Brasil & Venezuela: ministros da Defesa tem encontro em Puerto Ordaz.

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A questão dos refugiados venezuelanos dominou as conversações reservadas.

O ministro da Defesa do Brasil, Joaquim Silva e Luna, esteve na terça-feira (11), em Puerto Ordaz, na Venezuela, para reunião de trabalho com o ministro da Defesa daquele país, Vladimir Padrino López.

De acordo o ministro Silva e Luna, o motivo principal da reunião foi estreitar as relações entre as Forças Armadas dos dois países por intermédio de reuniões bilaterais de fronteiras, de grupos de trabalho, do aumento de número de militares em cursos nas Escolas Militares, e da criação de parcerias estratégicas na área de produtos de defesa.

No aeroporto de Puerto Ordaz, o ministro e comitiva foram recebidos pelo ministro Padrino
No aeroporto de Puerto Ordaz, o ministro e comitiva foram recebidos pelo ministro Padrino.

O encontro entre as autoridades militares foi marcado por ambiente de camaradagem e fidalguia, estabelecido já na chegada ao aeroporto.

O ministro Silva e Luna foi recepcionado, com honras militares, pelo ministro Padrino López, por seus oficiais generais, pelo governador do estado de Bolivar e pelo encarregado de negócios, ministro conselheiro José Wilson.

Durante a reunião bilateral, Silva e Luna foi acompanhado por integrantes do Ministério da Defesa: os assessores especiais almirante Barreto, brigadeiro Reis, general Garrido; pelo subchefe de Organismos Internacionais, brigadeiro Minelli; além do adido de Defesa na Venezuela, coronel do Exército Liberali.

Também fez parte da comitiva brasileira o general venezuelano Barroso.

Autoridades do Ministério brasileiro também participaram do encontro bilateral
Autoridades do Ministério brasileiro também participaram do encontro bilateral

Ao final, os dois ministros, em suas declarações, manifestaram a importância da reunião em reforçar a cooperação entre suas Forças Armadas.

“Viemos renovar o nosso compromisso de que o que nos une não são somente nossas fronteiras, mas nossa amizade, construída desde o tempo da formação da nossa nacionalidade, quando muitos dos nossos combateram juntos para a formação de nossos países”, destacou Silva e Luna.

Ainda acrescentou: “celebramos aqui um ato de confiança, para a reconstrução de nosso trabalho juntos, para nossos países e, particularmente, para nossa região, que necessita manter-se com estabilidade e paz, para que cresça economicamente, politicamente e, principalmente, fraternalmente”.

O ministro Silva e Luna falou sobre a importância da reunião na Venezuela
O ministro Silva e Luna falou sobre a importância da reunião na Venezuela

O ministro Padrino López considerou o encontro como de muito entendimento, que inicia um ciclo de cortesia e fraterna amizade, pelo o que as instituições Forças Armadas representam, como uma janela para estabilidade e a paz entre as nações.

Falou também sobre incrementar o nível de intercâmbio educativo e fortalecer os laços de confiança e cooperação.

As reuniões bilaterais fazem parte da agenda de trabalho do Ministério da Defesa, a fim de ampliar o diálogo entre as Forças Armadas brasileiras e de nações amigas.

A visão venezuelana do encontro: NÃO INTERVENÇÃO

No início do encontro, o Ministério da Defesa do Brasil emitiu uma mensagem via Twitter para informar que os ministros da Defesa do Brasil e da Venezuela “estão reunidos para reforçar a cooperação Defesa entre os dois países e promover o desenvolvimento harmonioso das fronteiras em comum “.

Por sua parte, o ministro Padrino López disse: “Devemos trabalhar juntos para combater os crimes transfronteiriços que nos causam grandes danos, como a segurança dos cidadãos, a deterioração do meio ambiente, ameaças comuns que temos de enfrentar”.

Ao se referir à questão dos deslocados (refugiados), Padrino disse que: “A Venezuela não é um país que tem uma vocação migratória para o Brasil; seu movimento migratório é por razões econômicas que têm uma causa: guerra econômica, bloqueio, perseguição financeira para derrubar um governo legítimo, eleito pelo povo. “

Segundo o comunicado do Ministério do Poder Popular para a Defesa da Venezuela, o ministro venezuelano aproveitou a oportunidade para “rejeitar a crise humanitária tese de que é aplicado a Venezuela, indicando que tal situação não existe, sendo uma ficção utilizada por organizações multilaterais para atacar a população e incentivar a intervenção em nosso país“.

A esse respeito, Padrino acrescentou: “Uma intervenção (militar) na Venezuela é uma intervenção em toda a região e teria um impacto negativo sobre os países; um processo de desestabilização seria perigoso para a paz regional e, pior ainda, lutar uns contra os outros na América do Sul, na América Latina e no Caribe”.

O Ministério da Defesa venezuelano também destacou a necessidade de acionar-se o Conselho Sul-Americano de Defesa (CDS), um órgão criado no seio da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi levantado.

Segundo o ministro venezuelano “O CDS seria empregado como instrumento de diálogo e articulação permanentes, válidos, pertinentes e contínuos, a fim de abordar e discutir em uma mesa as situações de ameaça à América do Sul; bem como o revigoramento do desenvolvimento harmonioso das fronteiras comuns, respeitando os princípios da soberania e da não intervenção”.

“Na verdade, foi um trabalho de camaradagem para abordar questões relativas à defesa de nossos países, para elevar o nível das relações entre nossas Forças Armadas”, afirmou o ministro Silva e Luna no encerramento da reunião.

Fotos: Alexandre Manfrim/MD

Nota do autor: A não citação da atual situação calamitosa na fronteira entre os dois países, no texto divulgado pelo MD brasileiro, causa estranhamento. As boas relações entre Brasil e Venezuela dependem muito mais da resolução dessa grave situação humanitária do que trocas de amabilidades diplomáticas entre autoridades dos dois lados. A questão Roraima é grave, exige mais empenho e energia dos dois lados para uma rápida resolução, e os efeitos maléficos na demora em agir podem contaminar toda a faixa de fronteira. É preciso agir, dentro da normalidade e confiança existente entre os dois Países, mas é preciso agir!