Jogos Olímpicos Rio 2016: Pronta Resposta em Ações Terroristas

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Para alcançar esse objetivo, 280 homens de 26 órgãos de Segurança Publica Federal e Estadual, em conjunto com o Ministério da Defesa e as tropas de Operações Especiais das Forças Armadas, treinaram intensamente durante cinco dias (de 09 a 13 de maio) na sede do Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro em Goiânia (GO).

A instrução foi denominada “Exercício Nacional Interagências para Combate à Ações Terroristas nos Jogos Olímpicos Rio 2016” e contou com integrantes dos grupos de Forças Especiais da Marinha, Exército e Aeronáutica, Polícia Federal e das Polícias Militar e Civil de localidades que sediarão competições olímpicas fora do Rio de Janeiro (futebol).

Esse tipo de treinamento aumenta a aproximação entre as forças especiais dos órgãos de segurança pública, servindo também para verificar técnicas e procedimentos empregados por cada time. As 17 oficinas montadas simularam atentados terroristas ocorridos em diferentes locais e circunstâncias pelo mundo nos últimos anos, permitindo uma grande troca de experiências e ideias.

Bomba Neurotóxica

Em uma das oficinas, a chamada “Casa de Matar Charlie”, os times tinham como cenário retomar e resgatar reféns, eliminar a ameaça armada e retrair em segurança, tudo isso usando roupas e equipamentos especiais para protegê-los do gás neurotóxico liberado pelos terroristas no ambiente de um prédio ou instalação.

Os uniformes usados pelos militares para essa ação possuem uma camada interna de carvão ativado e máscaras de grande campo de visão que cobrem o rosto, luvas e botas de vedação, etc.

Após o resgate, o momento crítico, a descontaminação montada pela Companhia de Defesa Química, Biológica, Nuclear e Radiológica (Cia DQBNR), e que deve ser aplicada a todos, o material coletado contaminado sendo colocado em recipientes especiais para posterior descarte.

Atiradores de Elite x Times Táticos

Das 17 diferentes oficinas táticas, cinco foram dedicadas exclusivamente aos atiradores de elite ou snipers/caçadores. As duplas (caçador e observador) executaram tiros de precisão para atingir alvos dispostos entre 400 metros e 950 metros, incluindo aí o tiro noturno com progressão silenciosa no terreno.

Uma média de 600 tiros foram disparados por cada um dos 51 atiradores em um ambiente simulado que considera as variáveis de pessoas se movimentando, alvos simultâneos e dispostos em múltiplas distâncias, mais a cobertura de fogo que estes devem proporcionar aos seus times nas rotas de enfrentamento das ameaças, caso da oficina denominada Westgate. Todos os caçadores inscritos no exercício interagências possuem mais de cinco anos de experiência em missões reais de operações de paz ou policiais urbanas ou mesmo enfrentando o novo cangaço dos sertões. A troca de experiências também foi um ponto forte do encontro.

Punhal Alado

A oficina “Punhal” envolveu a escolta pelo ar e por terra de um grupo de VIPS, os dois veículos da comitiva sendo emboscados por terroristas mediante o bloqueio de via por barricada. Um helicóptero HM-1 Pantera da Aviação do Exército (Avex) com seu time tático embarcado (escolta aérea armada) detecta a ameaça, desembarca a tropa no chamado pouso de assalto, ocorrendo a seguir o combate entre os terroristas e time tático, ambos usando nos uniformes e armas os sensores do Dispositivo Sistema de Engajamento Tático (DSET) fornecido pela Saab.

Com o DSET e um notebook de campo dedicado, é possível saber que acertou quem, qual o grau de seriedade do ferimento ou se o combatente foi incapacitado. Se isso ocorrer, o laser daquela arma é desabilitado,  tornando a simulação bastante real. Todo o combate pode ser revisado através da memória instalada nos coletes, capacetes e sensores, por instrutores do Centro de Avaliação e Adestramento do Exército (CAADEX), conhecidos como Observador, Controlador e Avaliador (OCA).

Esses especialistas interferem no treinamento, corrigem um procedimento, avaliam uma ação, visando como resultado uma tropa adestrada, homogênea e operacional, capaz de pronto emprego.

Confira o teaser do materia que estamos preparando para a próxima edição:

 

Roberto Caiafa