“Novo” blindado do Exército Brasileiro na Intervenção Federal (GIF).

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Com capacidade para transportar cinco policiais na célula á frente e até seis presos no habitáculo da parte traseira, o VEsPa 1 é estreito, leve e ágil, permitindo manobras e incursões em locais de difícil acesso.

PAULO ROBERTO BASTOS

Na manhã de 29 de outubro, no que seria mais uma ocorrência policial na Intervenção Federal do Rio de Janeiro, uma moto colidiu com um veículo do Exército Brasileiro (EB) no Jardim Catarina.

Um dos ocupantes da motocicleta acabou detido pelo porte proibido de uma pistola.

A ocorrência acabou gerando uma grande movimentação de militares e viaturas.

Presente na cena da ação, o fotógrafo Filipi Castro flagrou, pela primeira vez, o Blindado 01operando nas cores do EB.

Presente na cena da ação, o fotógrafo Filipi Castro flagrou, pela primeira vez, o Blindado VEsPa 1 operando nas cores do EB.

As fotos, divulgadas pelas redes sociais e pelo Portal de Notícias O Fluminense, demandou uma apuração mais direcionada, e assim a redação de T&D, através de seu especialista em blindados, Paulo Roberto Bastos, identificou corretamente o veículo como o protótipo do VEsPa 1.

Segundos fontes consultadas pela publicação, mais um protótipo da família de blindados leves desenvolvidos pelo CTEx (existem dois) foi colocado a disposição do Gabinete de Intervenção Federal do Rio de Janeiro, e deverá começar a participar das ações em breve.

O Vespa 1 a direita na foto, estacionado sobre a calçada (fotógrafo Filipi Castro).

A família de Blindados Médios do CTEx

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx), órgão do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), tem como missão a pesquisa e desenvolvimento de materiais de emprego militar (MEM) de interesse do Exército Brasileiro (EB).

Em 2008, em um convênio com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o órgão desenvolveu um veículo com requisitos apresentados pela Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro (SESEG), recursos  da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), e participação direta das empresas AGRALE, responsável pelo chassi, e AUTOLIFE BLINDAGENS, responsável pela carroceria.

Dessa forma surgiu o protótipo da Viatura Especial de Patrulhamento (VEsPa), flagrada hoje no Rio.

Esse protótipo utiliza um chassi Agrale modelo MA 6.0, especialmente desenvolvido para a aplicação, e um motor eletrônico MWM-International 4.07 TCE de 140 cvde potência a 3.500 rpm.

Com capacidade para transportar cinco policiais na célula á frente e até seis presos no habitáculo da parte traseira, o veículo é estreito, leve e ágil, permitindo manobras e incursões em locais de difícil acesso, e o patrulhamento ostensivo nas vias expressas do Rio de Janeiro.

 

Após os testes efetuadas pelas polícias civis e militares do Estado, diversas melhorias foram sugeridas e, novamente com recursos da FAPERJ, um novo veículo blindado multiuso e com muito mais capacidade foi desenvolvido, o VEsPa 2, que  também objetivava a aplicação por parte das forças policiais, e que foi apresentado na LAAD 2011.

Já em 2012, aproveitando a experiência adquirida anteriormente com o programa VEsPa e com o objetivo de atender à crescente demanda de utilização de blindados em ambientes urbanos, seja em Operações de Manutenção da Paz sob a égide da ONU ou em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), surge o terceiro protótipo de blindado policial do CTEx, a Viatura Blindada de Patrulhamento de Emprego Dual (VBPED), cujo os Requisitos Operacionais Básicos (ROB) priorizavam a proteção balística, mobilidade e logística.

Com capacidade e de transporte de sete militares (motorista, chefe de viatura/comandante e cinco fuzileiros) e sempre privilegiando o uso de componentes comerciais nacionais, foi montado sobre o chassi Agrale MA 9.2 e foi equipado com um motor MWM Acteon 4.12 TCE com 150hp a 2200 rpm, com caixa automática Allison LTC 2000.

Possui Blindagem Nível III PA2, da Norma NBR 15000, resistente a disparos de calibres 7,62x51mm e 5,56×45 mm, escotilhas e seteiras para disparos.

É equipado com uma torreta mecânica para metralhadora leve, mas está sendo idealizado para utilizar um sistema de armas remotamente controlado, como o reparo REMAX.

Fotos: CTEx, via acervo Paulo Roberto Bastos