Força Aérea intercepta aeronave com meia tonelada de cocaína

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Os restos do bimotor já sob a guarda da FAB e PMGO. (Foto: PMGO)

Na sequência da Operação Ostium, lançada para coibir voos irregulares ligados ao narcotráfico nas fronteiras do Brasil com a Bolívia e Paraguai, a Força Aérea Brasileira detectou, interceptou e aplicou as medidas de averiguação e tiro contra uma aeronave de pequeno porte voando de forma irregular entre os estados de Mato Grosso (região de fronteira) e Goiás (Planalto Central).

O bimotor matrícula PT-IIJ teria decolado da fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo de Parecis (MT), transportando pouco mais de meia tonelada de cocaína pura, segundo nota divulgada pela FAB, tendo como destino de pouso Santo Antônio Leverger, localizada também no estado de Mato Grosso.

Ocorre que a fazenda de onde teria ocorrido a decolagem de meia tonelada de cocaína está arrendada ao grupo empresarial Amaggi, que pertence ao ministro da Agricultura Blairo Maggi.

Diante das óbvias implicações políticas ligando um ministro de Estado a uma aeronave interceptada com meia tonelada de cocaína, a Amaggi esclareceu que “A região de Campo Novo do Parecis tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas, dada a sua proximidade com a Bolívia; a parte arrendada pela Amaggi na Fazenda Itamarati conta com 11 pistas autorizadas para pouso eventual (apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente) localizadas em pontos esparsos de 54,3 mil hectares de extensão; a empresa não tem qualquer ligação com a aeronave descrita pela Força Aérea e não emitiu autorização para pouso/decolagem da mesma em qualquer uma de suas pistas; tal vulnerabilidade acomete também outras fazendas localizadas na região”.

Diagrama da FAB explica a interceptação. (Arte: Agência Força Aérea)

 

Segundo a mesma nota, a empresa do ministro chegou a prestar apoio a uma recente operação da Polícia Federal (PF), quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 kg de entorpecentes em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da Amaggi, a qual resultou bem-sucedida.

Interceptado

A Força Aérea relatou que, às 13h17 do último domingo (25), o piloto de defesa aérea do A-29 Super Tucano identificou a aeronave suspeita e, seguindo o protocolo de policiamento aéreo, fez perguntas, por meio do radio, ao piloto do avião bimotor.

Na sequência, foi determinado que o bimotor mudasse de rota e pousasse no aeródromo de Aragarças, em Goiás. O alvo interceptado demonstrou que iria cumprir a ordem e veio para o pouso, porém, arremeteu e não respondeu mais às advertência da defesa aérea, iniciando evasão a baixa altura e grande velocidade.

Seguindo o protocolo, o caçador a bordo do A-29 Super Tucano deu um tiro de aviso (rajada lateral), medida de persuasão para forçar o piloto da aeronave “considerada hostil” a cumprir as determinações da defesa aérea. Para esse fim o caça está armado com um par de metralhadoras de 12,7mm nas asas.

A cabine do bimotor estava recheada com meia tonelada de cocaína. (Foto: PMGO)

Mesmo assim, o avião interceptado não voltou a responder aos contatos e disparos, realizando a seguir um pouso forçado (de barriga) na zona rural do município de Jussara, no interior de Goiás. O seu piloto evadiu-se por terra e está sendo procurado.

De acordo com a Força Aérea, o bimotor será removido para a sede da Polícia Militar em Jussara. Já a droga apreendida será encaminhada para a superintendência da Polícia Federal em Goiânia, capital do Estado de Goiás.

Operação Ostium

A Operação Ostium deverá prosseguir até o fim do ano e envolve a instalação temporária de radares móveis em cidades fronteiriças como Chapecó (Santa Catarina) e Corumbá (Mato Grosso do Sul); reforço das atividades aéreas nas bases da Força Aérea Brasileira (FAB) no centro oeste; e deslocamento de aeronaves militares (especialmente caças A-29 Super Tucano) para cidades como Cascavel e Foz do Iguaçu (Paraná) e Dourados (Mato grosso do Sul). Em todas essas cidades, tropas da Infantaria da Aeronáutica fazem a segurança de equipamentos e aeronaves.

 

Roberto Caiafa