Marinha desmobiliza o NAe São Paulo

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Após diversas tentativas de recuperar a capacidade operativa do Navio-Aeródromo (NAe) São Paulo (A12), o almirantado concluiu que o programa de modernização exigiria um alto investimento financeiro, conteria incertezas técnicas e necessitaria de um longo período de conclusão. Então decidiu-se pela desmobilização do meio, a ser conduzida ao longo dos próximos três anos.

Um programa de obtenção de um novo conjunto navio-aeródromo x aeronaves, ocupará a terceira prioridade de aquisições da Marinha do Brasil, logo após o PROSUB/Programa Nuclear e o Programa de Construção das Corvetas Classe Tamandaré.

O custo de aquisição desse novo binômio será substancialmente menor que o de modernização do NAe São Paulo e de obtenção de novas aeronaves compatíveis com o navio, já que as aeronaves de combate AF-1 deverão estar no final de sua vida quando o São Paulo terminasse sua modernização.

O NAe São Paulo foi incorporado à Marinha em 2000 a partir de uma compra de oportunidade da Marinha Nacional da França com os propósitos precípuos de substituir o antigo Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais, em término de vida útil, e proporcionar a evolução das operações aéreas embarcadas com o emprego dos aviões de asa fixa e propulsão a jato A-4 Skyhawk (AF-1).

Apesar de já contar com 37 anos de serviço ativo no momento da aquisição, o São Paulo cumpriu bem sua missão nos primeiros anos em atividade na Esquadra brasileira, possibilitando à Marinha adquirir a capacitação para operar aeronaves de alta performance embarcadas.

(Imagem: Marinha do Brasil)

 

Lamentavelmente, os estudos de exequibilidade do referido programa indicam um longo período para sua conclusão, aproximadamente dez anos, além de incertezas técnicas e elevados custos.

Até que a Marinha receba um novo navio-aeródromo, a capacidade de conduzir operações de guerra naval com emprego de aviação de asa fixa, obtida às custas de grandes investimentos e intensos treinamentos dos nossos pilotos no país e no exterior, será mantida a partir da Base Aérea Naval e de outras instalações de terra, e também por meio de treinamentos com marinhas amigas.

 

Ivan Plavetz