O dia em que o Presidente Vargas sentou-se no Meteoro.

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O presidente Vargas chega a BASC. 10 meses depois dessas fotos, sairia morto do Palácio do Catete.

23 de outubro de 1953. O presidente da República Federativa do Brasil, Getúlio Vargas, visita a Base Aérea de Santa Cruz (BASC) para conhecer os jatos britânicos Gloster Meteor recém entregues.

70 desses aviões foram adquiridos pela sua administração em novembro de  1952 para reequiparem os esquadrões de caça da Força Aérea Brasileira.

O presidente Vargas é recebido em postos de continência na linha de voo de Santa Cruz.
De pequena estatura, o presidente aparece sentado no assento traseiro de um TF-7.
Um oficial aviador do esquadrão auxilia o presidente Vargas na amarração ao seu assento ejetável.

Naquele dia, Vargas se deixou fotografar no cockpit de um biplace TF-7 de treinamento e conversão operacional. Os monoplaces eram designados na FAB como F.8.

Comprados em uma insólita negociação que envolveu toneladas do melhor algodão brasileiro, os Meteor modificaram a forma dos nossos caçadores combater, pois dispunham de mais velocidade e um armamento consideravelmente mais destrutivo que o usado nos antigos P-47 Thunderbolt que substituíram.

Moderno para os padrões do continente sul-americano, o fato é que o Gloster Meteor foi rapidamente superado no seu País de origem por novos projetos mais rápidos e capazes, e após a Guerra da Coréia, o jato inglês não representava mais a primeira linha de combate da RAF.

Sua compra se deveu mais a firme negativa americana em vender ao Brasil os avançados F-86 Sabre, de desempenho superior. Sem outras opções no mercado, e com os britânicos aceitando como pagamento algodão brasileiro, o negócio foi feito e os aviões comprados.

Os Meteor F-8 adquiridos pelo Brasil eram configurados tanto para missões de
interceptação como para ataque ao solo, e carregavam o armamento interno padrão de quatro canhões de 20mm no nariz; as asas eram reforçadas para carregar dez foguetes HVAR de 5” ou duas bombas de 500lb. A fim de aumentar sua autonomia de vôo, podiam transportar dois tanques subalares de 454 litros e um ventral de 794 litros.

Ironicamente, esses bons caças foram condenados a aposentadoria precoce por serem usados no Brasil em missões de ataque ao solo, uso para o qual não foram projetados (puxando carga G excessiva), o que decretou o aparecimento de fissuras e rachaduras nas asas da maioria dos aviões. Era o fim do Meteor na Força Aérea Brasileira.

O último sobrevivente operou até meados dos anos de 1970, quando recebeu inclusive a mesma pintura destinada aos então novíssimos EMB-326 GB Xavante (AT-26). Foi apelidado pelos pilotos de “Obelix”.

Fotos: Arquivo Nacional

Texto: Roberto Caiafa