Helicóptero de Ataque: Um Novo Vetor de Combate Para a Força Terrestre

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A Estrada da Morte em Basra, Iraque, 1991 - carnificina promovida pelos Apache.

Capitão Marcos Antônio Vilela Ferrão Da Silva (1° BAvEx)

I. Introdução
A evolução militar, tanto no campo estratégico quanto no campo organizacional, bem
como as plataformas de armamento que a sustentam, se desenvolvem a partir de três fatores chave:

– Experiência em combate;
-Incentivo ao desenvolvimento de técnicas, táticas e procedimentos (TTP) inovadores;
– Adaptação de tecnologias existentes ao campo militar.

Durante a Guerra do Vietnã as forças armadas americanas empregaram, em larga
escala, o helicóptero como um vetor de combate. A necessidade por uma aeronave que
suprisse a falta de poder de fogo existente nas aeronaves de ataque leve Bell UH-1 Iroquois, quando em apoio às tropas de superfície, levaram ao desenvolvimento de um helicóptero puramente vocacionado para missões de ataque.

(N.Y. Army National Guard photo by Sgt. Harley Jelis/Released)

O emprego dos Bell AH-1 Cobra, totalmente integrados a aviação do Exército Americano (US Army) e prestando apoio direto as tropas desdobradas em solo, deu uma nova perspectiva ao conceito de apoio aéreo aproximado1.

Anos depois, às 00h56 do dia 17 de janeiro de 1991, nove helicópteros Apache AH-64,
do Exército Americano, cruzaram a fronteira entre a Arábia Saudita e o Iraque. Utilizando-se das áreas de sombra2 do sistema de detecção iraquiano, infiltraram-se de forma furtiva,
realizando a destruição de um sítio de radares.

Tal ação gerou uma “brecha” nos sistemas de defesa antiaéreos iraquianos, através da qual, aeronaves de ataque de asa fixa pertencentes à coalizão liderada pelos EUA, puderam voar com grande impunidade.

Durante a realização dessa missão, os AH-64 foram acompanhados por três helicópteros MH-53J Pave Low, da Força Aérea Americana (USAF), os quais foram encarregados de fazer o reconhecimento das rotas que seriam empregadas pelas demais aeronaves.

Essa ação marcou o início das operações terrestres na Operação Desert Storm, na primeira Guerra do Golfo.

Conforme Newint (2017), no decorrer de 100 horas de combate, foram destruídos mais
de 500 carros de combate (CC) e veículos blindados iraquianos. Tal resultado foi obtido com a perda de apenas um AH-64, abatido pelo impacto direto de um tiro de RPG3.

Esse sucesso reforçou o papel dos helicópteros de ataque como uma potente arma quando corretamente empregados 4.

Embora a utilização de uma aeronave de asas rotativas vocacionada para esse tipo de
missão (ataque) não seja novidade em território nacional, vide o emprego do Mil Mi-35M2
pela Força Aérea Brasileira (FAB), o emprego da mesma pelo Exército Brasileiro (EB) traria
uma gama de capacidades até então inexistente na Aviação do Exército (AvEx).

Tomando a declaração do parágrafo anterior como ponto inicial, este artigo visa
apresentar o porquê da necessidade de aquisição deste tipo de aeronave pela AvEx, através de uma perspectiva do Exército.

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