ITA desenvolverá nanossatélite financiado pela NASA

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O desenvolvimento de um nanossatélite com a participação de dois institutos brasileiros, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi selecionado entre mais de 70 propostas para financiamento da NASA, a agência espacial norte-americana. O equipamento terá como finalidade investigar o clima espacial.

“Espera-se que esta missão possa reunir dados que aumentem a compreensão dos fenômenos que ocorrem nesta importante camada da atmosfera e permitam assim alimentar os modelos teóricos da ionosfera que modelem o seu comportamento, permitindo uma melhoria na previsibilidade destes fenômenos”, revelou o gerente da plataforma e professor doutor do ITA, Luís Loures.

A iniciativa é coordenada pelo Marshall Space Flight Center, centro de pesquisas civil do governo dos Estados Unidos, que inclui também universidades norte-americanas e visa lançar o equipamento a partir da Estação Espacial Internacional (ISS conforme sigla em inglês) entre novembro de 2018 e março de 2019. O cronograma prevê o início da missão em março deste ano. A vida útil do nanossatélite é estimada em um ano devido à atividade solar no período e a dinâmica de voo para o lançamento da ISS.

O nanossatélite, um “cubesat” de aproximadamente 6 Kg, servirá para estudos sobre a formação de bolhas de plasma ionosférico (Ionosphere Plasma Bubble) que são as principais fontes de reflexões de radar na região equatorial. A missão denominada de SPORT (sigla em inglês para Scintillation Prediction Observation Research Task) investigará o estado da ionosfera que acarreta o crescimento das bolhas de plasma. Também serão estudadas as relações entre as irregularidades no plasma em altitude de satélites com as cintilações de rádio observadas na região equatorial da ionosfera.

A ionosfera é a camada superior da atmosfera terrestre que se estende de 50 Km a 1000 Km de altitude, composta basicamente por elétrons e átomos carregados eletricamente devido à forte incidência da radiação solar que induz a estes estados. Esta camada é extremamente importante para a transmissão de ondas de rádio e para a precisão do sinal de sistema de posicionamento global (GPS). O que ocorre é que a camada ionosférica é suscetível à formação de bolhas de plasma e cintilações, principalmente nas regiões próximas ao equador magnético, e estes fenômenos causam distúrbios diversos. A situação pode ser agravada pela ocorrência de tempestades solares que lançam grandes quantidade de radiação ionizante em direção à Terra.

“O projeto SPORT permitirá ao instituto a consolidação de sua competência na área de ‘cubesats’, criando as condições para uma evolução constante na pesquisa em engenharia de pequenos satélites”, resumiu Loures.

Tarefas

(Imagem Metoffice.UK )
(Imagem: Metoffice.UK )

Ao ITA caberá o projeto, a integração e os ensaios da plataforma. As universidades norte-americanas serão responsáveis pela carga útil, ou seja, elaborar os instrumentos de medição da ionosfera. O INPE terá a tarefa de coordenar o segmento de solo, controlar o satélite, receber os dados, tratá-los e disponibilizá-los para a comunidade científica.

Além da Engenharia Aeroespacial, o Departamento de Física do instituto está envolvido na tentativa de compreensão dos fenômenos que regem a ionosfera.

Sob o ponto de vista científico, o projeto SPORT contará com a liderança do professor do ITA Abdu Mangalathayil, considerado o principal pesquisador brasileiro na área de ionosfera e com atuação internacional reconhecida. Também estão envolvidos especialistas em plasma e em sensores aeroespaciais. Outros professores e alunos de doutorado e pós-doutorado também participarão.

 

Ivan Plavetz