Drone ajudará no estudo do passado da floresta Amazônica

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Imagem 1 INPE- Floresta Amazônica
(Imagem: Divulgação)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) receberá ajuda de uma aeronave não tripulada para desenvolver um programa de monitoramento da Amazônia com vistas a estudar o passado da floresta. O drone, como é popularmente denominado, ou Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) Nauru 500,  está sendo produzido em São Carlos (SP), de acordo com parceria firmada com a University of Exeter, da Inglaterra. Ele transportará diversos sensores especiais para proporcionar uma “viagem ao passado”.

“O objetivo é tentar entender o efeito da ação de populações passadas, antes da colonização das Américas, sobre a vegetação da Amazônia, bem como compreender como eles utilizaram essas florestas antigamente, tudo com propósito de produzir melhores informações do que se tem hoje para compreensão do comportamento dessas florestas no presente, e também, a partir daí, produzir modelos para a previsão dos efeitos de mudanças climáticas nas florestas tropicais”, disse Luiz Aragão, pesquisador do INPE.

Os sensores também serão capazes de captar imagens em infravermelho e medir a quantidade de clorofila das plantas, dados que podem ajudar a prevenir e combater queimadas como as que têm destruído a floresta.

“Conseguimos calcular o balanço de carbono, medida do quanto ela absorve menos do que está emitindo, para produzir informações que possam ser colocadas dentro de modelos para fazer previsões em longo prazo” afirmou o pesquisador.

Recursos

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O Nauru é uma plataforma aérea desenvolvida pela paulista XMobots (Imagem: Ivan Plavetz)

O VANT terá quase dois metros de comprimento por quatro de envergadura e tem um sistema de segurança para casos de emergência. “Algum sistema dele deu uma falha, automaticamente ele dispara um dispositivo que abre o paraquedas. Ao mesmo tempo é interrompido todo o sinal de transmissão da aeronave. O aparelho tem um localizador, um spot, sendo que ele será localizado onde cair”, explicou o piloto Ney Souza.

A aeronave tem um motor três vezes mais potente do que o convencional e sua estrutura é composta por fibra de aramida, material usado em coletes à prova de bala. Tudo para que consiga cumprir com os objetivos do estudo.

“Essa aeronave voará em várias regiões do país, na região Amazônica, Vale do Paraíba, o estado de São Paulo como um todo, porque precisamos coletar dados em vastas áreas. As imagens coletadas serão de alta definição, nas quais se consegue ver carros e pessoas, entre outros detalhes”, informou o pesquisador Thiago Batista dos Santos.

Outra característica do modelo é a autonomia de voo, a qual é maior do que a de outras aeronaves similares. “Ela foi projetada para voar entre quatro horas e meia e cinco horas, e em uma altitude de 300 metros. Com outras aeronaves isso não é possível”, completou Santos.

Ivan Plavetz