O Brasil e os mísseis

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MBDA Meteor (Imagem: Divulgação)
MBDA Meteor (Imagem: Divulgação)
MBDA Meteor (Imagem: Divulgação)

Nos últimos meses de 2014, a gigante europeia MBDA anunciou importantes contratos de venda de mísseis Exocet dos modelos embarcados em navios e submarinos, e também do tipo aerolançável, além da seleção de seu novo sistema de defesa aérea de área Sea Ceptor, baseado no conceito CAMM (Common Anti-Air Modular Missile – mesmo sistema contratado pela Real Marinha Britânica e pela Real Marinha Neozelandesa), para equipar as novas corvetas Classe Tamandaré em desenvolvimento para a Marinha do Brasil. Anteriormente, em parceria com a indústria de defesa brasileira, a MBDA já estava trabalhando na remotorização de mísseis Exocet mais antigos e no desenvolvimento local da motorização do MANSUP, futuro míssil antinavio nacional. A empresa também anunciou uma nova parceria com a Avibras (com quem já trabalha nos mísseis navais), para a criação de um sistema de defesa antiaérea missilística de média altura baseado em uma versão terrestre (lançamento vertical) do CAMM e utilizando toda a base tecnológica já desenvolvida para as viaturas do sistema de artilharia Astros 2020.

A preferência das Forças Armadas brasileiras pela adoção de soluções da MBDA para emprego naval e terrestre poderá incluir, em um futuro próximo, o setor aeroespacial através dos mísseis ar-ar de médio/longo alcance, ou BVR (beyond visual range) MBDA Meteor, armamento cotado para equipar os novos caças SAAB Gripen NG adquiridos pela Força Aérea Brasileira (36 exemplares). Uma das vantagens do MBDA Meteor é o fato do míssil BVR estar entrando em serviço na Suécia e em outros países europeus. Sua campanha de integração ao Gripen já ter sido concluída, o que se traduzirá em uma grande economia de recursos para a Força Aérea Brasileira ao longo do período de emprego.

A resposta Ramjet

A propulsão Ramjet é uma tecnologia desejável para os mísseis BVR que irão armar o Gripen NG brasileiro, já que incrementa sobremaneira o alcance da arma. Quando o míssil é lançado, um booster descartável acelera o Meteor até uma velocidade onde o ar sobre pressão admitido pelas entradas de ar aquece e ignita o combustível sólido. A combinação do oxigênio atmosférico altamente comprimido mais o propelente (ramjet) confere um desempenho superlativo em alcance e energia para manobrar, mesmo na fase de final de voo no máximo do seu alcance de engajamento. Um Data-Link fornece atualização de meio curso durante a navegação até as proximidades do alvo, quando então o radar busca a bordo localiza e trava no alvo. Com o MBDA Meteor e a combinação Gripen NG + radar AESA de 2ª geração ES 05 Raven, o 1º Grupo de Defesa Aérea da FAB passará a contar com a mais avançada capacidade de interceptação e defesa aérea de toda a América Latina.

Roberto Caiafa