Indústria de Defesa é tema do “Diálogo Brasil-Reino Unido”

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Além de integrantes dos consulados britânicos no Rio de Janeiro e em São Paulo; de representantes da Associação das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde); e de personalidades que atuam na indústria de defesa brasileira e britânica.

São Paulo, 27/11/2018 – O Ministério da Defesa realizou nessa quarta-feira (27), no Centro Cultural da Marinha em São Paulo, o “Diálogo da Indústria de Defesa Brasil-Reino Unido”, com o propósito de identificar estratégias e oportunidades de parcerias comerciais, com prioridade no desenvolvimento conjunto da indústria de defesa, e dar oportunidade para que os diversos segmentos do setor pudessem apresentar as suas potencialidades.

O evento deu continuidade ao encontro realizado no Reino Unido em julho deste ano, e contou com a presença de militares brasileiros da Marinha, do Exército e da Força Aérea; e representando o embaixador de sua majestade Vijay Ramgarajan, o adido de Defesa do Reino Unido no Brasil, capitão de mar e guerra Kevin Fleming.

Na abertura do encontro, o Secretário de Produtos de Defesa, almirante Marcelo Francisco Campos, destacou o relacionamento duradouro entre o Brasil e o Reino Unido, fazendo uma retrospectiva histórica da interação entre as Marinhas inglesa e brasileira, a começar com a escolta da Família Real portuguesa na sua vinda para o Brasil.

Depois citou a aquisição das Fragatas Classe Niterói e dos submarinos Oberon. Também relembrou a compra do Porta Helicópteros Multipropósito Atlântico.

Em seguida, o adido de Defesa do Reino Unido no Brasil, capitão de mar e guerra Kevin Fleming, agradeceu a grande oportunidade para o compartilhamento de informações e entendimentos, e para os agentes do contexto se conhecerem melhor. Além de ser uma boa oportunidade para fazer negócios e para o desenvolver o relacionamento mútuo, pois “o relacionamento já existe, não só com a Marinha, mas, também, com as demais Forças”, destacou o adido de defesa britânico.

Processo de aquisição do Reino Unido

O primeiro painel, mediado pelo representante do Consulado-Geral Britânico no Rio de Janeiro, Felipe Medeiros, contou com a participação do diretor do Centro de Apoio à Sistemas Logísticos de Defesa, almirante Edésio Teixeira Lima Junior e do capitão de mar e guerra da Marinha britânica, Kevin Fleming, que destacou que um em cada 200 empregos gerados no Reino Unido é consequência da indústria de defesa.

Em seguida, o almirante Edésio, disse que um evento como o diálogo Brasil-Reino Unido é muito importante, pois uma das metas prevista na Estratégia Nacional de Defesa (END) é a busca de parcerias em tecnologia e oportunidade de negócios. “A metodologia clássica de planejamento e gerenciamento de projeto, e de planejamento baseado por capacidades, são semelhantes no meio militar e no meio empresarial”, afirmou.

O almirante disse ainda, que o ciclo de vida é um instrumento que assegura controle na obtenção e na utilização, sempre ponderando os aspectos de riscos que podem envolver a aquisição de investimentos e as decisões que devem ser tomadas em termos de custo, desempenho, qualidade e prazo. “A governança, o conhecimento e o relacionamento institucional são as dimensões que devem ser trabalhadas em função daquelas”, alegou.

Parcerias e financiamentos

No período da tarde, foram realizados mais dois painéis, um abordando as parcerias estratégicas, e um terceiro falando de investimentos e financiamentos de defesa.

O almirante Campos abriu o segundo painel, que contou com a participação do diretor da Bae System, Marco Caffe; e do representante da Abimde, Fernando Ikedo. Além de Leonardo Nogueira que atuou como moderador.

O almirante enfatizou que para desenvolver o Programa estratégico de Defesa, as parcerias estratégicas são fundamentais. Pois, a Base Industrial de Defesa (BID) contribui para dois aspectos dentro da nação, para a soberania e para economia de defesa, que gera desenvolvimento tecnológico de ponta e tecnologias disruptivas.

O terceiro painel, teve como moderador, Alexandre Assis, do Consulado-Geral Britânico em São Paulo, e abordou os investimentos e os financiamentos de defesa.

Nesta etapa, participaram o gerente do departamento de financiamentos e economia de defesa, coronel Diógenes; e o assessor de investimentos da Câmara de Comércio Exterior, Márcio Luiz de Freitas Naves de Lima, e Maria Angélica Luqueze, representante da agência de fomentos às exportações britânicas,

Luqueze disse que o encontro foi importante, não só pelo setor de defesa ser estratégico para o Brasil, mas pela oportunidade de mostrar como o Reino Unido pode contribuir para o desenvolvimento do país. A manutenção de uma parceria de muitos anos, um relacionamento institucional muito forte, segundo os britãnicos, é o melhor caminho. Além de tecnologia, inovação e disrupção que podem tornar as Forças brasileiras cada vez mais eficazes. “Na minha visão, a perspectiva é extremamente positiva, pela interação entre os conhecimentos adquiridos pelo Brasil e o que a tecnologia britânica pode trazer”, analisou.

Parceria é fundamental

Já para o Diretor do Departamento de Financiamentos e Economia de Defesa (Depfin), almirante Luiz Carlos Faria Vieira, a busca de parceria é fundamental para indústria de defesa por ser uma indutora de desenvolvimento econômico para o nosso país pelo grande potencial de exportação que possui. E um diálogo como o Brasil-Reino Unido serve para mostrar o potencial do nosso país aos demais.

Por comandante Cleber Ribeiro / Imagens & Vídeos Roberto Caiafa