Entrevista com Ruben Lazo, Vice-Presidente da Thales Latin America, FIDAE 2018

0
752
Com uma história de 50 anos na América Latina, a empresa é referência nos mercados aeroespaciais, apoiando as ambições de seus clientes de proteger o seu espaço aéreo com mais de 200 radares ATC (Controle de Tráfego Aéreo) em nove países da região e mais de 30 radares ATM (Gerenciamento de Tráfego Aéreo) no Chile, México e América Central.

 

A Thales, empresa líder mundial em tecnologia nos mercados Aeroespacial, Espacial, Defesa, Transporte e Segurança, está apresentando suas mais avançadas soluções tecnológicas para a indústria de Defesa durante a 20ª edição da FIDAE – Feira Internacional do Ar e do Espaço, realizada de 3 a 8 de abril em Santiago do Chile.

Com uma história de 50 anos na América Latina, a empresa é referência nos mercados aeroespaciais, apoiando as ambições de seus clientes de proteger o seu espaço aéreo com mais de 200 radares ATC (Controle de Tráfego Aéreo) em nove países da região e mais de 30 radares ATM (Gerenciamento de Tráfego Aéreo) no Chile, México e América Central.

A Thales também implantou programas aeroespaciais importantes para a América Latina, como a entrega em órbita do SGDC (1º Satélite Geoestacionário Brasileiro para Comunicações e Defesa), além de apoiar ativamente o desenvolvimento da Indústria Espacial Brasileira, liderando a Transferência de Tecnologia (ToT) para empresas locais.

Durante esta edição da FIDAE, a Thales apresenta suas soluções mais avançadas de defesa do espaço aéreo em uma experiência digital e interativa. Também demonstra seus produtos tecnológicos de ponta que complementam o portfólio da empresa para sistemas de defesa aéreos e terrestres.

O estande da Thales na FIDAE 2018: Destaque para o radar Ground Master e para o satélite de observação terrestre (radar).

Tecnologia & Defesa entrevista Ruben Lazo, vice-presidente da Thales Latin America.

T&D: Qual a importância do mercado Latino Americano, e no caso, do Chile, para a Thales na atualidade?

RL: “A FIDAE é um evento muito importante em nosso calendário e estamos muito satisfeitos em participar da edição de 2018. A América Latina é uma região prioritária, por contribuir constantemente para o crescimento global da empresa. Continuaremos a expandir nosso portfólio de produtos no Chile por meio de nossa sólida presença local e novas parcerias estratégicas para melhor atender nossos clientes”.

T&D: O que Thales mostra na FIDAE 2018 que se aplica ao Brasil especificamente?

RL: “A Thales participou de todas as edições da feira, o que demonstra nosso compromisso com a região há muitas décadas. De fato, estaremos completando 50 anos de Brasil e América Latina em breve, uma marca importante que iremos celebrar com muito orgulho. Temos aqui todas as nossas competências no setor aeroespacial, e uma parte dessas capacidades são produzidas no Brasil, especialmente radares. Também destacamos a nossa capacidade de integração, de controlar nossos radares e outros sensores, conectados a centros de comando e controle que recebem um enorme fluxo de informações de sensores, veículos terrestres e uav´s ou drones. Temos o conhecimento para trazer a informação dos sensores para as telas dos centros de comando e controle de forma fluida rápida e eficaz. A chave para isso vem alguns pilares fundamentais das novas tecnologias, e o primeiro deles é a digitalização, que está diretamente relacionado com o segundo pilar, a cyber defesa ou defesa cibernética (introduzida ou sendo adicionada a praticamente todos os produtos Thales), e o terceiro pilar, que é a conectividade. Está última não pode se desenvolver sem a segurança proporcionada por boas defesas cyber, e assim a digitalização de processos segue um caminho inexorável de evolução constante, o que requer sistemas cada vez mais capazes, ágeis e dinâmicos, o que nos leva ao quarto pilar, a capacidade de processar esse grande volume de informação, o chamado “Big Data”. Por fim, o quinto pilar, tão importante quanto os demais, é o uso cada vez maior da AI ou inteligência artificial, capaz de apoiar tomadores de decisão disponibilizando tudo de forma organizada, rápida e mostrando ao operador somente aquilo que realmente ele precisa para decidir por esta ou aquela ação requerida rente a uma ameaça qualquer. A melhor decisão no momento exato, o chamado “real time”.

T&D: Nos últimos 12 meses a Thales fez uma série de aquisições, incorporando a Sysgo, Vormetric, Guavus e Gemalto, empresas líderes nos segmentos de atuação afetos aos pilares citados. O que esse movimento agressivo de posicionamento de mercado significa?

RL: Com essas compras, a Thales aumentou significativamente o seu portólio de tecnologias digitais, investindo bilhões de euros em conectividade, segurança cibernética, análise de dados e inteligência artificial, em particular com a aquisição da Sysgo, Vormetric e Guavus. Sediada em San Mateo, no Vale do Silício, Califórnia, a Guavus é uma empresa que emprega 250 pessoas, das quais 60 estão na Califórnia, 50 em Montreal (Canadá) e 140 em Gurgaon (Índia). A Guavus desenvolveu uma plataforma industrial de Big Data especialmente adaptada à análise de dados em tempo real e projetada para ser facilmente implementada. A integração da Gemalto a essas aquisições visou acelerar fortemente essa estratégia, reforçando a oferta digital da Thales em seus cinco mercados (aeronáutica, espaço, transporte terrestre, defesa e segurança).  A Gemalto (empresa fabricante de chip holandesa) ao ser adquirida abriu o caminho para obtermos a liderança mundial no setor de segurança digital. Como consequência dessas aquisições, a Thales ultima os preparativos para a criação de um Centro de Excelência em Inteligência Artificial no Canadá.

T&D: A Thales está a desenvolver um satélite próprio. Qual seria a finalidade dessa iniciativa?

RL: A Thales, até pela sua verve inovadora, sempre destinou pelo menos 20% do seu faturamento para investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas. Um desses investimentos é lançar um satélite em parceria com um cliente, a SES, para oferecer aos usuários de todas as Américas conectividade total em aeronaves comerciais. Esse conceito, denominado FlytLive, está revolucionando as viagens aéreas ao colocar a experiência em voo diretamente nas mãos dos passageiros. Por meio de um ecossistema de aplicativos e serviços, os passageiros têm acesso ao que desejam quando querem – de simples mensagens e mídias sociais a streaming de conteúdo completo, incluindo televisão ao vivo. Seja buscando entretenimento, educação, uma experiência de compras ou conduzindo negócios, a FlytLive oferece conectividade de passageiros comparável àquela vivenciada em casa ou no trabalho. De forma simples, eficiente e segura.

T&D: A Thales comemorará em breve um ano do lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações, o SGDC. Ao mesmo tempo, alcança a significativa marca de 50 anos de presença no Brasil e América Latina. Isso é um indicativo de que a empresa sempre acreditou no País, mesmo nos momentos de crise?

RL: Certamente. Nossa história nesses 50 anos é a prova desse compromisso. Temos uma presença consolidada, ajudamos a “radarizar” o País e desenvolvemos o controle de tráfego aéreo e a defesa aérea, em estreita colaboração com o Comando da Aeronáutica, entre outras marcas importantes. No dia dois de maio próximo, vamos celebrar uma grande vitória para a Thales, um ano do lançamento do SGDC. Na atualidade, o satélite está com seu sinal sendo disponibilizado mediante a instalação de antenas satelitais em centenas de municípios localizados em regiões inóspitas do território brasileiro. Agora, a Thales está oferecendo ao Brasil o desenvolvimento e lançamento de um satélite de observação da Terra usando tecnologia radar de sensoreamento, pois essa modalidade é imune a presença de nuvens e formações meteorológicas, ao contrário dos satélites ópticos. A Thales está oferecendo um satélite de observação e as tecnologias associadas de transmissão das imagens geradas e seu processamento/interpretação.

T&D: Qualé o posicionamento da Thales com relação ao RFP da Classe Tamandaré, a nova corveta da Marinha do Brasil?

RL: Esse é um projeto que interessa muito, temos todas as tecnologias requeridas para atender a Marinha do Brasil. Estamos mantendo conversações com todos os envolvidos nesse programa, já que a Thales é líder mundial em sonares e nossa subsidiária brasileira, a Omnisys, já está capacitada para fabricar no Centro de Excelência de Sonares (São Bernardo do Campo) os trasdutores sonares usados no sonar King Clip. Tomamos essa decisão estratégica de investir em sistemas navais de alta tecnologia no Brasil antecipadamente, e hoje estamos muito bem posicionados para atender quaisquer necessidades da Marinha do Brasil ou de clientes de exportação. A Thales hoje está presente em mais de 500 navios militares de combate, de cerca de sessenta marinhas. Nossa expertise nessa área também inclui radares de emprego naval, e estamos prontos para realizar uma ampla transferência de tecnologia para o Brasil, ajudando no desenvolvimento desse programa de grande importância para a indústria brasileira e a Marinha do Brasil.

Entrevista concedida a Roberto Caiafa durante a FIDAE 2018.