Embraer divulga resultados correspondentes ao 4º trimestre de 2015

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Embraer confirmou venda de A-29 Super Tucano para o Líbano. (Imagem: Embraer)

O Grupo Embraer divulgou na última quinta-feira (03) balanço dos resultados obtidos no 4º trimestre de 2015. A seguir, reproduzimos os principais destaques e um panorama das atividades da divisão de Defesa & Segurança (EDS) da corporação.

Destaques

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(Imagem: Embraer)

– No 4º trimestre de 2015 (4T15), a Embraer entregou 33 aeronaves comerciais e 45 executivas (25 jatos leves e 20 grandes). No ano, a companhia entregou um total de 101 aeronaves comerciais, superando sua estimativa anual e 120 aeronaves executivas (82 jatos leves e 38 jatos grandes), alcançando sua estimativa de entregas para 2015;

– A Receita líquida atingiu R$ 7.994,8 milhões no 4T15 e R$ 20.301,8 milhões no ano, atingindo as estimativas da companhia para o ano;

– As margens EBIT1 (corresponde ao resultado operacional) e EBITDA (corresponde ao resultado operacional acrescido da depreciação e amortização)  atingiram 3,1% e 7,9%, respectivamente, no 4T15 e no ano ficaram em 5,4% e 10,7% respectivamente;

– Excluindo-se a provisão relacionada ao pedido de concordata da Republic Airways Holdings, no 4T15 as margens EBIT e EBITDA seriam de 8,0% e 12,8% e no ano seriam de 7,4% e 12,6% respectivamente. A Margem EBITDA ajustada (excluindo-se os itens não recorrentes) ficou dentro das estimativas anuais da companhia de 12,6% a 13,6%, embora a margem EBIT tenha ficado abaixo da estimativa para 2015;

– A Geração livre de caixa no 4T15 foi de consistentes R$ 2.551,8 milhões, encerrando o ano em R$ 1.244,6 milhões, bem acima do Uso livre de caixa apresentado em 2014 de R$ 823,8 milhões. A Embraer encerrou 2015 com Caixa líquido de R$ 28,4 milhões, comparada à dívida líquida de R$ 102,6 milhões em 2014;

– No 4T15, a Embraer apresentou Lucro líquido de R$ 425,8 milhões e Lucro por ação de R$ 0,5832 (R$ 683,6 milhões e R$ 0,9362, excluindo impostos diferidos e provisão relacionada ao pedido de concordata da Republic). No ano, o Lucro líquido total foi de R$ 241,6 milhões e o Lucro por ação ficou em R$ 0,3309 (R$ 499,4 milhões e R$ 0,6839 excluindo esses mesmos itens);

– Para 2016, a estimativa da companhia é de atingir Receita líquida de US$ 6,0 a US$ 6,4 bilhões, impulsionada pelas entregas estimadas de 105 a 110 jatos na Aviação Comercial, de 40 a 50 jatos grandes e de 75 a 85 jatos leves na Aviação Executiva e pela receita de US$ 0,70 a U$ 0,75 bilhão no segmento de Defesa & Segurança.

Defesa & Segurança

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De acordo com a Embraer, KC-390 excede as expectativas do projeto. (Imagem: Embraer)

Em consonância com o seu compromisso de fortalecimento do sistema de defesa e segurança do Brasil, a Embraer Defesa & Segurança (EDS) vem consolidando sua presença e afirmando sua capacidade de realização frente aos projetos estratégicos nacionais.

A empresa oferece em seu portfólio de produtos as aeronaves A-29 Super Tucano, de ataque leve e treinamento avançado, e KC-390, de transporte militar multimissão, oferece uma linha completa de soluções integradas e aplicações de Comando e Controle (C4I), radares, ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e espaço. Isso inclui sistemas integrados de informação, Militares da FAB treinam reabastecimento em voo durante exercício operacional comunicação, monitoramento e vigilância de fronteiras, bem como aeronaves para transporte de autoridades e missões especiais. Com crescente atuação no mercado global, os produtos e soluções da EDS estão presentes em mais de 60 países.

Em outubro de 2015, o KC-390 entrou em campanha de voo, apresentando resultados acima das expectativas: operação em todo envelope de altitude e velocidade; operação com todos os flaps, excelente qualidade de voo e pouso; alta maturidade dos sistemas e finalização dos ensaios de impacto de pássaros. A segunda aeronave protótipo encontra-se em fase de montagem final e deu-se o início da produção das primeiras aeronaves de série.

Com relação ao Projeto F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB), em outubro de 2015, a Embraer enviou o primeiro grupo de brasileiros para o início do processo de transferência de tecnologia e já iniciou as obras do Centro de Projeto e Desenvolvimento do Gripen na planta industrial de Gavião Peixoto, no Estado de São Paulo.

A Atech Negócios em Tecnologia S.A finalizou a fase de definição, procura e contratação dos principais fornecedores do programa LABGENE (Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, da Marinha do Brasil), bem como a continuidade da atualização dos centros de controle de trafego aéreo no Brasil, com implementação de versões atualizadas dos sistemas em quatro centros de controle. Também foi concluída a primeira fase da implementação do sistema de gestão de tráfego aéreo (SkyFlow) na Índia.

O Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), cuja integração está sob responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, continua com o seu cronograma, bem como todas as entregas contratuais, aderentes ao planejado. Foram iniciadas as instalações das antenas de 13m para controle do satélite e realizada a junção entre a plataforma do satélite e o módulo de comunicação (carga-útil) iniciando assim o ciclo de integração e testes do satélite.

A Savis Tecnologia e Sistemas S.A., empresa contratada pelo Exército Brasileiro para a execução da integração e implantação do Projeto Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) prosseguiu em seu terceiro ano de implantação, finalizando 2015 com mais de 50% da execução do projeto.

Com relação a Bradar, em dezembro de 2015, celebrou Acordo de Cooperação com o Centro Tecnológico do Exército – CTEx; a Fundação de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – Exército Brasileiro – FAPEB, visando à execução da quarta, e última, etapa do projeto do Radar de vigilância aérea SABER M200.

No final de 2015, a EDS em conjunto com a AEL Sistemas S.A. e a Avibras Divisão Aérea e Naval S.A decidiram encerrar as atividades da Harpia Sistemas S.A., joint venture formada em setembro de 2011 com o objetivo de explorar o mercado de veículos aéreos não-tripulados. O modelo adotado nesta parceria estava voltado para a execução imediata deste projeto e a definição pela dissolução deve-se a mudança do cenário nacional que motivou a reprogramação destas demandas pelas Forças Armadas Brasileiras. A Embraer entende a importância deste projeto para o Governo Brasileiro e está disposta a suportar o programa de acordo com o planejamento do Ministério da Defesa. Medidas estão sendo tomadas para a garantia de preservação das tecnologias e conhecimentos já desenvolvidos.

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Preparativos para participação no programa do caça Gripen NG já estão em andamento. (Imagem: Saab)

Dentre as realizações no cenário internacional, a EDS prosseguiu com entregas dos A-29 Super Tucano para o programa LAS (Light Air Support, ou Apoio Aéreo Leve), da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), totalizando 11 entregas em 2015.

Foi confirmada, também, pela República do Líbano, a aquisição de seis aeronaves turboélice A-29 Super Tucano da Embraer Defesa & Segurança e da Sierra Nevada Corporation (SNC).

Mais recentemente, já no início de 2016, o jato executivo Phenom 100 foi selecionado para realizar o treinamento dos pilotos das forças armadas do Reino Unido em aeronaves multimotor. O contrato assinado com a Affinity Flight Training Services prevê a aquisição de cinco aeronaves para o programa Military Flight serviços e opções para aeronaves adicionais.

A Embraer Defesa & Segurança fechou o ano com US$ 4,7 bilhões em sua carteira de pedidos firmes.

Com relação ao corrente ano, a EDS continuará a avançar na execução dos programas existentes, incluindo o KC-390, o Sistema de Monitoramento Integrado de Fronteiras (SISFRON), o Super Tucano LAS e o satélite (SGDC). No entanto, a Companhia espera um declínio das receitas de 2016 nesse segmento, devidos aos ajustes feitos nos programas em meados de 2015 bem como uma taxa de câmbio com um Real desvalorizado que deverá pressionar a receita do segmento quando reportada em dólares.

Ivan Plavetz