Defesa x Época: Ministro Raul Jungmann rebate matéria de revista semanal

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A relação entre o Ministério da Defesa e alguns dos chamados veículos da “grande imprensa” brasileira já apresentava sinais de desgaste nas últimas semanas devido as inúmeras críticas e denúncias em tons dramáticos promovidas por alguns jornalistas durante as Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Favela da Rocinha, que vem a ser a maior do Brasil em extensão territorial, e localizada na cidade do Rio de Janeiro.

As denúncias reportavam excessos cometidos por militares das Forças Armadas contra a população local, durante as operações. Já a reportagem de capa da Revista Época, publicação semanal brasileira, que chega as bancas na segunda, dia 16 de outubro, denuncia a chamada “corrupção fardada“, e faz uma série de ilações que buscam levar o leitor a uma conclusão inevitável (segundo os autores do artigo), a de que militares são tão corruptos quanto os políticos e demais setores da sociedade, e só roubam menos em valores e prejuízos a Nação Brasileira por que não escrevem leis (sic), não pedem votos (sic) e não podem meter a mão no dinheiro do custeio, restando “roubar” no dinheiro destinado a investimentos em pesquisa e desenvolvimento, formação e contratação de pessoal por concursos, compras e licitações efetuadas por unidades, comandos e grandes comandos, etc.

Reprodução da capa da publicação viralizou nas redes sociais: ataques aos militares com artigos tendenciosos são comuns na publicação.

O artigo listou 255 processos em andamento pelo crime de peculato e sessenta de corrupção ativa entre 2012 e 2017, onde militares são acusados ou arrolados como réus tanto na justiça comum quanto na justiça militar.

Segundo a publicação “O material foi remetido ao Tribunal de Contas da União (TCU); investigadores da Corte estão destrinchando irregularidades encontradas nas três Forças, com prejuízos milionários aos cofres públicos. Os casos restringem-se a danos ao Erário superiores a R$ 100 mil”.

O artigo prossegue fazendo comparações entre os valores apreendidos com políticos e os casos de corrupção das FFAA, e de onde os recursos podem ser desviados (sic), cita o caso do general general-de-exército Antonio Hamilton Martins Mourão e seu pronunciamento proferido no último dia 15 de setembro, quando teria acenado com a possibilidade de intervenção militar para extirpar os corruptos da vida pública com a frase “Ou as instituições solucionam o problema político, ou pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos de impor isso”.

Por fim, como se não fosse o bastante, Revista Época achou uma maneira de citar o ex-militar e deputado federal Jair Bolsonaro, tido como “presidenciável” nas eleições de 2018, e ainda colocou no mesmo parágrafo o caso do vice-almirante da Marinha (reformado) Othon Pinheiro da Silva, ex-dirigente da estatal Eletronuclear condenado a 43 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa nas obras da usina nuclear de Angra 3. SegundoRevista Época, o militar foi acusado de receber R$ 4,5 milhões de propina a título de “consultorias”.

Fato é que antes da revista chegar as bancas,  o militar recebeu habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Segundo a defesa do almirante Othon, feita pelo advogado Fernando Fernandes ” O meu cliente dedicou sua vida ao projeto científico nuclear do país e essa perseguição é totalmente descabida. É o mais importante cientista do Brasil nesta área. Ele é acusado pelo recebimento de R$ 3 milhões, o que não tem o menor sentido, pois se tratava de um estudo científico pelo qual recebeu. Ele não é acusado de receber porcentagem de obra da Eletronuclear. Trata-se de um homem inocente”, finaliza.

Ministério da Defesa reage

Assim que tomou conhecimento do teor da reportagem, o ministro Raul Jungmann, titular da pasta da Defesa, reagiu com energia através da sua conta pessoal no twitter, em quatro postagens numeradas onde ele diz

“1- A reportagem de capa da revista Época, sobre a honestidade dos nossos militares, sobre ser pífia, é insultuosa, preconceituosa e desonesta.

2- Listar 256 casos de desvios por militares, todos em julgamento pelo STM,num universo de 720.000 militares,leva-nos concluir pelo contrário.

3- Que os nossos militares são honestos, decentes e dignos do alto conceito que desfrutam dos brasileiros.E que delitos são punidos c/rigor.

4- Exigiremos direito de resposta.Caso não nos concedam, iremos até a justiça, para, dentro da lei, cobrar-la em nome da honra dos militares.”

A reportagem da Revista Tecnologia & Defesa aguarda os desdobramentos desse pronunciamento do ministro Jungmann e retornará ao tema se necessário.

 

Roberto Caiafa