Brasil, Colômbia e Peru construirão barco patrulheiro para Amazônia

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(Imagem: COTECMAR)

Brasil, Colômbia e Peru concordaram em realizar intercâmbio de tecnologia militar e colaborar na construção de um barco de patrulhamento para proteger a região amazônica compartilhada pelos três países contra narcotraficantes e outras ameaças criminosas.

O projeto foi anunciado pelo contra-almirante Jorge Enrique Carreño Moreno, presidente da Cooperação Colombiana de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval, Marítima e Fluvial (COTECMAR), durante a feira internacional Expodefensa 2015, realizada entre 30 de novembro e 02 de dezembro, em Bogotá, na Colômbia.

“Nós – Colômbia, Brasil e Peru – assinamos o acordo Patrulheiro Amazônico”, disse ele à imprensa. “As Marinhas desses países se posicionam para proteger este pulmão do mundo que é o Rio Amazonas.”

Aníbal Fernández de Soto, vice-ministro de Políticas e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa da Colômbia, disse que o projeto do barco de patrulha refletirá as capacidades de engenharia dos três países. “Que a experiência, a doutrina e o conhecimento dessas três Marinhas aumentem exponencialmente a efetividade de cada uma nas atividades contra ameaças como aquelas derivadas do narcotráfico e da mineração ilegal que colocam a região em perigo.”

Cooperação na luta contra o narcotráfico

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Contra-almirante Carreño (esquerda), presidente da COTECMAR, e o vice-lmirante (r1) Marcelio Carmo Castro Pereira, presidente da EMGEPRON, assinam acordo para desenvolvimento de um barco de patrulhamento. (Imagem: Ministério da Defesa da Colômbia)

O barco patrulheiro ajudará os três países a combater as organizações de tráfico internacional de droga que operam na Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, região conhecida como Trapézio Amazônico. Forças de segurança também usarão o barco para lutar contra uma ampla gama de atividades de crime organizado, como contrabando de flora e fauna e desmatamento ilegal.

“O principal benefício é ter uma ferramenta comum com a qual possamos patrulhar os rios da bacia amazônica, que formam um ecossistema estratégico do ponto de vista ambiental”, disse o vice-ministro Fernández de Soto. “O uso desse barco patrulheiro também nos permitirá exercer maior presença para combater várias manifestações de crime organizado, que se aproveitam dessa região às vezes inóspita e de difícil acesso para desenvolver atividades ilegais.”

A embarcação ajudará as forças de segurança a proteger o Trapézio Amazônico, uma região que abriga os ecossistemas de maior diversidade e recursos genéticos do mundo, além de importantes recursos hidrelétricos, de hidrocarbonetos e minerais.

As autoridades militares desenvolveram um plano para o barco patrulheiro da Amazônia a partir da experiência da Colômbia com barcos ribeirinhos e do Brasil, que tem história na construção naval. Desse modo, oficiais dos dois países discutiram a ideia de trabalhar em conjunto e assinaram o acordo em julho de 2014. Os Serviços Industriais da Marinha do Peru (SIMA) aceitaram trabalhar no projeto com a COTECMAR da Colômbia e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) do Brasil após a quarta reunião do Mecanismo de Consulta e Coordenação Política realizada entre a Colômbia e o Peru no dia 26 de outubro último.

“Essa importante estratégia conjunta não apenas permitirá o trabalho harmonioso entre as várias Marinhas envolvidas, mas também proporcionará importantes avanços tecnológicos e intercâmbios de tecnologias desenvolvidas por cada país para o benefício da região” disse o vice-ministro Fernández de Soto.

Embora as três empresas estejam trabalhando juntas no desenho do barco e garantindo que tenha as capacidades necessárias, concordaram que a COTECMAR construirá a embarcação, que será financiada após a etapa do projeto. “Cada país vai lidar com a fase seguinte de acordo com suas possibilidades econômicas e planos de desenvolvimento estratégico”, disse o contra -almirante Carreño.

Iniciativa fortalece laços de cooperação

“A relação entre Colômbia, Peru e Brasil é muito estreita e fluida, caracterizada por uma comunicação permanente entre nossas Forças Armadas”, disse o vice-ministro Fernández de Soto. “Formamos uma excelente aliança que advém não apenas de nossa relação fronteiriça, mas também do interesse mútuo em combater estruturas de crime organizado, que geram danos a nossas comunidades e à região como um todo.”

Por exemplo, durante a quarta reunião do Mecanismo de Consulta e Coordenação Política entre Peru e Colômbia, esses países concordaram em trocar informação sobre a construção, reparação, modernização e manutenção das unidades navais, assim como dividir serviços de manutenção de aviões e informação sobre a implementação de seus sistemas, entre outras coisas.

“O Brasil ofereceu recentemente sua cooperação no enorme esforço de desminagem que a Colômbia deve fazer na região, enquanto nós e o Peru renovamos nosso compromisso quanto à assistência às vítimas e à erradicação de minas terrestres”, disse o vice-ministro colombiano Fernández de Soto. “Uma vez mais, a Colômbia, o Peru e o Brasil reiteram seus laços históricos de amizade, que se manifestam na defesa e promoção da democracia.”

Ivan Plavetz
Diálogo-Revista Militar Digital