Marinha do Brasil coordena exercício na Namíbia

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Preparativos no convés de ré do NS Elephant para a colocação no mar das embarcações pneumáticas que desembarcariam os militares do CFN MN na praia. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)
O navio polivalente NS Elephant (S11) da Marinha da Namíbia, na fase inicial da "Operação Chacal", dia 29 de outubro de 2014. Fabricado pelo estaleiro chinês WUHAN, tem 109 metros de comprimento e desloca 2.580 toneladas, sendo armado com um canhão de 37 mm e dois reparos duplos de metralhadoras calibre 14,5x114 mm. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)
O navio polivalente NS Elephant (S11) da Marinha da Namíbia, na fase inicial da “Operação Chacal”, dia 29 de outubro de 2014. Fabricado pelo estaleiro chinês WUHAN, tem 109 metros de comprimento e desloca 2.580 toneladas, sendo armado com um canhão de 37 mm e dois reparos duplos de metralhadoras calibre 14,5×114 mm. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)

Pela primeira vez, a Namíbia realizou um exercício de projeção de poder naval sobre terra em que elementos do Corpo de Fuzileiros Navais de sua Marinha simularam um ataque para neutralizar uma fictícia base pirata situada a 14 quilômetros de uma praia. Tendo lugar entre 21 e 30 de outubro último, a “Operação Chacal” foi concebida e coordenada pelo Grupo de Apoio Técnico de Fuzileiros Navais (GAT-FN) do Brasil, marcando o encerramento da segunda fase do Adestramento Básico de Operações Especiais (Ades-Bas-OpEsp) do CFN MN. Após a realização de reconhecimentos preliminares da área escolhida, o GAT-FN sugeriu a realização de um adestramento de operações especiais, iniciativa imediatamente aceita pelo Comandante da MN e que determinou a preparação dos trâmites envolvidos na execução do exercício que envolveria, pela primeira vez, meios navais, de fuzileiros navais e aéreos, com helicópteros da Força Aérea do país africano.

Preparativos no convés de ré do NS Elephant para a colocação no mar das embarcações pneumáticas que desembarcariam os militares do CFN MN na praia. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)
Preparativos no convés de ré do NS Elephant para a colocação no mar das embarcações pneumáticas que desembarcariam os militares do CFN MN na praia. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)

No dia 21 de outubro a tarefa foi apresentada aos alunos do Ades-Bas-OpEsp, que iniciaram seu planejamento com o apoio de oficiais e praças do GAT-FN, além de acompanhados por militares do CFN MN. Após os necessários ensaios, no dia 29 de outubro, 15 alunos do Ades-Bas-OpEsp e militares brasileiros do GAT-FN embarcaram no NS Elephant (S11), navio de fabricação chinesa que combina as funções de transporte logístico e patrulha costeira. A posterior movimentação do pessoal até a praia ficou a cargo de três embarcações de desembarque pneumáticas, após o que os fuzileiros navais namibianos iniciaram a infiltração terrestre de 14 quilômetros até as proximidades do objetivo, a base pirata, onde fuzileiros navais da Namíbia e um elemento do GAT-FN atuaram como figurativo inimigo. Por volta das 05:30 da manhã seguinte, o grupo de alunos em adestramento realizou o assalto, neutralizaram a base e capturaram do seu líder, em ações coordenadas que duraram menos de cinco minutos. Após retraírem até o ponto de extração, os militares foram resgatados por dois helicópteros HAL Chetak (SA316B Allouette III de fabricação indiana) da Força Aérea Namibiana.

Já na praia, os alunos do Ades-Bas-OpEsp, armados com fuzis AK calibre 7,62x39mm e lançadores de granadas-foguete RPG-7, preparam-se para o deslocamento de 14 km até a fictícia base de piratas. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)
Já na praia, os alunos do Ades-Bas-OpEsp, armados com fuzis AK calibre 7,62x39mm e lançadores de granadas-foguete RPG-7, preparam-se para o deslocamento de 14 km até a fictícia base de piratas. (Imagem: Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais)

Embora extremamente modesta em termos dos meios e pessoal empregados, a “Operação Chacal” constituiu-se em mais uma importante etapa no trabalho que está sendo realizado pela Marinha do Brasil naquele país do sudoeste africano, independente da África do Sul desde 1990. Partindo praticamente do zero na formação de sua Força de Defesa Namibiana (Exército, Marinha e Força Aérea), a nação logo recebeu importante apoio brasileiro para sua força naval, incluindo a doação, em 2004, de seu primeiro navio, a ex-corveta Purus da MB, que ali atuou até 2012 como C11 Lt General Dimo Hamaambo. Hoje, a Marinha da Namíbia opera um navio patrulha de fabricação brasileira, o P11 Brendan Simbwaye (Classe “Grajau” da MB, do estaleiro cearense INAVE), mais duas lanchas de patrulha da classe “Marlim” (HPB 20 e HPB 21), do mesmo fabricante. Desde 2005, mais de 400 fuzileiros navais namibianos foram formados aqui no Brasil e, em 2009, a criação do Grupo de Apoio Técnico de Fuzileiros Navais naquele país, com cerca de 30 militares brasileiros, veio a dar maior agilidade ao processo de formação, treinamento e adestramento de seu pessoal.

Ronaldo Olive