Bolsonaro se posiciona contra a fusão entre Boeing x Embraer “nos termos atuais”.

0
4850
De acordo com a parceria proposta, a Boeing deterá 80% de participação na joint venture que englobará o braço de aviação comercial da Embraer, avaliado em US$ 5,26 bilhões, um valor percebido como baixo em diversos setores da sociedade brasileira.

O presidente Jair Bolsonaro, no seu quarto dia de governo, fez um pronunciamento onde declarou-se “não favorável” ao acordo de fusão entre a Boeing e a Embrear, nos termos apresentados pela primeira.

A declaração aconteceu logo após a cerimônia de passagem de comando da Força Aérea Brasileira, realizada na Base Aérea de Brasília na última sexta feira (04/01).

o cmte brigadeiro que entra (Bermudez) e o cmte brigadeiro que sai (Rossato).

O presidente da República tem poder de veto sobre a operação.

Bolsonaro afirmou, após ter acesso a ultima versão do contrato em discussão, que informações tecnológicas podem ser repassadas à empresa de aviação norte-americana.

O presidente não detalhou que tipo de dados poderiam ser acessados, mas falou em proteção do patrimônio nacional.

Progressivamente e sem alarde, a Embraer transferiu praticamente todas as linhas de montagem dos jatos executivos para os Estados Unidos, nos últimos anos. (Foto: Roberto Caiafa)

Após as declarações do presidente, as ações da Embraer tiveram forte retração, algo em torno de 4,34%, enquanto o Ibovespa registrava leve alta.

Segundo o presidente declarou “Seria muito boa essa fusão, mas como está na última proposta, daqui a cinco anos tudo pode ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. A Embraer um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão, até para que a empresa consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo“.

O Buy American Act pode levar a produção do KC390 para os Estados Unidos, assim como levou a fabricação do A-29 Super Tucano para a Flórida?

Poder de veto

A reação do mercado se deve ao poder que o governo tem de vetar a venda da companhia, a chamada “golden share“, que em bom português significa que a fusão das duas empresas depende do aval do governo Bolsonaro.

As fabricantes anunciaram em dezembro os termos finais do acordo, causando grande alarido entre setores nacionalistas.

De acordo com a parceria proposta, a Boeing deterá 80% de participação na joint venture que englobará o braço de aviação comercial da Embraer, avaliado em US$ 5,26 bilhões, um valor percebido como baixo em diversos setores da sociedade brasileira.

Além disso, Boeing e Embraer também chegaram a um surpreendente acordo para a segunda joint venture, voltada à promoção e desenvolvimento de novos mercados para o jato multimissão KC-390, a Embraer ficando com 51%, e a Boeing com os 49% restantes.

A entrada em serviço do KC-390 está prevista para acontecer em 2019.
Nota do Autor: Exatamente esse tópico sobre o KC390 é o pomo da discórdia entre o Governo Brasileiro e a Força Aérea, de um lado, e a Boeing e seus executivos, do outro. O discurso inicial da empresa americana deixava claro que não haveria qualquer interferência sobre a Embraer Defesa e Segurança, divisão de Defesa da Embraer, e responsável pela produção do A-29 Super Tucano (a cada dia mais produzido nos Estados Unidos e menos no Brasil)e do KC390. Acontece que o jato de transporte militar da empresa brasileira revelou-se uma oportunidade boa demais para a Boeing deixar passar. O avião entraria no portifólio da gigante aeroespacial global já desenvolvido e praticamente certificado, a linha de produção no Brasil atendendo as encomendas domésticas e regionais, e uma segunda linha de produção nos Estados Unidos, cumprindo o que pede a Lei Buy American Act (O Buy American Act, aprovado em 1933 pelo Congresso americano e assinado pelo presidente Hoover em seu último dia de mandato, exigia que o governo dos Estados Unidos preferisse produtos fabricados nos Estados Unidos em suas compras). Essa possibilidade abre mercados promissores ao avião (gerando postos de trabalho nos Estados Unidos) enquanto os sindicatos de São José dos Campos e região, e o cluster aeroespacial do interior paulista demonstram preocupação legítima com a perda de empregos brasileiros.