Dia da Vitória: Defesa comemora o 73º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

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O ministro da Defesa interino, Joaquim Silva e Luna, participou nesta terça-feira (8), pela manhã, da cerimônia em homenagem ao 73º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e da entrega da Medalha da Vitória, no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

 

Na leitura da Ordem do Dia, o ministro Silva e Luna ressaltou, inicialmente, o sangue dos heróis brasileiros que lutaram ao lado dos aliados. “O Brasil pagou sua cota com moedas de sangue e de honra. Estava entre os aliados, sendo o único país da América do Sul a enviar combatentes ao teatro de operações europeu”, disse o ministro.

Ao falar sobre o sacrifício dos militares brasileiros empregados no teatro de operações na Itália, o ministro Silva e Luna destacou a atuação das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). “A Força Naval brasileira atuou na Campanha do Atlântico, protegendo navios de ataques submarinos. Durante todo o conflito, as Marinhas de Guerra e Mercante sofreram cerca de 1.450 baixas”.

Sobre a atuação da Força Terrestre, Silva e Luna ressaltou o árduo trabalho da Força Expedicionária Brasileira (FEB). “O nosso Exército foi ao teatro de guerra europeu, com mais de 25 mil voluntários. Esses bravos soldados contribuíram de maneira decisiva com o esforço dos Aliados, com as expressivas vitórias de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, entre outros, rompendo a Linha Gótica, no Norte da Itália.”

Por fim, o ministro da Defesa ressaltou a atuação da Força Aérea Brasileira (FAB). “A nossa Força Aérea atuou na proteção do extenso litoral brasileiro, e foi à guerra na Itália com o 1º Grupo de Caça, constituído por quase 500 voluntários. O Primeiro Grupo de Caça realizou ao todo 2.546 missões ofensivas, por 48 aviadores brasileiros, 8 dos quais faleceram em combate.”

Ao encerrar o seu pronunciamento, Silva e Luna salientou a importância do 8 de maio de 1945. “É uma data de culto e de glória para o Brasil. Momento de reflexão e recolhimento para melhor reforçarmos nossos valores. Momento de prestarmos reverente continência aos nossos heróis – marinheiros, soldados e aviadores – e àqueles que sofreram a dor de suas perdas”, disse o ministro.

Após o discurso do ministro da Defesa, personalidades civis e militares foram condecorados com a Medalha da Vitória, honraria concedida pelo Ministério da Defesa (MD). A homenagem visa agraciar pessoas e instituições que tenham contribuído para a difusão dos feitos da FEB durante a Segunda Guerra Mundial, entre outras ações.

Neste ano, 111 pessoas receberam a Medalha da Vitória, além de três organizações militares: o Comando da Força de Superfície (Marinha do Brasil), a Companhia de Comando da Primeira Divisão de Exército e o Comando de Operações Aeroespaciais.

O ministro ainda agraciou antigos pracinhas com a Medalha da Vitória: coronel Américo Raposo Filho; os tenentes Carlos Henrique Bessa, Rubens Garcia Bastos e Juventino da Silva; e a senhora Edméa Dias Pimentel, esposa do ex-combatente, o sargento Waldemiro da Costal Pimentel.

Na cerimônia, o ministro estava acompanhado dos comandantes da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira Bacellar; da Força Aérea, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato; do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho; do vice-diretor do Departamento de Cultura do Exército (representando o comandante do Exército), general Juarez Alves Ferreira Junior; e por ex-combatentes da FEB.

Após a entrega das medalhas, foi realizada a aposição de coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, com salva-fúnebre de 15 tiros, e lançadas pétalas de rosa sobre a lápide, em reverência à memória dos que participaram do maior conflito bélico do século 20.

O evento no Aterro do Flamengo contou com a presença de autoridades civis e militares, antigos pracinhas da FEB, inclusive, e ex-combatentes de nações amigas.

O febiano José Cândido da Silva, que atuou na II Guerra Mundial pelo Regimento de Infantaria do Exército, se lembra com emoção do “Dia da Vitória”. “Foi um levantar de chapéus, muito grito, muita alegria, muito choro. Tudo isso nos batalhões e no front onde eu atuei. Para mim, e para os que ainda estão vivos, foi um dia inesquecível. Estou com 94 anos, já tenho bisnetos, e não vou me esquecer desta data nunca”, afirmou.

Em seguida, o destacamento das três Forças Armadas desfilou em continência ao ministro da Defesa, junto com ex-combatentes e veteranos, embarcados em viaturas históricas e ao som da Canção do Expedicionário, que em seu refrão diz: “por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra sem que volte para lá; sem que leve por divisa esse “V” que simboliza a vitória que virá: nossa vitória final, que é a mira do meu fuzil, a ração do meu bornal, a água do meu cantil, as asas do meu ideal, a glória do meu Brasil”.

 

Medalha da Vitória

A condecoração, instituída em 2004 pelo Ministério da Defesa (MD), homenageia militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e civis nacionais e estrangeiros que contribuíram para difusão das ações e a atuação da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Segunda Guerra Mundial, e em defesa da liberdade e da paz mundial.

O Dia da Vitória relembra o 8 de maio de 1945, quando as tropas do nazi-fascismo se renderam ao Alto Comando das Forças Aliadas e da antiga União Soviética.

Neste dia, os representantes da Alemanha, na presença do Alto Comando das Forças Aliadas e do Alto Comando das Forças Armadas Soviéticas, assinaram em Berlim a ata final de rendição, que entrou em vigor a partir da meia-noite do mesmo dia.

Ao todo, 25 mil brasileiros e brasileiras lutaram na Itália, enfrentando toda sorte de dificuldades, em um terreno adverso e severas condições climáticas.

Por Alexandre Gonzaga

Fotos: Alexandre Manfrim/MD/Arquivo Nacional/Exército Brasileiro