Leopard 1A5 italianos para o Exército Brasileiro?

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Um MBT Leopard 1A5 do Exército Italiano completamente configurado para missões no exterior. Estes carros encontram-se estocados na atualidade.

O encontro da comunidade de nações operadoras do carro de combate KMW Leopard 2 (LeoBen CDWG 2017), acontece pela primeira vez este ano no Chile, reunindo mais 11 países usuários: Alemanha, Áustria, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Noruega, Polônia, Portugal, Singapura e Suécia.

O Brasil, ausente da conferência devido ao fato de o Exército Brasileiro (EB) operar uma versão mais antiga do MBT, o KMW Leopard 1A5 (ex Exército Alemão), dá sinais de que voltará a investir em exemplares usados (2ª mão) desse carro de combate introduzido no mercado em 1965.

As Delegações de 12 países na foto oficial da Leoben 2017 (Imagem: Exército do Chile)

Após a renovação, por mais 10 anos, do contrato de mantenimento da frota de 230 carros de combate Leopard 1A5 BR e 36 blindados antiaéreos Gepard 1A2 com a KMW do Brasil (avaliado em 80 milhões de euros), rumores em Brasília dão conta do interesse do EB em avaliar (para posterior compra) um lote com 120 MBTs Leopard 1 A5 desativados e estocados pelo Exército Italiano após a introdução do MBT Aríete, de projeto nacional.

Nenhum documento oficial recente da Força Terrestre brasileira confirma os rumores do envio de uma comitiva de oficiais e praças a cidade de Vilesse, nordeste italiano, sede do Grupo Goriziane, empresa privada que presta, através da sua divisão de defesa, serviços de recondicionamento/retrofit/modernização a carros de combate e outros materiais blindados retirados do serviço ativo e disponibilizados posteriormente para venda.

A quantidade de blindados Leopard 1A5 estocada, se confirmada (120), permitiria ao EB aposentar definitivamente os exemplares restantes de uma compra de 130 Leopard 1Be ex Exército da Bélgica, entregues a partir de 1997 juntamente com um lote de 91 MBTs M60 A3 TTS excedentes dos estoques do Exército dos Estados Unidos (US Army). Somente 48 exemplares do Leopard 1Be encontram-se operacionais, segundo os últimos informes publicados.

O Leopard 1A5 na Itália

A linha de batalha do Exército Italiano em 1995 estava equipada com meios obsoletos frente aos MBTs mais modernos fornecidos aos adversários potenciais.

Dezenas de MBT KMW Leopard 1A5 do Exército Italiano vistos durante encontro de unidades operadoras do modelo, em 2002. (imagens Leopard 1A5 Itália: Attíllio Camonese via Ferreamole)

Em particular, a obsolescência dos MBTs norte-americanos M60A1 e o sério atraso na aquisição do novo carro de combate de projeto nacional, o Aríete, resultaram em divisões blindadas ainda equipadas com o antigo KMW Leopard 1A2, um modelo que nunca havia sido submetido a uma verdadeiro programa de atualização naquela força em quase trinta anos de serviço.

Em particular, esses blindados italianos desconheciam qualquer sistema de propulsão automatizado, não possuíam sistemas passivos de visão noturna e não estavam equipados com proteção adicional para a fraca blindagem original, resultado de um compromisso onde o Leopard 1A2 era rápido o suficiente para basear sua própria capacidade de sobrevivência em movimento e não em resistência passiva de uma couraça.

A torre alemã no padrão 1A5 incorpora um periscópio estabilizado TRP-5A para o atirador, visível nas fotos acima e abaixo. A caixa retangular é o sensor passivo de visão termal (em detalhe)

Descartada a ideia de um programa de modernização usando tecnologia nacional desenvolvida para o Aríete, ocorreu a compra emergencial de 120 torres do modelo Leopard 1 A5 retiradas de exemplares descarregados do Exército Alemão, e instaladas em chassis italianos em melhor estado de conservação (submetidos a uma revisão geral e retrofit completo).

Esta medida foi implementada em clima de urgência, permitindo assim a participação de blindados Leopard 1A5 “modernizados” nas primeiras missões internacionais a que a Itália participou no final dos anos de 1990. Essa decisão selou o destino final dos Leopard 1A2 restantes, retirados do serviço definitivamente em abril de 2003.

Os “novos” Leopard 1A5 colocados em serviço foram assim distribuídos, 54 exemplares no 131° Regimento da Brigada Mecanizada “Garibaldi”; 54 exemplares no 133° Regimento da Brigada Mecanizada “Pinerolo”, 8 exemplares na Escola de Cavalaria e Tropas Blindadas de Lecce; 4 exemplares na Escola de Transporte e Materiais de Roma (total de 120 carros).

Vista frontal (acima) e posterior (abaixo) de um MBT Leopard 1A5 do Exército Italiano.

Os Leopard 1A5 italianos foram equipados com torres alemãs unidas a chassis submetidos a algumas modificações no trem de rolamento para melhorar sua eficiência. Estas consistiram na adoção de um kit projetado pela KMW para os Leopard da Austrália, Canadá e Noruega com novos amortecedores hidráulicos de extremidade, substituindo as molas anteriormente usadas, e uma nova roda tensora de menor diâmetro, equipada com um novo dispositivo de tensão.

A torre do Leopard 1A5 está configurada internamente com um telêmetro laser; periscópio HZF (equipado com câmara térmica) acoplado ao canhão; periscópio do atirador/gunner elevado ao padrão TRP-5A; sistema de controle Krupp Atlas Electronik EMES 18; novo equipamento de rádio VHF; proteção contra emissões laser aplicadas a todos os optrônicos do carro; sistema de levantamento do canhão melhorado e predisposição ao sistema de giro estabilização hidráulica da arma principal; sistema de alinhamento da arma principal Muzzle Reference System (MRS).

O computador de tiro está programado para fornecer dados de sete tipos diferentes de munição e permite o cálculo de dados balísticos até o alcance de 4.000 metros. A entrada de dados é automática em relação ao tipo de munição carregada, distância de telemetria do alvo e guarnição do chassis, enquanto manualmente devem ser inseridos (por meio de teclado e tela) a velocidade do vento e temperatura do ar. O computador também é capaz de determinar o ângulo de avanço do tiro para alvos se movendo a velocidade constante.

Se adquiridos pelo Exército Brasileiro, os MBT KMW leopard 1A5 italianos seriam bastante semelhantes aos empregados no Brasil, o que facilitaria a linha logística e de suprimentos da frota. (acima e abaixo)

O RALM (receptor de alarme laser) também foi instalado para detectar emissões laser inimigas e determinar o tipo de ameaça associada, com apresentação gráfica nas telas dos tripulantes. Os Leopard 1A5 enviados ao exterior também receberam rádios SINCGARS (SINgleChannel Ground and Airborne Radio System) com capacidade de envio/recepção de mensagens criptografadas.

A adoção de arcos de torres adicionais (cerca de 900 kg) e outras modificações aumentaram o peso total da blindagem para 2.000 kg, reduzindo a capacidade de munição transportada na torre dos Leopard 1A5 italianos em cinco tiros.