Editorial

Onde está Wally? Ou, cadê a Polícia?

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Caros Amigos e Leitores,

Terminamos mais um feriado prolongado, o da passagem de ano, e apesar da grande incógnita com que 2016 se apresenta aos brasileiros, esta primeira grande folga do “generoso” (em termos de trabalho) calendário nacional trouxe, mais uma vez, algo já bem conhecido de todos: os arrastões promovidos pela bandidagem nos inevitáveis congestionamentos do trânsito nas rodovias; esses, aliás, provocados pelo excesso de veículos, ou simplesmente pela ousadia sem fim dos bandidos.

Assim, os noticiários nos apresentam relatos de pessoas desesperadas, indefesas, de passeios que se transformam em tragédias resultantes de uma sanha assassina que só parece aumentar em virtude da quase total impunidade alimentada pela legislação pífia e mal aplicada que existe no Brasil. E, também, por algo que entristece ainda mais, a omissão, a falta de prevenção, o descompromisso.

Ora, não é de hoje que essas situações são registradas e, invariavelmente, nos mesmos lugares. Então fica a pergunta, onde está o planejamento para se fazer frente a tais ações?

Nós, de Tecnologia & Defesa, que de há muito encampamos em nossa pauta os assuntos pertinentes à segurança pública (como demonstramos em nosso editorial anterior, nesta página do site) e que sempre procuramos mostrar a atividade policial de forma técnica, esclarecedora, e mesmo de divulgação de fatos altamente meritórios, estamos perfeitamente à vontade, também, para tecer críticas ou cobrar esclarecimentos quando necessário.

Nessa linha, e sem a descabida pretensão de querer “ensinar ” o ofício a quem é profissional, e fruto de nossas observações nas muito constantes viagens que empreendemos, principalmente no eixo São Paulo-Rio de Janeiro e São Paulo-Brasília, temos notado que, após a incorporação de maiores recursos tecnológicos – como a vigilância por câmeras – o “modus operandi” policial se modificou. Evidentemente que avanços são bem vindos, porém o que se nota mais atualmente é que os policiais ficam em suas bases, como que “aquartelados”, deixando de lado o aspecto da “ostensividade” (particularidade e prerrogativa da polícia fardada), deslocando-se em patrulhamento, criando um fator de inibição do ato criminoso (e também da irresponsabilidade de motoristas que tanto contribui para o aumento dos tétricos resultados das estatísticas de acidentes nas rodovias).

Mas, uma outra situação, que diz respeito diretamente à Polícia Rodoviária Federal (PRF), também de há muito tempo, tem nos chamado a atenção. Notadamente nos finais de semana, raramente se vê seus integrantes na função. O mais comum são os postos fechados, as viaturas estacionadas ou guardadas e…ninguém em serviço. Um ou outro local apenas, ou seja, a exceção que confirma a regra. Em nossa mais recente viagem, acontecida entre os dias 01 e 03 do corrente mês, entre São Paulo-Brasília-São Paulo, pudemos constatar um único posto da PRF aberto e, na volta, entre Brasília e a divisa de Minas Gerais com São Paulo, uma única viatura em deslocamento entre as cidades de Catalão e Cristalina, em Goiás…. E, isso, num trecho que corresponde à mais da metade do percurso total.

Acreditamos que os cidadãos que já pagam o IPVA e outras taxas para terem seus veículos, e ainda têm que pagar pedágios para poderem usufruir de estradas em melhores condições, merecem uma explicação sobre o que está a acontecer com aqueles que devem zelar pela segurança e bem estar de quem está viajando, a trabalho ou a passeio, não importa.

Artigo escrito por Francisco Ferro,
Diretor-Geral / Editor Chefe

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