Aviação Naval da Marinha do Brasil recebe o 4º caça AF-1B modernizado.

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Com a desativação do NAe São Paulo, decidida em 2017, a Marinha resolveu reduzir o programa de modernização para apenas seis caças: três monopostos e três bipostos – um modelo modernizado se acidentou no Rio de Janeiro (RJ) em julho de 2017.

A Marinha do Brasil (MB) recebeu em 23 de agosto, no Dia da Aviação Naval, o quarto caça naval AF-1BM modernizado pela Embraer.

A principal novidade do N-1008 é a pintura especial de baixa visibilidade, indicada para operações de inteligência (reconhecimento/sigint/elint/comint).

O processo de modernização foi iniciado em 2009, quando a Embraer foi selecionada para realizar o projeto AF-1M.

A primeira entrega ocorreu em maio de 2015.

Com a reforma, cada exemplar teve sua vida útil estendida para mais 10 anos.

O projeto original previa a renovação de 12 aeronaves, sendo nove modelos monopostos AF-1B) e três bipostos (AF-1C).

Com a desativação do NAe São Paulo, decidida em 2017, a Marinha resolveu reduzir o programa de modernização para apenas seis caças: três monopostos e três bipostos – um modelo modernizado se acidentou no Rio de Janeiro (RJ) em julho de 2017.

O Esquadrão VF-1 vai completar no final de setembro 20 anos de sua criação, e persistem  os mesmos óbces elencados em artigo publicado por ocasião dos 19 anos da unidade (clique para ler).

Imagens: Roberto Caiafa / EDS / Embraer

O programa de atualização inclui a substituição de antigos equipamentos de navegação e comunicação por recursos mais avançados, além da revitalização estrutural.

Um dos itens mais avançados do caça modernizado é o radar israelense EL/M 2032 que pode ser ajustado para diferentes modos de combate para ataques aéreos, terrestres e marítimos.

Segundo a MB, o equipamento pode localizar e rastrear automaticamente 64 alvos, simultaneamente, marítimos ou terrestres, ou ser utilizado para mapeamento terrestre.

Nota do autor: A modernização dos caças A-4K/KU, denominados AF-1 “Falcão” na Marinha do Brasil, removeu o gap tecnológico de sensores e comunicações, mas manteve o mesmo antiquado armamento operado pelo Kuwait anteriormente: 2x canhões de 20 mm na raiz das asas, mísseis ar-ar AIM-9L/M/P/J Sidewinder, foguetes de 70 mm, bombas burras da série MK (MK.82 a MK.84), tanques suplementares de combustível e, opcionalmente, pod de reabastecimento em voo buddy-buddy Sgt Fletcher.

Mísseis ar-ar mais modernos como o A-Darter ou o Iris-T não foram integrados, e o avião não consegue carregar e disparar um míssil antinavio do porte de um Exocet, pois não existe integração para qualquer armamento inteligente, nem mesmo bombas inteligentes do tipo LGB.

Não há sequer a opção de transportar um casulo designador laser externo em uma aeronave e as bombas LGB em outra, pois não há espaço de integração para pods externos.

O resultado final é um senhor respeitável desprovido da “cegueira” anterior mas que continua a bater como se fazia nos anos de 1970/1980 do século passado.

Se é assim, por que a Marinha mantêm esses aviões?

Para não perder sua capacidade operativa em asas fixas, e assim realizar uma transição segura até que programas mais onerosos, como o PROSUB e o Programa das CCT realizem suas entregas, desafogando o orçamento da Esquadra e permitindo a compra de uma nova aeronave, provavelmente uma versão navalizada do Saab Gripen E/F atualmente sendo implementado na Força Aérea.