Corpo de Fuzileiros Navais tem novo comandante

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O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) promoveu, na manhã do dia 25 de abril, a cerimônia de passagem do cargo de comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, do almirante-de-esquadra (FN) Fernando Antonio de Siqueira Ribeiro para o almirante-de-esquadra (FN) Alexandre José Barreto de Mattos.

Presidida pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, a cerimônia foi realizada na Fortaleza de São José d

a Ilha das Cobras, centro do Rio de Janeiro, e teve início com a apresentação da Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais.

(Imagem: Roberto Caiafa)

A ocasião marcou a entrega do estandarte do Corpo de Fuzileiros Navais ao comandante-geral empossado, e teve a tradicional salva de 17 tiros cerimoniais disparados por antigas bocas de fogo Krupp.

Dentre as autoridades civis e militares convidadas, esteve presente o comandante da Armada da República da Colômbia, almirante Leonardo Santamaría Gaitán. Também prestigiaram o evento antigos ministros da Marinha, comandantes da Força e ex-comandantes-gerais do CFN, oficiais-generais das demais Forças, representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário, convidados e familiares das autoridades.

De acordo com o almirante-de-esquadra (FN) Fernando Antonio, ir para a reserva após 48 anos de serviços prestados é motivo de grande honra pessoal e satisfação profissional. “É um misto de alegria, por tudo o que aconteceu ao longo desses 48 anos, e de tristeza, por não fazer mais parte dessa rotina. Mas, por outro lado, é importante vermos a continuidade da nossa instituição bissecular. A gama de atividades que coordenamos tem que passar por outros comandos, para que haja a natural oxigenação da instituição. E é uma grande satisfação passar o comando para um amigo, que tenho certeza que vai dar continuidade a esse trabalho de muitos e muitos anos”, afirmou.

(Imagem: Roberto Caiafa)

Já o almirante-de-esquadra (FN) Alexandre Mattos, revelou suas expectativas ao assumir o posto máximo do Corpo de Fuzileiros Navais. “A Marinha é responsável por toda a minha formação pessoal e profissional. Ao longo de 45 anos, fui preparado para assumir grandes responsabilidades. Agora que cheguei ao último posto e assumi o cargo de comandante-geral, vou fazer o melhor que puder em prol da Marinha do Brasil. Minhas expectativas são continuar contribuindo para o engrandecimento da nossa Força e o crescimento do CFN”, afirmou. Promovido ao atual posto em março de 2017, o almirante Alexandre Mattos exerceu anteriormente o cargo de comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE).

O CFN do século 21

(Imagem: Roberto Caiafa)

Dar continuidade a essa missão não será fácil, a julgar pela repetição de termos como “contingenciamento de recursos” e similares, no discurso dos dois almirantes.

Segundo estudos publicados pela Marinha do Brasil, se forem levados em conta os conflitos não estatais na América Latina, não há na atualidade nenhum que possa afetar diretamente o Brasil e o Atlântico Sul.

No entanto, o agravamento da problemática referente à guerra contra as drogas vem gerando desdobramentos, inicialmente, para a Região Amazônica, área de possível emprego para a Marinha e, consequentemente, para o Corpo de Fuzileiros Navais.

Como o Brasil vem se inserindo com uma maior projeção no cenário internacional, se faz necessário possuir Forças Armadas condizentes. O CFN precisa possuir uma estrutura flexível o suficiente para permitir ao fuzileiro naval ter capacidade de se adaptar rapidamente a qualquer situação. As forças navais, porque possuem como características a mobilidade, permanência, flexibilidade e versatilidade, se apresentam como ferramenta adequada para o cumprimento da tarefa de projeção de poder.

O CFN já possui as características necessárias para ser empregado como ferramenta de projeção de poder; mas é necessário um programa de aquisição de variados navios para permitir que o caráter expedicionário possa, de fato, ser atendido e garantido que a estratégia de dissuasão seja efetiva.

(Imagem: Roberto Caiafa)

Um primeiro e importante passo nesse sentido foi a aquisição, por oportunidade, do NDM G-40 Bahia. Esse moderno navio pode transportar até 800 fuzileiros navais, seus equipamentos, veículos, blindados, artilharia, equipamentos de engenharia e demais sistemas, fazendo a projeção de poder da força que vem do mar para terra (a razão de ser do CFN).

Entre os armamentos que o CFN adquiriu ou modernizou recentemente, expostos durante a cerimônia, destaque para os veículos da família ASTROS. Referência mundial o sistema de foguetes terra-terra destaca-se por sua grande mobilidade e capacidade de lançar foguetes e mísseis de vários calibres a distâncias entre 9 e 300 Km. Comprovado em combate durante três importantes conflitos, é versátil, podendo ser utilizado para Artilharia de Campanha e operação no litoral (Artilharia de Costa).

Outro importante sistema empregado pelo CFN, o veículo blindado de transporte de tropa M-113, modernizado para o traço B, teve seu programa de entregas finalizado em 2016 (30 exemplares).

Estuda-se agora a modernização dos blindados caça-carros SK-105A2S, armados com um canhão de 105mm. Leves e versáteis, esses veículos estão passando por uma fase de estudos e análise do conceito, bem como do orçamento de viabilidade.

Esses projetos integram o Programa de Consolidação da Brigada Anfíbia no Rio de Janeiro (PROBANF), que visa aumentar o poder de fogo, a capacidade expedicionária, mobilidade e de proteção dos fuzileiros. Dezessete SK-105 e um veículo de recuperação 4KH7FA Greif foram recebidos a partir de 2001. Esse programa deverá contar com a participação da Base Industrial de Defesa brasileira fornecendo diversos equipamentos previstos para a modernização.

 

Roberto Caiafa