Centro de Lançamento da Barreira do Inferno rastreia foguete ARIANE 5

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O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), organização militar da Aeronáutica localizada em Parnamirim (RN), rastreou o foguete ARIANE 5 VA234, veículo espacial lançado a partir do Centro Espacial Guianês, localizado em Kourou, na Guiana Francesa.

Segundo o coordenador de telemedidas, engenheiro Clécio de Oliveira Godeiro, o rastreamento do VA234 foi um sucesso, com o cumprimento de todos os requisitos exigidos nos protocolos operacionais.

“Como todos os cinco rastreamentos realizados ao longo deste ano, a condição operacional foi plena, sendo os dados do foguete processados, analisados e enviados em tempo real para o Centro Espacial Guianês”, concluiu.

O foguete, lançado às 18h30 no horário de Brasília, transportou como carga útil dois satélites de comunicações: JCSAT-15 e STAR ONE D1. O primeiro será usado nos serviços de TV no Japão e nas comunicações para transferências de dados marítimos e de aviação para a Oceania e Oceano Índico. O segundo irá expandir os serviços da EMBRATEL no Brasil e América Latina, garantindo a oferta de sinais de áudio, TV, rádio e dados (incluindo internet).

No CLBI, a operação de rastreamento mobilizou 48 servidores, entre técnicos e engenheiros, durante o ensaio técnico e a cronologia. Como característica ímpar entre todas as estações que compõem a cadeia de rastreamento, a Estação Natal é a única operada por profissionais de nacionalidade diferente daquelas que integram a Agência Espacial Europeia (ESA).

O CLBI compõe uma cadeia de rastreamento de veículos lançados a leste, juntamente com Galliot, na Guiana Francesa; Ascension, no Atlântico Sul; Libreville, no Gabão e Malindi, no Quênia; tornando-se imprescindível a participação operacional da Estação Natal por ser a única estação rastreadora durante a fase propulsada do veículo.

Na avaliação operacional das atividades do Centro ao longo do ano, o diretor do CLBI, coronel-aviador Paulo Junzo Hirasawa, destacou o valor de encerrar o calendário operacional de 2016 com a qualidade e a excelência que ratificam os processos operacionais da organização.

(Imagem CLBI)
(Imagem: CLBI)

“Encerramos as atividades operacionais garantindo o fiel cumprimento do acordo internacional firmado entre o CLBI e a ESA nos processos de rastreamento, gravação, comutação e entrega segura dos dados provenientes do veículo àquela Agência Espacial”.

Estação Natal – A Estação que não para

A “Estação que não para” é rótulo que define a Estação de Natal (Telemedidas) por nunca ser desligada. Isso é praticado em todas as estações da ESA distribuídas ao longo de alguns continentes.

Essa característica é definida pela necessidade de tê-la permanentemente energizada e mantida sob condições controladas de temperatura e umidade relativa. Sistemas de alarmes em pontos estratégicos permitem a vigilância dos diversos parâmetros, 24 horas por dia, garantindo a minimização da quantidade de anomalias sobre os sistemas, elevando a confiabilidade da Estação.

Uma segunda interpretação de “A Estação que não para”, decorre de sua alta taxa de utilização, tanto pelo Centro Espacial Guianês, quanto pelo CLBI, na elevada cadência operacional.

(Imagem CLBI)
(Imagem: CLBI)

Ao longo dos 37 anos de cooperação internacional com a ESA, o CLBI realizou o rastreamento de veículos que levaram mais de 350 satélites, sejam para órbitas baixas, para as órbitas de transferências geoestacionárias ou para órbitas interplanetárias. Entre elas, destaca-se a Missão Rosetta, a qual é destaque por sua complexidade e notoriedade.

 

Ivan Plavetz