Brasil e Rússia em acordo para monitoramento de lixo espacial

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Observatório do Pico dos Dias receberá novo telescópio para monitorar lixo espacial. (Imagem: AEB)

A instalação de um telescópio no Observatório do Pico dos Dias, no município de Brazópolis (MG) vai garantir o rastreamento e monitoramento do lixo espacial, que atualmente representa um dos maiores riscos às operações espaciais de todos os países e à própria sustentabilidade das atividades espaciais. A previsão é que o equipamento comece a operar em novembro deste ano.

O acordo firmado entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a Agência Espacial Russa (Roscosmos), com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), foi formalizado graças a uma parceria entre os governos dos dois países que estabeleceu um termo de cooperação para pesquisa e uso do espaço exterior para fins pacíficos. Segundo o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, o acordo deve ser entendido como parte integrante das iniciativas de mitigação e monitoramento de detritos espaciais da Organização das Nações Unidas (ONU).

A implementação do sistema PAN-EOS no Brasil permitirá a formação e o desenvolvimento de recursos humanos altamente qualificados em uma área de grande importância para a segurança das atividades espaciais, além de contribuir com a segurança do Programa Espacial Brasileiro. O sistema também será responsável pela criação de uma base de dados referente à localização e às orbitas de objetos que poderão causar colisão com satélites artificiais.

Comunidade científica

Para o pesquisador do LNA, Albert Bruch, o telescópio vai fotografar o espaço quando as condições climáticas permitirem, e os dados serão enviados para a Rússia, sendo que uma cópia ficará aqui no Brasil à disposição de astrônomos e pesquisadores, e de pessoas que têm vínculo com as instituições do país. “O projeto vai trazer benefícios para a área espacial, para a astronomia, brasileiros e russos, e irá estreitar mais ainda as relações entre os dois países” afirmou Bruch.

O telescópio de pequeno porte, ou seja, 75 centímetros de abertura, será instalado em uma altitude de cerca de 1.800 metros. O aparelho é considerado a principal instalação de observação astronômica em solo brasileiro. Ele terá a capacidade de cobrir vastas regiões do céu.

Ivan Plavetz