IVECO paralisa produção do blindado

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(Imagem: Roberto Caiafa) 

A forte queda na venda de veículos registrada em 2015 no mercado brasileiro forçaram as montadoras a concederem férias coletivas para seus empregados, isso quando não ocorrem demissões.

A FIAT, líder de mercado de carros de passeio, paralisou suas linhas de montagem antes do feriado de Corpus Christi, e só deverá retomar suas atividades após o dia 15 de junho. GM, Volkswagen, Mitsubishi e outras montadoras que atuam no Brasil estão adotando medidas semelhantes. Scania, Mercedes Benz e Ford, no setor de caminhões, seguem o mesmo rumo.

E a crise também chegou a Iveco, afetando a linha de caminhões médios e pesados e a fabricação do blindado 6×6 Guarani. Cerca de 250 empregados da fábrica de Sete Lagoas receberam férias coletivas de 30 dias devido a falta de novas encomendas por parte do Exército Brasileiro.

Outros 168 exemplares do Guarani foram entregues até o momento, englobando o chamado Lote de Experimentação Doutrinária (LED), e para que o contrato de 20 anos/2044 unidades entre em um ritmo mensal de pelo menos 40 exemplares produzidos (low rate of production), é necessário que o Exército Brasileiro declare o veículo Guarani como aceito (homologado).

Exatamente por isso, e devido aos cortes orçamentários, o Comando da Força Terrestre vem postergando esse momento. Com o viés de crise nos setor automobilístico e a baixa na venda de caminhões, tornou-se uma situação muito difícil para a Iveco manter linhas produtivas abertas gerando pesados custos.

A FPT, que produz os motores diesel para os caminhões da Iveco na planta de Sete Lagoas, anota em suas linhas de produção uma média de ociosidade batendo em 20%, o que significa seis mil impulsores a menos produzidos ao ano. Está aberto um impasse.

O Governo Federal tem declarado repetidas vezes sua decisão de priorizar os projetos estratégicos mais importantes das Forças Armadas brasileiras, mas na prática, o discurso não está acompanhando a realidade de dificuldades vivida pelas empresas, seja em face da pesada carga tributária, seja pelas restrições de acesso a financiamento impostas pelo Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Roberto Caiafa