecem os segredos de operarem helicópteros de ataque “puros” (de fato, o que existe em ambas são aparelhos originalmente desenvolvidos para o mercado civil e posteriormente militarizados).

OBS: *O Exército Sul dos Estados Unidos é responsável por conduzir e dar o suporte a operações multinacionais com 31 países na América Central e da América do Sul, além do Caribe.

**Santo Antonio, no Texas, é o local onde importantes programas militares brasileiros estão em curso. Pelo Exército, o programa de aquisição das aeronaves de transporte turboélice bimotoras C-23B Sherpa, e pela Marinha do Brasil, o Programa de Modernização das aeronaves embarcadas COD KC-2 Turbo Trader.