Entrevista – Os russos estão de olho no Brasil

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Sergey Goreslavski (Vice-diretor-geral da Rosoboronexport)
Sergey Gorelavski, vice-diretor-geral da Rosoboronexport. (Imagem: Divulgação)

A ROSTEC, corporação estatal da Federação da Rússia que desenvolve, fabrica e exporta produtos industriais de alta tecnologia para uso civil e militar, planeja reforçar e ampliar a cooperação técnico-militar na América Latina, em especial com o Brasil, como já acontece em outros países como China e Índia.

Denominada “Embaixadora Industrial da Rússia”, a ROSTEC considera o Brasil parceiro estratégico. Sobre os planos que a corporação tem para desenvolver seus negócios, o repórter Ivan Plavetz, de Tecnologia & Defesa, com a colaboração da assessoria de imprensa da Rostec, entrevistou Sergey Gorelavski, vice-diretor-geral da Rosoboronexport, organização estatal russa responsável pelas operações de exportação e prestação de serviços internacionais na área técnico-militar.

Baseado em Moscou, Gorelavski disserta, entre outros assuntos, sobre a adaptação das empresas russas à economia de mercado, a implantação de um sólido sistema de prestação de serviços de suporte pós-vendas e o comprometimento do conglomerado com relações de cooperação bilateral tecnológica de longo prazo.

TECNOLOGIA & DEFESA – Nas últimas décadas, os esforços de aproximação da indústria russa de alta tecnologia com os brasileiros não alcançaram o sucesso esperado, especialmente na área militar. Do ponto de vista da Rostec, o que vem mudando? O que faz os russos acreditarem na evolução dessas relações?

Sergey Goreslavski – Eu gostaria de lembrar que a corporação Rostec foi fundada há relativamente pouco tempo (um pouco mais de 7 anos), e na maior parte da nossa existência fomos forçados a nos envolver na recuperação do complexo militar-industrial (CMI) da Rússia.

A maioria das empresas não conseguiu se adaptar totalmente à economia de mercado e permaneceram durante 15 anos, após o colapso da União Soviética (URSS), em completa inércia. Deveríamos não só recuperar o fluxo e força de trabalho perdidos, mas também revitalizar o sistema de gestão do setor.

Durante esses anos foi mudada toda a organização da indústria e da corporação.Para efeitos de comparação, em 2007, as perdas das empresas que compõem a Rostec foram de 20 bilhões de rublos, enquanto que, em 2013, o lucro líquido atingiu 40 bilhões de rublos e a receita total ultrapassou 1 trilhão de rublos.

A combinação de cerca de 700 empresas em um único conglomerado potencializou a nossa força. Hoje, a Rostec está afastando-se do papel de um mero vendedor de produtos acabados. O potencial da corporação permite ainda oferecer aos parceiros mundiais possibilidades praticamente ilimitadas de adaptação e modificação de nossas soluções, incluindo a criação de produtos inovadores, visando às exigências e interesses do cliente.

Eu gostaria de enfatizar que estamos falando sobre o sistema de interação, o que implica na utilização da capacidade de produção e as soluções técnicas do cliente, transferência de tecnologia, realização conjunta de investigação científica, atividades de desenvolvimento e organização do serviço pós-venda. No total, criamos mais de 20 empreendimentos conjuntos com empresas estrangeiras que produzem automóveis, equipamentos de telecomunicações, máquinas, ótica, motores de turbina a gás, etc.

A Rostec realiza atividades econômicas externas cotidianamente, atraindo empresas estrangeiras de investimento, detentoras e desenvolvedoras de tecnologias avançadas. Entre os parceiros da corporação estão líderes mundialmente reconhecidos, tais como Boeing, Airbus, Daimler, Pirelli, Aliança Renault-Nissan, General Electric, Siemens, Safran, Thales, Finmeccanica, Alcatel-Lucent, Agusta Westland, Sagem, Rohde & Schwarz, Rolls-Royce, Pirelli, STX Europe, entre outros.

Nós cooperamos com os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Japão. Nas condições de sanções impostas contra a Rússia, lançamos projetos com a General Electric e com a SK Energy da Coréia do Sul, além de celebramos acordos com corporações da China e ampliarmos a cooperação com a Índia.

Exatamente neste contexto, estamos em contato hoje com os nossos colegas brasileiros com quem partilhamos uma visão comum para o desenvolvimento futuro da cooperação internacional na esfera de altas tecnologias. Com base em nossa experiência e nas oportunidades que se abrem diante da Rússia e do Brasil através da cooperação – no que se refere à tecnologia de ponta -, podemos dizer, com certeza, que o progresso nas nossas negociações é apenas uma questão de tempo.

T&D – Em quais áreas são vislumbradas perspectivas concretas de desenvolvimento a longo prazo no Brasil?

Goreslavski – Estamos estabelecendo uma cooperação com o Brasil e negociamos em diferentes direções. Uma delas, em particular, é a expansão da cooperação no domínio da indústria aeronáutica, principalmente no ramo de helicópteros.

A Rostec já forneceu para o Brasil máquinas (helicópteros) civis e militares e agora estudamos a estruturação e implementação das oficinas de manutenção que, por sua vez, fornecerão peças de reposição. Isso eleva a possibilidade de expandirmos a frota brasileira, em especial com nossos helicópteros das séries Mi (Mil) e Ka (Kamov). Outra área promissora é o conceito “Cidade Segura”. Durante a LAAD 2015, apresentamos aos potenciais clientes brasileiros o exemplo de integração de inúmeras soluções de alta tecnologia criadas pelas “holdings” da Rostec.

Essas soluções resultam em um sistema integrado de informação e de telecomunicações denominado “Cidade Segura”, que fornece meios para uma ação eficaz, além de previsão e prevenção de incidentes e infrações, incluindo a segurança no âmbito de eventos, tais como os Jogos Olímpicos.

O “Cidade Segura” possui uma estrutura modular. A partir de um único centro é possível monitorar toda a infraestrutura de transportes e serviços de uma cidade, desde redes telefônicas fixas e móveis até redes sociais, bem como utilizar os sistemas de reconhecimento de voz, governo-eletrônico e o controle do espaço aéreo (monitoramento de aeronaves).

Os nossos meios de defesa antiaérea também podem se tornar a base da defesa antiaérea do Brasil. Em particular, estamos falando sobre o sistema de artilharia antiaérea Pantsir-S1. As negociações já estão em estágio bem avançado. Temos ainda o fornecimento de sistemas portáteis de lançamento de mísseis Igla-S, já bastante conhecidos no Brasil.

Estamos trabalhando com várias formas de cooperação nesta área, desde a venda de solução pronta até o desenvolvimento em conjunto do produto final, incluindo a transferência completa de tecnologia para o desenvolvimento independente por parte do cliente.

É importante enfatizar ainda que o Brasil está ampliando atualmente a segurança das suas fronteiras terrestres e marítimas, e vemos um grande potencial de cooperação neste setor. A Rússia, assim como o Brasil, é um país de amplo território, uma parte substancial do qual não é caracterizada por uma elevada densidade de população e com condições naturais favoráveis.

Isso nos permite gerar uma experiência significativa no campo dos sistemas de controle automatizados. Em particular, no Brasil, estamos promovendo o sistema de radar Podsolnukh-E, que pode ser integrado ao sistema de controle criado para zona marítima, em especial à costa brasileira. Temos também o projeto de desenvolvimento da infraestrutura costeira SisGAAz. Nós estamos aguardando o início do programa e já realizamos negociações técnicas preliminares sobre este tema. Vale destacar que o SisGAAz não é só capaz de detectar e rastrear as instalações aéreas e marítimas a uma distância de 450 km, mas também emitir automaticamente os dados de posição das mesmas, determinando os parâmetros de movimento e o tipo de instalações, transmitindo as informações de forma digital para os postos de comando.

T&D – O Brasil possui um conjunto de relações técnico-industriais internacionais bastante eclético e, em alguns casos, bem consolidadas, como é o caso dos Estados Unidos, França, Itália e Suécia. De que forma a Rússia pretende ocupar espaço nesse contexto?

Goreslavski – A cooperação internacional na realização de projetos de larga escala no ramo de tecnologias de ponta é um processo natural da divisão do trabalho e do esforço financeiro, sem o qual, no contexto de hoje, nenhum dos lados é capaz de se qualificar para a criação de produtos competitivos. Neste sentido, só podemos saudar o desenvolvimento da cooperação entre o Brasil e esses países, cuja maioria nós também mantemos relações bastante frutíferas.

Um exemplo é a cooperação com a empresa norte-americana Boeing. Nós desenvolvemos ligas, e parte do titânio que produzimos é utilizado na criação dos aviões civis da empresa. Com a Thales e Sagem, temos cooperado – por muitos anos – na criação de câmaras termográficas e de equipamentos de observação e aviônica, incluindo produtos acabados fornecidos a outros países.

Nossa “holding” Technodinamika colabora com a empresa norte-americana Curtiss-Wright Controls na criação do sistema de proteção contra incêndios para aviões de passageiros. Já com a italiana Finmeccanica temos uma parceria estratégica para coprodução de helicópteros médios AW189, fornecidos para a maior [empresa] petrolífera da Rússia.

A lista de parcerias pode se estender consideravelmente. Todas essas competências industriais adquiridas conjuntamente com outras empresas estão prontas para serem utilizadas na elaboração de propostas para novos e futuros projetos no Brasil.

Além disso, nossa experiência nos permite incorporar as soluções tecnológicas produzidas pelas “holdings” da Rostec em sistemas já existentes, assim como modernizar ou reparar os equipamentos em outros países. Esta é uma das maneiras de entrar no mercado onde outras nações já predominam. Um exemplo é a Technodinamika que, por sua vez, possui competência para reparar aeronaves Boeing e Airbus por meio de centros de serviços. Já a Azimut, que também integra a Rostec, possui soluções que permitem modernizar o controle de tráfego aéreo já instalado no Brasil. A empresa está pronta para transferir tecnologia e todo o seu sistema, o que nos diferencia dos demais concorrentes que atuam no mercado brasileiro.

Outro fato interessante é nossa entrada em países onde concorrentes não possuem tecnologias semelhantes. O sistema de artilharia antiaérea Pantsir-S1 é um grande exemplo. Destacamos também nossos helicópteros Mi-28NE, com tecnologia de ponta, projetados para a guerra centrada em redes, são equipados com cabine de vidro, armas de precisão protegidas contra interferências e capazes de trabalhar a qualquer hora do dia, além da integração dos mais poderosos meios de guerra eletrônica.

T&D – Falando sobre Forças Armadas, existe um preconceito ,mesmo que discreto, em relação a equipamentos de produção russa. Ao mesmo tempo, tem se observado que os poucos itens militares de origem russa adquiridos pelo Brasil abrem a oportunidade de se introduzir armamentos que até então o País não possuía, seja pelo alto custo, ou até mesmo por questões políticas. Do ponto de vista da Rostec, quais áreas das Forças Armadas do Brasil podem evoluir criando laços com a Rússia?

Goreslavski – Começamos a cooperação com o Brasil somente a partir de meados dos anos de 1990 e, mesmo assim, eram apenas os sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS). Mais tarde, apareceram helicópteros, sistemas de defesa aérea e pequenos fornecimentos de nossos veículos blindados Tiger. Tudo isso foi apenas o começo. Os militares brasileiros estão lidando com uma tecnologia completamente nova, e o processo de adaptação é normal.

Outro aspecto que pode influenciar para a qualidade dos produtos russos é a falta de manutenção adequada e, às vezes, a ausência completa de suporte pós-venda, o que era a característica dos fornecedores russos, quando a Rostec ainda não existia. Contudo, temos observado mudanças significativas. Agora, qualquer contrato implica, automaticamente, na criação de uma rede de centros de serviços.

Quanto ao preço, você está absolutamente certo! Como resultado da desvalorização do rublo, que ocorreu no final do ano passado, os preços dos bens produzidos na Rússia diminuíram significativamente. No entanto, consideramos esta situação apenas como um pequeno bônus. A principal vantagem competitiva dos nossos equipamentos são as suas confiabilidade e capacidades únicas.

A cooperação com a Rússia permitirá aumentar significativamente as capacidades de defesa aérea do Brasil. Como eu já disse, estamos nos movendo nessa direção. Começamos com o MANPADS. Agora discutimos a entrega do sistema Pantsir-S1, junto com a perspectiva da sua integração ao sistema “Cidade Segura”. Neste sentido, estamos vendo uma tendência muito interessante. Digo isso pois há uma situação semelhante que já ocorreu com os helicópteros. A aplicação bem-sucedida dos Mi-35M permitiu no passado à Rostec oferecer às Forças Armadas do Brasil um novo helicóptero de combate produzido pela Russian Helicopters, o Mi-28NE Night Hunter.

Esperamos ainda desenvolver as nossas relações no domínio da criação de veículos blindados, cuja base pode ser a execução bem sucedida do contrato para o fornecimento do Tiger para atender às necessidades das Polícias Militares do Brasil. Além disso, oferecemos aos nossos colegas brasileiros o sistema de mísseis anticarro Kornet-E, que já estão em serviço em 12 países, incluindo o Exército Russo. O lançamento de míssil deste conjunto é orientado por laser, sendo capaz de atingir alvos a uma distância de 5,5 km. Levando em conta esta distância, o Kornet-E é capaz de penetrar numa blindagem dinâmica de até 1.200mm de espessura. Este conjunto, ao contrário da maioria dos similares no mundo, oferece a garantia de atingir qualquer carro de combate moderno a partir de qualquer ângulo de lançamento.

T&D – Em se tratando de compras de produtos de defesa para o Brasil há uma questão delicada em relação à transferência de tecnologia para o desenvolvimento e apoio à indústria local. A Rússia está pronta para transferir tecnologia ao Brasil e de que tipo seriam? Essa transferência seria completa?

Goreslavski – Todas as nossas ofertas são focadas no desenvolvimento da competência industrial do Brasil. No âmbito de negociações, em todas as questões mencionadas por mim, nós consideramos a possibilidade de envolver a indústria brasileira e, inclusive, de transferir tecnologia. Ao mesmo tempo, nós estamos sempre dispostos a testar nossos produtos em relação aos riscos não declarados para o cliente, a fim de criar a solução mais adaptada às suas necessidades.

A transferência parcial de tecnologias é possível tanto no ramo dos sistemas de defesa aérea, quanto das armas de precisão, além dos meios de automatização do controle de tráfego aéreo.

Um dos exemplos de transferência de tecnologia é a criação do centro de assistência técnica no Brasil para manutenção de helicópteros Mi-35M. De fato, após a sua abertura, o lado brasileiro será capaz de executar, de forma independente, os reparos médios de helicópteros “Mi”, incluindo dos sistemas da propulsão (motores, entre outros) e de bordo. A transferência parcial das tecnologias é possível também no que diz respeito aos sistemas de defesa aérea e armas de precisão.

É importante destacar que estamos abertos para negociações em outras áreas. Estamos prontos para o desenvolvimento colaborativo, que originalmente significa a transferência de nossas competências e “know-how”. Levando em consideração a extensa base científica e uma vasta experiência das empresas da Rostec, podemos dizer que os nossos parceiros certamente obterão soluções adequadas de acordo com 100% de suas necessidades. Isto se aplica tanto ao componente funcional quanto ao preço.

T&D – A Russian Helicopters gostaria de competir no mercado brasileiro de helicópteros trabalhando no campo da segurança? Que propostas merecem destaque?

Goreslavski – A Rosoboronexport é um organização que tem para oferecer ao mercado de exportação uma variada gama de helicópteros produzidos pela Russian Helicópters, tais como os Mi-171Sh, Mi-35M e Mi27NE.

T&D – Acaba de ser inaugurada a primeira etapa do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Um projeto dessa envergadura, implantado ao longo de fronteiras quase que totalmente localizadas em regiões isoladas e inóspitas, demanda sistemas de mobilidade específicos, incluindo aéreos com grande capacidade de transporte e grande autonomia. Há informações de que o Exército Brasileiro estaria propenso a adquirir um modelo de helicóptero de grande porte. A Rostec (ou Rosoboronexport) já foi consultada a respeito ou formulou alguma oferta?

Goreslavski – O Mi-26 é uma parte da nossa oferta no desenvolvimento da cooperação técnico-militar entre a Rússia e o Brasil. Esta máquina é o maior helicóptero do mundo e o mais adequado para funcionar nas condições do Brasil. Ele é capaz de transportar até 20 toneladas de carga ou 82 militares armados.

Recentemente, houve uma grande modernização da máquina e, após isso, ela recebeu o nome de Mi-26T2. Uma característica de destaque das novas modificações é a instalação do conjunto aviônico BREO-26, o qual permite que apenas dois pilotos controlem a aeronave, uma máquina tão alta quanto uma casa de três andares. Além disso, na aviônica do Mi-26T2 podem ser integrados sistemas de vigilância para atuar em qualquer hora do dia, além de sistema de comunicações modernos e sistemas de controle de bordo. Graças ao novo conjunto BREO, os voos do Mi-26T2 podem ser efetuados sem qualquer restrição de horário e em condições meteorológicas adversas.

T&D – Foram veiculadas notícias informando que a Rostec poderá incorporar alguns equipamentos de produção brasileira na aeronave de treinamento e de combate Yak-130, com base em negociações iniciais realizada com a Mectron, subsidiária da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Esta iniciativa é uma contrapartida com relação à aquisição do Pantsir-S1 pelas Forças Armadas do Brasil? Como estão as negociações sobre este assunto?

Goreslavski – Juntamente com a Mectron, nós realmente estamos trabalhando na possibilidade de adaptar alguns equipamentos de produção brasileira ao Yak-130. Atualmente, estamos aguardando a aprovação do projeto pela liderança militar brasileira.

T&D – O senhor gostaria de efetuar algum comentário adicional ao tema explorado nesta entrevista?

Goreslavski – A Rostec está construindo a cooperação entre Rússia e Brasil, não apenas focando no fornecimento direto de produtos, mas também nas competências complementares de parceiros industriais e na possibilidade de transferência de tecnologia para a produção licenciada ou adaptação das nossas soluções.

Estamos trabalhando em uma série de projetos nas esferas militar e civil por meio de parcerias múltiplas no âmbito dos países do BRICS. Um bom exemplo para o desenvolvimento da cooperação técnico-militar é a que ocorre na esfera civil. Agora, em particular, negociamos o fornecimento na África do Sul de micro-ônibus produzidos pela “joint-venture” formada entre a russa KAMAZ e a brasileira Marcopolo.

Justamente nessa direção, queremos desenvolver as nossas relações no ramo da cooperação técnico-militar. Em especial, vemos potencial na combinação de esforços para construir competências na área de mísseis entre nossos parceiros Odebrecht Tecnologia e Defesa e a sul-africana Denel.

A interação com a Denel já está em andamento no acordo de cooperação. Ao mesmo tempo, em 2013, a Russian Helicopters, juntamente com a Denel, criou, em Johanesburgo, o centro da reparação e manutenção de helicópteros civis. Outra “holding”, a Tehmash, também pertencente à Rostec, fechou contrato para o fornecimento a este país do conjunto multifuncional de arma de destruição limitada Osa e munições de treinamento.

A chave para a viabilidade de possíveis projetos trilaterais entre a Rússia, a África do Sul e o Brasil é a utilização do potencial político e econômico dos países membros do BRICS e a criação de um banco de desenvolvimento pelas nações que integram o grupo.